{"id":20613,"date":"2012-09-12T14:43:00","date_gmt":"2012-09-12T14:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20613"},"modified":"2012-09-12T14:43:00","modified_gmt":"2012-09-12T14:43:00","slug":"um-silencioso-mas-potente-sinal-e-meio-de-evangelizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-silencioso-mas-potente-sinal-e-meio-de-evangelizacao\/","title":{"rendered":"Um silencioso mas potente sinal e meio de evangeliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>No dia 9 de setembro foi inaugurada na Diocese de Karaganda, no Cazaquist\u00e3o, a primeira catedral dedicada a Nossa Senhora de F\u00e1tima. O bispo auxiliar de Karaganda, D. Athanasius Schneider, explica nesta entrevista concedida \u00e0 ag\u00eancia de not\u00edcias cat\u00f3lica Zenit a import\u00e2ncia da constru\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica num pa\u00eds maioritariamente mu\u00e7ulmano e de pessoas \u201cem busca de Deus\u201d. \u00c0 R\u00e1dio Renascen\u00e7a, D. Schneider agradeceu aos portugueses que \u201cacolheram, conservaram e difundiram pelo mundo\u201d a mensagem de F\u00e1tima.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o significado hist\u00f3rico e espiritual da constru\u00e7\u00e3o desta catedral em Karaganda?<\/p>\n<p>A primeira raz\u00e3o \u00e9 esta: termos uma catedral num local mais digno e vis\u00edvel. Na verdade, a Diocese de Karaganda utilizava at\u00e9 aos dias de hoje um edif\u00edcio que tinha sido constru\u00eddo ainda durante os tempos da persegui\u00e7\u00e3o, encontrando-se este edif\u00edcio nos arredores da cidade, al\u00e9m de n\u00e3o se reconhecer exteriormente que \u00e9 uma igreja.<\/p>\n<p>Uma catedral situada num local mais central e constru\u00edda num estilo de tradi\u00e7\u00e3o inconfundivelmente cat\u00f3lica, isto \u00e9, o estilo neog\u00f3tico, vai ser um sinal silencioso mas poderoso, e um meio de evangeliza\u00e7\u00e3o, num mundo em que os cat\u00f3licos s\u00e3o cerca de 1 ou 2% da popula\u00e7\u00e3o, e em que a maioria da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 mu\u00e7ulmana, com uma minoria forte de ortodoxos. Quanto ao resto, uma parte consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o pertence a qualquer religi\u00e3o, s\u00e3o pessoas em busca de Deus.<\/p>\n<p>A arquitetura da catedral, e o mesmo se diga dos objetos no seu interior, tudo foi feito com o maior cuidado poss\u00edvel, para que expressem uma verdadeira beleza art\u00edstica, e ao mesmo tempo a sacralidade e o sentido do sobrenatural. Tudo isto \u00e9 adequado, tanto para incitar o sentimento religioso e da f\u00e9 nos fi\u00e9is e em todos quantos a visitem, como para exprimir o ato de adora\u00e7\u00e3o da Sant\u00edssima Trindade. E, por conseguinte, tudo se torna assim adequado para vir facilitar a execu\u00e7\u00e3o do primeiro mandamento, que \u00e9 a finalidade \u00faltima da cria\u00e7\u00e3o: a adora\u00e7\u00e3o e glorifica\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>Mas o significado hist\u00f3rico e espiritual tem ainda esta outra dimens\u00e3o: a nova catedral \u00e9 um lugar sagrado em mem\u00f3ria das in\u00fameras v\u00edtimas do regime comunista, j\u00e1 que perto de Karaganda existia um dos maiores e mais terr\u00edveis campos de concentra\u00e7\u00e3o \u2013 chamados Gulag \u2013, no qual sofreram pessoas pertencentes a mais de 100 etnias diferentes. Assim, a nova catedral ser\u00e1 ao mesmo tempo um santu\u00e1rio para ora\u00e7\u00f5es de expia\u00e7\u00e3o pelos crimes do regime ate\u00edsta e comunista.