{"id":20677,"date":"2012-09-12T15:59:00","date_gmt":"2012-09-12T15:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20677"},"modified":"2012-09-12T15:59:00","modified_gmt":"2012-09-12T15:59:00","slug":"sempre-e-missao-ao-perto-ou-ao-longe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sempre-e-missao-ao-perto-ou-ao-longe\/","title":{"rendered":"Sempre e miss\u00e3o, ao perto ou ao longe"},"content":{"rendered":"<p>O Decreto sobre \u201cA atividade mission\u00e1ria da Igreja\u201d \u00e9 um dos documentos do Vaticano II mais expressivos na sua dimens\u00e3o pastoral. A sua vota\u00e7\u00e3o foi a mais participada, porque a todos os bispos conciliares, por certo, o tema lhes era sens\u00edvel. A Igreja \u00e9 mission\u00e1ria por natureza, e incarna, at\u00e9 ao fim dos tempos, o mandato de Jesus: \u201cIde por todo o mundo, anunciai a Boa Nova, fazei disc\u00edpulos\u2026\u201d Recorda o Decreto que a miss\u00e3o \u00e9 des\u00edgnio eterno no Pai, realizada pelo Filho, animada pelo Esp\u00edrito e entregue \u00e0 Igreja como responsabilidade que a acompanhar\u00e1 sempre.<\/p>\n<p>As primeiras comunidades crist\u00e3s n\u00e3o organizavam a expans\u00e3o mission\u00e1ria, porque tinham uma viva consci\u00eancia do seu dever. Todos os seus membros em Cristo se sentiam em miss\u00e3o evangelizadora. A sua vida e testemunho faziam que cada dia crescesse o n\u00famero dos que acreditavam e pediam o Batismo (At 2,42-47). A preocupa\u00e7\u00e3o dos Ap\u00f3stolos e seus imediatos sucessores foi fundar, entre os pag\u00e3os, pequenas comunidades de crentes, irm\u00e3os na f\u00e9, conscientes do seu dever mission\u00e1rio. Depois, durante s\u00e9culos, a f\u00e9 foi-se transmitindo na fam\u00edlia, de modo pac\u00edfico, mas perdeu-se o ardor de fazer nascer novas comunidades crist\u00e3s. Todos nasciam j\u00e1 crentes\u2026 Um dia a Igreja teve de acordar para a responsabilidade que impendia sobre o Papa e os bispos, de suscitar e dar vida ao esp\u00edrito mission\u00e1rio. E foi nascendo e crescendo este esp\u00edrito, sobretudo nas ordens e congrega\u00e7\u00f5es religiosas. <\/p>\n<p>Viram-se, ent\u00e3o, grupos de generosos mission\u00e1rios a partir da Europa para zonas onde n\u00e3o havia ainda chegado a prega\u00e7\u00e3o do Evangelho. Muitos foram m\u00e1rtires em terra ou no mar, mas foram nascendo, gra\u00e7as \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o e doa\u00e7\u00e3o, outras comunidades crentes, na Am\u00e9rica Latina, na \u00c1frica, no Oriente. Jamais se p\u00f4de parar esta aventura de anunciar Jesus Cristo, dom do Pai para a salva\u00e7\u00e3o de todos. O Decreto conciliar d\u00e1 conta deste esfor\u00e7o da Igreja, estimulado pelo Papa e pelos bispos, que fez nascer, na Europa, muitas congrega\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias de homens, a que se foram tamb\u00e9m juntando outras de mulheres. At\u00e9 no seio do clero diocesano nasceram voca\u00e7\u00f5es e sociedades mission\u00e1rias. Por todo o lado, o Povo de Deus foi sendo animado, de modo a apoiar este esfor\u00e7o, por todos os meios poss\u00edveis, espirituais e materiais.<\/p>\n<p>O documento conciliar, partindo do dever da Igreja, centra-se em alguns pontos fundamentais: o testemunho de vida e o esp\u00edrito de di\u00e1logo dos mission\u00e1rios, a sua presen\u00e7a animada pelo amor, a prega\u00e7\u00e3o adequada, o catecumenato e a inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida crist\u00e3. Nas miss\u00f5es, urgia sempre a forma\u00e7\u00e3o de novas comunidades, a promo\u00e7\u00e3o do clero local e da vida consagrada, a prepara\u00e7\u00e3o de catequistas do meio. Todo o caminho se fazia em ordem \u00e0 miss\u00e3o e \u00e0 expans\u00e3o da f\u00e9 em Jesus Cristo.<\/p>\n<p>As dioceses acordaram para o dever de promover o esp\u00edrito mission\u00e1rio entre todos os membros das comunidades e dos grupos, dado que este esp\u00edrito \u00e9 caracter\u00edstica de uma f\u00e9 esclarecida e aut\u00eantica. Os crist\u00e3os s\u00e3o mission\u00e1rios pelo Batismo. Os pastores da Igreja devem dar um exemplo convincente deste esp\u00edrito e foment\u00e1-lo por todos os meios ao seu alcance. Da\u00ed a promo\u00e7\u00e3o de voca\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias de jovens, mediante a forma\u00e7\u00e3o, a coopera\u00e7\u00e3o para apoio \u00e0s atividades concretas das miss\u00f5es, a abertura das par\u00f3quias ao testemunho e \u00e0 prega\u00e7\u00e3o dos mission\u00e1rios, as formas de gemina\u00e7\u00e3o que alimentam este esp\u00edrito apost\u00f3lico e fraterno, entre os crist\u00e3os, fomentando o voluntariado mission\u00e1rio, mormente entre os jovens, os adultos e os doentes.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo II deu, com a vida, grande testemunho da sua preocupa\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria. Correu o mundo e publicou, em 1990, a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cMiss\u00e3o do Redentor\u201d, avivando a doutrina do decreto conciliar. Tamb\u00e9m os bispos portugueses deram, h\u00e1 pouco, publicamente conta do seu dever mission\u00e1rio, bem como das suas dioceses, esfor\u00e7ando-se mais por concretizar a sua responsabilidade (cf. Carta Pastoral \u201cComo Eu fiz fazei v\u00f3s &#8211; Para um rosto mission\u00e1rio da Igreja em Portugal\u201d, de junho de 2010). <\/p>\n<p>O Conc\u00edlio trata, por fim, da organiza\u00e7\u00e3o da atividade mission\u00e1ria e refor\u00e7a, a terminar, a coopera\u00e7\u00e3o que se pede aos bispos, presb\u00edteros, consagrados e leigos. Ao perto e ao longe, resta ainda muito para fazer, seja na a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria em terras tradicionais de miss\u00e3o, seja nas comunidades dos pa\u00edses de cristandade, onde urge, cada vez mais, uma nova evangeliza\u00e7\u00e3o, em ordem a uma f\u00e9 viva, esclarecida e apost\u00f3lica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Decreto sobre \u201cA atividade mission\u00e1ria da Igreja\u201d \u00e9 um dos documentos do Vaticano II mais expressivos na sua dimens\u00e3o pastoral. A sua vota\u00e7\u00e3o foi a mais participada, porque a todos os bispos conciliares, por certo, o tema lhes era sens\u00edvel. 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