{"id":20627,"date":"2012-07-25T16:28:00","date_gmt":"2012-07-25T16:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20627"},"modified":"2012-07-25T16:28:00","modified_gmt":"2012-07-25T16:28:00","slug":"nao-de-multiplique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/nao-de-multiplique\/","title":{"rendered":"N\u00e3o d\u00ea &#8211; multiplique!"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Se a gente pegar nos quatro Evangelhos e nos Actos dos Ap\u00f3stolos, facilmente organiza um roteiro de milagres. A ideia mais tradicional \u00e9 a de que uma pessoa excepcionalmente boa e amiga de Deus espalha \u00e0 sua volta a aragem benfazeja de uma nova ordem das coisas, como se fosse o come\u00e7o da \u00abidade de oiro\u00bb, j\u00e1 t\u00e3o badalada nas grandes civiliza\u00e7\u00f5es da antiguidade. <\/p>\n<p>\u00abMilagre\u00bb outra coisa n\u00e3o significa sen\u00e3o \u00abmaravilha\u00bb. O tra\u00e7o caracter\u00edstico n\u00e3o \u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o dita sobrenatural mas sim o chamar de aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se Jesus Cristo tivesse dado os cinco p\u00e3es e os dois peixes de que fala o evangelho, teria, quando muito, matado a fome a umas tr\u00eas pessoas! Mas o evangelista sublinha uma arte j\u00e1 bem manifesta pelo profeta Eliseu (1.\u00aa leitura): a arte de multiplicar o que \u00e9 bom.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da humanidade \u00e9 centralmente uma multiplica\u00e7\u00e3o, bem a par da espantosa (\u201cmilagrosa\u201d) expans\u00e3o do universo. Sim, tamb\u00e9m se multiplicam coisas m\u00e1s, e de tal modo que o dil\u00favio b\u00edblico parece uma tentativa de Deus para reduzir a zero a tabuada humana \u2013 de tal modo se tinha multiplicado a iniquidade. Mas, l\u00e1 est\u00e1, at\u00e9 ao fazer o mal, o ser humano mostra a tend\u00eancia profunda para o bem \u2013 e Deus deu-nos de novo, na figura de No\u00e9, o poder de multiplicar tudo o que \u00e9 vida.<\/p>\n<p>Assim foi que a vida de um par t\u00e3o ing\u00e9nuo como Ad\u00e3o e Eva (nem sabiam que estavam nus\u2026) se multiplicou em milh\u00f5es de milh\u00f5es; com Eliseu (2.\u00ba Livro dos Reis 4), uma medida de azeite multiplica-se por todas as vasilhas do armaz\u00e9m da vi\u00fava sua amiga, e os 20 p\u00e3es de um homem bom alimentam mais de cem pessoas; assim a \u00e1gua se transforma em vinho (Jo\u00e3o 2); assim a f\u00edmbria de uma t\u00fanica liberta poder (Marcos 5,28); deste modo, um vulgar \u00abfilho de carpinteiro\u00bb come\u00e7a uma \u201cnova ordem\u201d no mundo, e o rude S. Pedro e seus seguidores ajudam na \u201cmultiplica\u00e7\u00e3o\u201d da paz e justi\u00e7a com que sonhamos\u2026<\/p>\n<p>(Eliseu quis ressuscitar um menino colocando sobre ele o seu cajado. Mas foi preciso que o pr\u00f3prio Eliseu aquecesse com o seu corpo o corpo do menino. A melhor t\u00e9cnica para prolongar a vida, aliviar o sofrimento ou consolidar o bem-estar \u2013 acaba por ser est\u00e9ril, sem o cuidado pessoal e uma vontade genu\u00edna de multiplicar o bem). <\/p>\n<p>A ideia central \u00e9 a de que com o pouco se faz muito \u2013 tamb\u00e9m o famigerado \u201creino de Deus\u201d se multiplica como o pequenino gr\u00e3o de mostarda, vindo a transformar-se numa \u00e1rvore frondosa (Marcos 4,30).<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 verdade que um simples sorriso pode multiplicar o ambiente positivo \u00e0 nossa volta? E que um \u00abobrigado\u00bb, um gesto de ajuda, um \u00abse faz favor\u00bb, um elogio\u2026 quando genu\u00ednos e prazenteiros, multiplicam a felicidade de multid\u00f5es? <\/p>\n<p>Fiquemos com a aragem promissora da multiplica\u00e7\u00e3o de respostas eficazes aos nossos mais profundos desejos e problemas. <\/p>\n<p>N\u00e3o deitemos fora os cinco p\u00e3es nem os demos ao virar da esquina: estudemos a arte de os multiplicar.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-20627","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20627","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20627"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20627\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20627"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20627"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20627"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}