{"id":20688,"date":"2012-09-19T16:51:00","date_gmt":"2012-09-19T16:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20688"},"modified":"2012-09-19T16:51:00","modified_gmt":"2012-09-19T16:51:00","slug":"museu-de-aveiro-integra-se-numa-rede-de-museus-do-centro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/museu-de-aveiro-integra-se-numa-rede-de-museus-do-centro\/","title":{"rendered":"Museu de Aveiro integra-se numa rede de museus do centro"},"content":{"rendered":"<p>Nova dire\u00e7\u00e3o do Museu de Aveiro entrou no in\u00edcio de setembro, ap\u00f3s contesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Pela frente, o desafio de gerar receitas numa casa com muito d\u00e9fice.<\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es no Museu de Aveiro, com nova dire\u00e7\u00e3o desde 1 de setembro, devem-se \u00e0 nova lei org\u00e2nica da Dire\u00e7\u00e3o Geral do Patrim\u00f3nio Cultural e \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es regionais de Cultura, em abril passado, o que implicou a passagem da tutela do Museu de Aveiro do ex-Instituto dos Museus (este, por sua vez, dependente do Minist\u00e9rio da Cultura, que foi extinto) para a Dire\u00e7\u00e3o Regional da Cultura do Centro (DRCC). Estas mudan\u00e7as levaram \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do lugar de diretor de servi\u00e7o, que era ocupado h\u00e1 nove meses por Paulo C\u00e9sar Santos, e \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o de Zulmira Gon\u00e7alves, equiparada a chefe de divis\u00e3o. A mudan\u00e7a, em regime de substitui\u00e7\u00e3o, vale apenas at\u00e9 ao final do ano, pois ser\u00e1 aberto um concurso para o cargo de diretor do Museu de Aveiro.<\/p>\n<p>Por outro lado, o Museu de Aveiro fica integrado numa rede de museus do centro do pa\u00eds, que inclui um em Coimbra (Mosteiro de Santa Clara-a-Velha), dois em Leiria (Etnogr\u00e1fico e Arqueol\u00f3gico Dr. Joaquim Manso da Nazar\u00e9 e Museu de Jos\u00e9 Malhoa, nas Caldas da Rainha), mais o Museu da Guarda e o Museu Francisco Tavares Proen\u00e7a J\u00fanior, em Castelo Branco. A rede \u00e9 coordenada a partir de Coimbra, na DRCC, por um diretor de servi\u00e7os de bens culturais, no caso, Artur C\u00f4rte-Real.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as foram apresentadas pela diretora regional da Cultura do Centro no dia 31 de agosto, ap\u00f3s contesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica de organismos como a ADERAV (Associa\u00e7\u00e3o para o Estudo e Defesa dos Patrim\u00f3nio Natural e Cultural da Regi\u00e3o de Aveiro) e a AMUSA (Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos do Museu de Aveiro). \u201cFalou-se muito. At\u00e9 pode ser interessante para chamar a aten\u00e7\u00e3o para o Museu de Aveiro. Fui a respons\u00e1vel pela escolha destas pessoas que me acompanham. Fui busc\u00e1-las pelo seu trabalho\u201d, referiu Celeste Amaro, ap\u00f3s explicar as altera\u00e7\u00f5es legislativas que derivam, em \u00faltima inst\u00e2ncia, da extin\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura e da conten\u00e7\u00e3o de custos.