<\/p>\n<p>A beleza arquitet\u00f3nica, as obras de arte, o \u00f3rg\u00e3o desta nova catedral s\u00e3o tamb\u00e9m um meio de promo\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p>Como foi acolhida esta iniciativa cat\u00f3lica por parte das autoridades pol\u00edticas da comunidade isl\u00e2mica?<\/p>\n<p>Foi acolhida com um sentimento de respeito para com a Igreja Cat\u00f3lica. As autoridades civis e a popula\u00e7\u00e3o sentem-se honradas por poderem ter na sua cidade esta constru\u00e7\u00e3o, de extraordin\u00e1ria beleza arquitet\u00f3nica e de alto significado cultural. As autoridades civis consideram a nova catedral como um gesto da Igreja Cat\u00f3lica em favor da promo\u00e7\u00e3o da cultura.<\/p>\n<p>Temos uma pequena comunidade cat\u00f3lica que se mostra capaz de construir uma catedral em terra de miss\u00e3o: poderemos dizer que se trata de um modelo capaz de instigar o renascimento da f\u00e9 na velha Europa?<\/p>\n<p>A pequena comunidade cat\u00f3lica estava em condi\u00e7\u00f5es de dar um contributo sobretudo espiritual para a constru\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o maior contributo material veio dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s da velha Europa. E isto \u00e9 algo de muito belo, pois manifesta a solidariedade fraterna, manifesta um interc\u00e2mbio fraterno de dons, semelhante ao que acontecia nos primeiros tempos da Igreja, quando as comunidades mais ricas ajudavam as comunidades mais necessitadas.<\/p>\n<p>A f\u00e9 h\u00e1 de renascer tamb\u00e9m na velha Europa, quando, cada vez mais e em todas as coisas, o primeiro lugar for dado a Jesus, quando a vida de f\u00e9 se tornar cada vez mais concreta, vis\u00edvel e mais \u201cencarnada\u201d.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os problemas que a comunidade cat\u00f3lica enfrenta quotidianamente no Cazaquist\u00e3o?<\/p>\n<p>Os problemas quotidianos s\u00e3o a falta de sacerdotes, as enormes dist\u00e2ncias entre as comunidades paroquiais, a insufici\u00eancia dos meios materiais para as obras de constru\u00e7\u00e3o de igrejas e para as obras sociais e educativas, a emigra\u00e7\u00e3o dos jovens para o estrangeiro, al\u00e9m de alguns impedimentos de car\u00e1cter burocr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Como s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es com as outras confiss\u00f5es crist\u00e3s?<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es com as outras confiss\u00f5es crist\u00e3s s\u00e3o boas. De quando em vez h\u00e1 encontros com bispos e sacerdotes da Igreja Russa Ortodoxa e com representantes das comunidades protestantes. Temos, por assim dizer, um ecumenismo de vida, em que as rela\u00e7\u00f5es humanas s\u00e3o mais importantes do que as discuss\u00f5es te\u00f3ricas e doutrinais. E h\u00e1 atividades comuns com os irm\u00e3os ortodoxos e protestantes no \u00e2mbito da defesa da vida.<\/p>\n<p>A arte \u00e9 seguramente um instrumento de evangeliza\u00e7\u00e3o eficaz, como nos recorda o Magist\u00e9rio, e o Santo Padre insta-nos e encoraja-nos para que a usemos. Pode contar-nos a sua experi\u00eancia de promotor de obras, que tanta arte e tanta beleza quis na sua diocese como sinal do testemunho da f\u00e9 cat\u00f3lica?