{"id":20612,"date":"2012-09-12T14:40:00","date_gmt":"2012-09-12T14:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20612"},"modified":"2012-09-12T14:40:00","modified_gmt":"2012-09-12T14:40:00","slug":"quando-a-doenca-e-uma-licao-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quando-a-doenca-e-uma-licao-de-vida\/","title":{"rendered":"Quando a doen\u00e7a \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o de vida"},"content":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores <!--more--> Obrigado, Senhor, por me teres proporcionado viver momentos t\u00e3o ricos e engrandecedores. Tamb\u00e9m eu, com os meus 70 anos, pensava que o mundo estava desumanizado e que os valores de hoje n\u00e3o correspondiam aos de ent\u00e3o. Contudo, testemunho o que vivi durante oito dias no hospital  Infante D. Pedro, Aveiro, concretamente, no UCIC (Unidade Cuidados Intensivos de Cardiologia).<\/p>\n<p>Tendo recorrido aos servi\u00e7os deste hospital em estado bastante grave, fui recebido  pelos profissionais das urg\u00eancias com a normalidade que lhe \u00e9  pr\u00f3pria. Ap\u00f3s o diagn\u00f3stico, de imediato me comunicaram que precisava de ficar internado. Dei por mim j\u00e1 num espa\u00e7o com um ambiente de paz e  tranquilidade, onde as vozes que de mim se abeiravam eram de uma melodia tal que j\u00e1 parecia o \u201cc\u00e9u\u201d (como no-lo descreviam em pequenos). Eis que entro na noite, na noite mais longa da minha vida, pois os rel\u00f3gios pareciam ter parado&#8230; As d\u00favidas, incertezas, receios, medos&#8230; Confrontei-me com a minha pr\u00f3pria mortalidade.<\/p>\n<p>Nasce um novo dia, o rel\u00f3gio acelerou um pouco mais, os medos, receios, intranquilidades come\u00e7am a dissipar-se, pois tinha \u00e0 minha volta um \u201cex\u00e9rcito\u201d de homens e mulheres, alguns ainda a fazer lembrar a adolesc\u00eancia (pelos seus rostos de juventude) que, de sorrisos nos l\u00e1bios e um brilho no olhar, davam  \u201co seu melhor\u201d \u00e0 ordem dos seus \u201ccomandantes\u201d. Estes, seguros de si, decis\u00f5es bem firmes, atuavam sem hesita\u00e7\u00f5es, aplicando os seus conhecimentos m\u00e9dicos, esquecendo as horas que junto do doente investiam, bem como o tempo que pertencia  \u00e0s suas fam\u00edlias. Ao aperceber-me que todo este \u201cex\u00e9rcito\u201d estava em minha defesa e na de todos os que viessem a necessitar deles,  os meus receios esva\u00edram-se. Percebi que \u201ch\u00e1 curas isentas de inje\u00e7\u00f5es e comprimidos mas de uma transforma\u00e7\u00e3o da nossa alma\u201d. Vivi ent\u00e3o os momentos mais belos da minha vida,  assistindo a gestos de  tanta humanidade, dedica\u00e7\u00e3o, carinho e sabedoria para com todos e de igual modo. Apraz-me referir as atitudes para com um paciente, j\u00e1 conhecido nestes servi\u00e7os (pela rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico\/doente) em  que os seus problemas de sa\u00fade o afetavam psicologicamente  e quando o m\u00e9dico se abeirava dele com  uma verdadeira for\u00e7a na transmiss\u00e3o de \u00e2nimo e energia o doente dizia: \u201cSr. dr., eu j\u00e1 morri 5 vezes, esta noite&#8230; Eu tenho a doen\u00e7a daquele homem que andava com a cruz pelo mundo&#8230; Ajudem-me a dizer seu nome&#8230;\u201d Respondiam-lhe  ent\u00e3o: \u201cQuer dizer Jo\u00e3o Paulo ll?\u201d \u201cIsso&#8230; Isso\u201d, dizia o doente.<\/p>\n<p>Ali estava  junto deste paciente o m\u00e9dico ou a enfermeira ou o assistente operacional a acalm\u00e1-lo com uma dedica\u00e7\u00e3o e carinho como se o estivessem a embalar. O doente j\u00e1 mais sereno relatava a Deus aquilo que, efetivamente, sentia. \u201cObrigado, Senhor, pelos homens bons que h\u00e1 no mundo que ainda conseguem olhar para este corpo que se transforma lentamente num monstro\u201d.<\/p>\n<p>Agora sim, valeu a pena ter 70 anos e ter oportunidade de dizer bem alto que o mundo n\u00e3o est\u00e1 totalmente desumanizado. Obrigado, Senhor, por me teres ensinado a tirar da doen\u00e7a uma li\u00e7\u00e3o de vida.<\/p>\n<p>Quero expressar todo o meu carinho e respeito por toda esta equipa  de m\u00e9dicos, enfermeiros,  assistentes operacionais e outros que trabalham nestes servi\u00e7os com um verdadeiro sentido de voca\u00e7\u00e3o e sobretudo de miss\u00e3o profissional e humana.<\/p>\n<p>Ac\u00e1cio Gon\u00e7alves<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-20612","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espaco-comum"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20612"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20612\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}