{"id":20697,"date":"2012-09-19T17:18:00","date_gmt":"2012-09-19T17:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20697"},"modified":"2012-09-19T17:18:00","modified_gmt":"2012-09-19T17:18:00","slug":"missao-da-igreja-num-pais-em-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/missao-da-igreja-num-pais-em-crise\/","title":{"rendered":"Miss\u00e3o da Igreja num pa\u00eds em crise"},"content":{"rendered":"<p>Nota do Conselho Permanente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa <!--more--> 1. O momento socioecon\u00f3mico que Portugal atravessa est\u00e1 a ser dif\u00edcil para muitos portugueses. A Igreja \u00e9 sens\u00edvel ao sofrimento de todos, particularmente dos mais pobres e dos desempregados, independentemente da f\u00e9 que professam. A Igreja faz parte da sociedade e, com a vis\u00e3o do homem e da vida que lhe \u00e9 pr\u00f3pria, \u00e9 chamada a contribuir para o bem das pessoas e da comunidade nacional como um todo. A principal resposta da Igreja para o momento atual tem sido dada pelas suas institui\u00e7\u00f5es de solidariedade social, como pr\u00e1tica ativa da caridade.<\/p>\n<p>A Igreja <\/p>\n<p>e a comunidade pol\u00edtica<\/p>\n<p>2. Quando celebramos 50 anos do in\u00edcio do Conc\u00edlio Vaticano II, \u00e9 oportuno recordar o seu ensinamento, tantas vezes confirmado pelo Magist\u00e9rio posterior, sobretudo dos Papas. A Igreja \u00e9 um Povo, uma comunidade estruturada e organizada, que assume como dever a procura do bem-comum de toda a sociedade. Esse \u00e9 tamb\u00e9m o fim da comunidade pol\u00edtica. \u201cNo campo que lhe \u00e9 pr\u00f3prio, a comunidade pol\u00edtica e a Igreja s\u00e3o independentes e aut\u00f3nomas uma da outra. Mas ambas, embora a t\u00edtulos diferentes, est\u00e3o ao servi\u00e7o da voca\u00e7\u00e3o pessoal e social dos mesmos homens\u201d (Gaudium et Spes, n\u00ba 76).<\/p>\n<p>Segundo a doutrina do Magist\u00e9rio, a Igreja como comunidade interv\u00e9m na sociedade a tr\u00eas n\u00edveis: os crist\u00e3os leigos, guiados pela sua consci\u00eancia crist\u00e3, t\u00eam toda a liberdade de participa\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica; as associa\u00e7\u00f5es da Igreja, com particular rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hierarquia, devem intervir tendo em conta o di\u00e1logo com os seus pastores; os sacerdotes e bispos t\u00eam como minist\u00e9rio anunciar o Evangelho e a doutrina da Igreja para todos, de modo que ela possa ser acolhida, nomeadamente no que diz respeito \u00e0 sua doutrina social.<\/p>\n<p>A Igreja e o atual momento<\/p>\n<p>da sociedade portuguesa<\/p>\n<p>3. A doutrina social da Igreja, que temos sempre o dever de anunciar, ilumina a realidade, interpela a consci\u00eancia dos intervenientes na coisa p\u00fablica e sugere atitudes que exprimam valores.<\/p>\n<p>&#8211; Prioridade na busca do bem-comum. Esta primazia da busca do bem-comum de toda a sociedade atinge todas as pessoas e todos os corpos sociais. \u00c9 o caminho para construir uma unidade de objetivos, no respeito das diferen\u00e7as: governo e oposi\u00e7\u00e3o, partidos pol\u00edticos, associa\u00e7\u00f5es de trabalhadores e de empres\u00e1rios, etc. As diferen\u00e7as s\u00e3o leg\u00edtimas, mas a unidade na procura do bem-comum \u00e9 sempre necess\u00e1ria e indispens\u00e1vel. A supera\u00e7\u00e3o das leg\u00edtimas diverg\u00eancias, num alargado consenso nacional, sup\u00f5e sabedoria e generosidade l\u00facida.