<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma nova catedral com uma est\u00e9tica verdadeiramente sacra e recheada com obras de arte \u00e9 tamb\u00e9m uma proclama\u00e7\u00e3o daquele que \u00e9 o primeiro dever da Igreja: dar a Deus, a Deus encarnado, o primeiro lugar, um lugar vis\u00edvel, pois Deus fez-se vis\u00edvel com a Encarna\u00e7\u00e3o e na Eucaristia; dar a Deus o primeiro lugar tamb\u00e9m no sentido de oferecer a beleza art\u00edstica em sua honra, pois \u00e9 Deus o autor de toda a beleza e merece receber em sua honra, da parte dos fi\u00e9is, obras verdadeiramente belas. (\u2026)<\/p>\n<p>J\u00e1 visitaram a nova catedral muitas pessoas. Na maioria foram pessoas n\u00e3o cat\u00f3licas, e at\u00e9 mesmo n\u00e3o crist\u00e3s. Foram atra\u00eddas pela beleza e exprimiram de modo claro a sua admira\u00e7\u00e3o. Houve mesmo algumas mulheres n\u00e3o crist\u00e3s que at\u00e9 choraram de como\u00e7\u00e3o \u00e0 minha frente. Uma vez, durante meia hora, mostrei e expliquei a catedral a um jovem casal n\u00e3o crist\u00e3o, com todos os pormenores da arte e das coisas sacras. Quando terminei e depois de sairmos da catedral, esta mulher n\u00e3o crist\u00e3 disse-me: \u00abNesta meia hora purifiquei a minha ama. Posso vir c\u00e1 outra vez sozinha? \u00c9 que quero admirar no sil\u00eancio estas coisas belas?\u00bb Ao que eu respondi: \u00abCertamente. Pode voltar todas as vezes que quiser.\u00bb Nessa meia hora, com a minha explica\u00e7\u00e3o de uma arte que \u00e9 sacra e bela, consegui dar uma li\u00e7\u00e3o sobre a verdade da f\u00e9 cat\u00f3lica. A rea\u00e7\u00e3o de quase todas as pessoas que at\u00e9 agora visitaram a catedral, e especialmente das pessoas n\u00e3o crist\u00e3s, foi espont\u00e2nea e neste sentido: admira\u00e7\u00e3o, sil\u00eancio, abertura ao sobrenatural.<\/p>\n<p>\u201cLugar de ora\u00e7\u00e3o, de mem\u00f3ria <\/p>\n<p>e de expia\u00e7\u00e3o\u201d<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Renascen\u00e7a, o bispo do Cazaquist\u00e3o afirmou que \u201cconstruir uma catedral em honra da nossa senhora de F\u00e1tima num s\u00edtio que era dominado pelo regime ate\u00edsta-comunista e ainda mais num lugar como Karaganda &#8211; capital da rede de campos de concentra\u00e7\u00e3o-, tem um grande significado espiritual para a Igreja desta regi\u00e3o\u201d. \u201cEspero que tamb\u00e9m seja um lugar de ora\u00e7\u00e3o, de mem\u00f3ria e de expia\u00e7\u00e3o por estes crimes que foram feitos contra Deus\u201d, disse. <\/p>\n<p>D. Athanasius Schneider, atrav\u00e9s da jornalista Aura Miguel, que acompanhou a inaugura\u00e7\u00e3o no Cazaquist\u00e3o, dirigiu uma mensagem a Portugal: \u201cQuero agradecer aos portugueses que acolheram, conservaram e difundiram pelo mundo [a mensagem de F\u00e1tima]. Mas, tamb\u00e9m, incentivar os portugueses a cultivarem esta devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora de F\u00e1tima e a f\u00e9 cat\u00f3lica\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 9 de setembro foi inaugurada na Diocese de Karaganda, no Cazaquist\u00e3o, a primeira catedral dedicada a Nossa Senhora de F\u00e1tima. O bispo auxiliar de Karaganda, D. Athanasius Schneider, explica nesta entrevista concedida \u00e0 ag\u00eancia de not\u00edcias cat\u00f3lica Zenit a import\u00e2ncia da constru\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica num pa\u00eds maioritariamente mu\u00e7ulmano e de pessoas \u201cem busca de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-20613","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20613","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20613"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20613\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20613"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20613"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20613"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}