<\/p>\n<p>A ADERAV, no dia 28 de agosto, contestou que as altera\u00e7\u00f5es representam \u201cuma despromo\u00e7\u00e3o ou desconsidera\u00e7\u00e3o [do Museu de Aveiro] em rela\u00e7\u00e3o aos seus pares\u201d, j\u00e1 que museus como o de Gr\u00e3o-Vasco (Viseu) ou Machado de Castro (Coimbra), n\u00e3o est\u00e3o dependentes da DRCC, mas de Lisboa. Louvou, por outro lado, o trabalho de Paulo C\u00e9sar Santos, que congregou \u201cv\u00e1rias for\u00e7as vivas do concelho e da regi\u00e3o\u201d, ativou um grupo de volunt\u00e1rios e promoveu a reativa\u00e7\u00e3o da AMUSA (Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos do Museu de Aveiro). E questionou a nomea\u00e7\u00e3o de Zulmira Gon\u00e7alves n\u00e3o s\u00f3 por \u201cn\u00e3o apresentar nenhuma forma\u00e7\u00e3o ou curr\u00edculo na \u00e1rea dos museus, sendo jurista de forma\u00e7\u00e3o base\u201d, mas tamb\u00e9m porque nos museus da Caldas da Rainha e de Castelo Branco os diretores foram reconduzidos.<\/p>\n<p>A AMUSA, por seu lado, falou de \u201cneocoloniza\u00e7\u00e3o\u201d e \u201csubordina\u00e7\u00e3o\u201d de Aveiro, escrevendo na sua p\u00e1gina do Facebook, no dia 30 de agosto, sobre o \u201cMuseu de Santa Joana\u201d: \u201cAlterar os sentimentos de perten\u00e7a da casa onde repousa o seu t\u00famulo e o esp\u00f3lio que a preenche constitui um gesto impens\u00e1vel j\u00e1 que pode ser entendido como um processo de profana\u00e7\u00e3o e roubo do edif\u00edcio hist\u00f3rico do antigo Mosteiro de Jesus\u201d. A associa\u00e7\u00e3o disse ainda temer \u201ctransplantes museol\u00f3gicos empobrecedores do patrim\u00f3nio aveirense\u201d, quando a partilha de acervos e exposi\u00e7\u00f5es \u00e9, de facto, uma das ideias do coordenador da rede.<\/p>\n<p>Posteriormente, ap\u00f3s uma reuni\u00e3o com a diretora regional da Cultura do Centro, que decorreu na manh\u00e3 de 31 de agosto e foi considerada como \u201cesclarecimento oportuno\u201d e \u201cgesto que permite antever a colabora\u00e7\u00e3o justa e necess\u00e1ria entre os representantes dos servi\u00e7os centrais da Secretaria de Estado da Cultura e as associa\u00e7\u00f5es c\u00edvicas representativas de valores locais que importa salvaguardar\u201d, a AMUSA emitiu um comunicado em que afirmou estar ao lado da DRCC e, consequente da nova dire\u00e7\u00e3o do Museu de Aveiro, \u201cno conjunto de preocupa\u00e7\u00f5es que tendem a fortalecer a rede nacional de museus e a participa\u00e7\u00e3o do Museu de Aveiro nas iniciativas que promovam o conhecimento e as manifesta\u00e7\u00f5es culturais nesta parte do nosso territ\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n<p>Artur C\u00f4rte-Real<\/p>\n<p>Trabalha a partir de Coimbra, coordenando a rede de seis museus.<\/p>\n<p>\u00c9 licenciado em Hist\u00f3ria e mestre Arqueologia. Coordenou o projeto de valoriza\u00e7\u00e3o de Idanha-a-Velha e, desde 1996, tem estado ligado Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, primeiro como arque\u00f3logo respons\u00e1vel pela recupera\u00e7\u00e3o, depois como coordenador da equipa de projeto. \u00c9 membro do Conselho Geral da Funda\u00e7\u00e3o In\u00eas de Castro. \u00c9 autor de artigos em revistas nacionais e estrangeiras com destaque para a \u201cRevista Patrim\u00f3nio Estudos\u201d (IPPAR\/IGESPAR) e a \u201cR\u00e9vue de L\u2019Art\u201d. Publicou um livro sobre Idanha-a-Velha e outro sobre o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha.<\/p>\n<p>Zulmira Gon\u00e7alves<\/p>\n<p>Diretora do Museu, trabalha a partir de Aveiro, \u201ca tempo inteiro\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 licenciada em Direito e mestranda em Gest\u00e3o de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional. Tem um curso de Administra\u00e7\u00e3o Aut\u00e1rquica e \u00e9 p\u00f3s-graduada em Direito da Comunica\u00e7\u00e3o e Direito do Emprego P\u00fablico. \u00c9 coautora do livro \u201cComo Administrar uma Freguesia\u201d. Desenvolveu carreira profissional na administra\u00e7\u00e3o aut\u00e1rquica da Figueira da Foz e de Coimbra, destacando-se o cargo de chefe da Divis\u00e3o Administrativa e de Atendimento, da C\u00e2mara Municipal de Coimbra, de 2002 a 2010.<\/p>\n<p>Desafio da boa gest\u00e3o<\/p>\n<p>A nova dire\u00e7\u00e3o tem pela frente o desafio de tornar a casa menos dependente do financiamento externo. O Museu de Aveiro tem um or\u00e7amento anual de cerca de meio milh\u00e3o de euros. As receitas, basicamente dos bilhetes e da loja, cobrem apenas cerca de 10 por cento das despesas (ver \u201cn\u00fameros\u201d). Celeste Amaro espera que no futuro as receitam venham a cobrir todos os gastos exceto os ordenados. Ou seja, bilhetes, loja do museu, cafetaria (algo que j\u00e1 estava nos projetos da anterior dire\u00e7\u00e3o) e outros projetos dever\u00e3o gerar perto de 200 mil euros, quatro vezes mais do que na atualidade. A respons\u00e1vel da DRCC n\u00e3o se comprometeu com prazos, mas concordou que o sucesso da nova equipa ser\u00e1 avaliado tamb\u00e9m pela capacidade de gerar receitas pr\u00f3prias, o que pode come\u00e7ar, at\u00e9, pela simplifica\u00e7\u00e3o da bilh\u00e9tica, j\u00e1 que \u00e9 preciso \u201cquase dez minutos\u201d, como afirmou, \u201cpara ler todos os pre\u00e7os dos bilhetes\u201d.<\/p>\n<p>Artur C\u00f4rte-Real, com trabalho reconhecido no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, incluindo quanto \u00e0 sustentabilidade financeira, adiantou que \u00e9 necess\u00e1rio \u201cser inventivo\u201d para gerar receitas e novos p\u00fablicos e apontou algumas ideias: \u201ccriar sinergias com as c\u00e2maras municipais\u201d, \u201ctrabalhar com a rede de museus do Centro e trocar cole\u00e7\u00f5es\u201d \u201capostar no merchandising\u201d, alargar hor\u00e1rios at\u00e9 \u00e0s 19h30 no ver\u00e3o, procurar mecenas, alugar instala\u00e7\u00f5es para eventos. Para come\u00e7ar, at\u00e9 ao final do ano, o Museu de Aveiro vai mudar a sinal\u00e9tica e ter um novo s\u00edtio eletr\u00f3nico.<\/p>\n<p>Alguns n\u00fameros do Museu de Aveiro<\/p>\n<p>&#8211; 20 funcion\u00e1rios<\/p>\n<p>&#8211; 517 mil euros de gastos totais por ano (338 mil euros de despesas com pessoal mais 179 mil em eletricidade, \u00e1gua e outros servi\u00e7os)<\/p>\n<p>&#8211; 54 mil euros de receitas (previs\u00e3o para 2013)<\/p>\n<p>&#8211; 5,5 milh\u00f5es de euros gastos na renova\u00e7\u00e3o (recupera\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio e constru\u00e7\u00e3o de nova ala) entre 2006 e 2009<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova dire\u00e7\u00e3o do Museu de Aveiro entrou no in\u00edcio de setembro, ap\u00f3s contesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Pela frente, o desafio de gerar receitas numa casa com muito d\u00e9fice. 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