<\/p>\n<p>&#8211; Direito ao trabalho. Este n\u00e3o deve ser concebido apenas como forma de manuten\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, mas como meio de realiza\u00e7\u00e3o humana. O desemprego \u00e9, certamente, um dos aspetos mais graves desta crise, o que sup\u00f5e um equil\u00edbrio convergente de v\u00e1rios elementos: criatividade nas empresas, caminhos ousados no financiamento, di\u00e1logo social em que pessoas e grupos decidam dar as m\u00e3os, apesar das suas diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8211; Estabilidade pol\u00edtica. \u00c9 exigida pela pr\u00f3pria natureza da democracia e da responsabilidade dos seus atores, requerendo a busca permanente do maior consenso social e pol\u00edtico. Numa democracia adulta, as \u201ccrises pol\u00edticas\u201d dever\u00e3o ser sempre exce\u00e7\u00e3o. Em momentos cr\u00edticos, podem comprometer solu\u00e7\u00f5es e atrasar dinamismos na sua busca. Todos sabemos que, para superar as presentes dificuldades, n\u00e3o existem muitos caminhos de solu\u00e7\u00e3o. Compete aos pol\u00edticos escolh\u00ea-los, estud\u00e1-los e apresent\u00e1-los com sabedoria.<\/p>\n<p>&#8211; Respeito pela verdade. O discurso p\u00fablico tem de respeitar a verdade do dinamismo das situa\u00e7\u00f5es e da procura de solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211; Generosidade na honestidade. O bem da comunidade nacional exige de todos generosidade para n\u00e3o dar prioridade \u00e0 busca de interesses particulares e a honestidade para renunciar a caminhos pouco dignos de procura desses interesses. S\u00f3 com generosidade se pode alcan\u00e7ar um bem maior.<\/p>\n<p>Renova\u00e7\u00e3o cultural<\/p>\n<p>4. Esperamos que a presente situa\u00e7\u00e3o fa\u00e7a avan\u00e7ar a verdadeira compreens\u00e3o sobre alguns elementos decisivos do mundo econ\u00f3mico-financeiro em que estamos inseridos:<\/p>\n<p>&#8211; Os sistemas econ\u00f3mico-financeiros. Portugal, membro da Uni\u00e3o Europeia e da Zona Euro, est\u00e1 inserido no quadro das economias liberais, vulgarmente designadas de capitalismo. A Igreja sempre defendeu, entre as express\u00f5es da liberdade, a liberdade econ\u00f3mica, desde que as suas concretiza\u00e7\u00f5es se submetam aos objetivos do bem-comum. Os pr\u00f3prios lucros das pessoas, das empresas e dos grupos devem orientar-se para o bem-comum de toda a sociedade.<\/p>\n<p>&#8211; O equil\u00edbrio entre finan\u00e7as e economia. O Papa Bento XVI concretizou o pensamento da Igreja, salientando que as finan\u00e7as devem ser um instrumento que tenha em vista a melhor produ\u00e7\u00e3o de riqueza e o desenvolvimento. Importa que a economia e as finan\u00e7as se pratiquem de modo \u00e9tico a fim de criar as condi\u00e7\u00f5es adequadas para o desenvolvimento da pessoa e dos povos.<\/p>\n<p>&#8211; Os mercados. Sujeitos a uma dimens\u00e3o \u00e9tica de servi\u00e7o \u00e0 humanidade, os mercados n\u00e3o podem separar-se do dinamismo econ\u00f3mico, transformando-se em fontes aut\u00f3nomas de lucro que n\u00e3o reverte, necessariamente, para o bem-comum da sociedade.<\/p>\n<p>A supera\u00e7\u00e3o da crise sup\u00f5e uma renova\u00e7\u00e3o cultural. A Igreja quer contribuir para esta renova\u00e7\u00e3o com os valores que lhe s\u00e3o pr\u00f3prios: a dignidade da pessoa humana, a solidariedade como vit\u00f3ria sobre os diversos ego\u00edsmos, a equidade nas solu\u00e7\u00f5es e na distribui\u00e7\u00e3o dos sacrif\u00edcios, atendendo aos mais desfavorecidos, a verdade nas afirma\u00e7\u00f5es e an\u00e1lises, a coragem para aceitar que momentos dif\u00edceis podem ser a semente de novas etapas de conviv\u00eancia e de sentido coletivo da vida. N\u00f3s, os crentes, contamos para isso com a for\u00e7a de Deus e a prote\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora.<\/p>\n<p>F\u00e1tima, 17 de setembro de 2012<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota do Conselho Permanente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-20697","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20697","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20697"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20697\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20697"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20697"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20697"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}