{"id":2074,"date":"2010-06-23T16:36:00","date_gmt":"2010-06-23T16:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2074"},"modified":"2010-06-23T16:36:00","modified_gmt":"2010-06-23T16:36:00","slug":"cego-e-quem-nao-quer-ver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/cego-e-quem-nao-quer-ver\/","title":{"rendered":"Cego \u00e9 quem n\u00e3o quer ver!"},"content":{"rendered":"<p>Ponta de Lan\u00e7a <!--more--> N\u00e3o podemos ignorar. Por mais que queiramos que chova, n\u00e3o \u00e9 com os \u201cbulc\u00f5es\u201d do nosso esp\u00edrito que as nuvens carregadas desabam sobre a terra.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m sabemos que, at\u00e9 na aridez do deserto, aqui ou ali, pela manh\u00e3 mais possivelmente, podemos encontrar uma flor vi\u00e7osa, fr\u00e1gil, mas bela. E \u00e9 t\u00e3o mais encantadora quanto maior \u00e9 a nossa expectativa de a n\u00e3o encontrar.<\/p>\n<p>E foi por estes dias, a prop\u00f3sito de lutas civilizacionais, \u00e0 procura da raz\u00e3o (para n\u00e3o ficar cego!), que cruz\u00e1mos com Alexandre Herculano (\u201cEurico, o presb\u00edtero\u201d). Por nos parecer oportuno, pese o facto de extenso, sentimos necessidade de olhar para o alto e, no meio de aus\u00eancias um pouco estranhas (afirma\u00e7\u00e3o cultural?!), tentar ver claro, distinguir. Tantas vezes, querendo que todos vejamos da mesma maneira ou cerrando os olhos (como as crian\u00e7as quando fazem birra!) para demonstrar que n\u00e3o queremos ver, corremos o risco de transformar uma querela pequena num dano irrepar\u00e1vel; de ficarmos cegos, at\u00e9!<\/p>\n<p>Quando \u00e9 a hora mais tardia da vida, ou mesmo o ocaso, \u00e9 elegante baixar a guarda e, talvez silenciosamente, olhar o passado para evitar erros futuros; como que recordar \u201cnaquele vasto horizonte, at\u00e9 ent\u00e3o puro na sua luz horrenda, dois castelos de nuvens cerradas e negras come\u00e7aram a alevantar se, um da banda da Europa, outro do lado de \u00c1frica.<\/p>\n<p>Os bulc\u00f5es conglobados corriam um para o outro e multiplicavam se, vomitando novos castelos de nuvens, que se difundiam, flutuando enoveladas com formas incertas.<\/p>\n<p>E aquelas montanhas vaporosas e negras rasgaram se de alto a baixo em fendas semelhantes a algares profundos, e os seus fragmentos informes e cambiantes vacilavam tr\u00eamulos em ascens\u00e3o diagonal para as alturas do c\u00e9u.<\/p>\n<p>Ao aproximarem se, os dois ex\u00e9rcitos de nuvens prolongaram se em frente um do outro e toparam em cheio, Era uma verdadeira batalha.<\/p>\n<p>Como duas vagas encontradas, no meio de grande procela, que, tombando uma sobre a outra, se quebram em cach\u00f5es que espadanam len\u00e7\u00f3is de escuma para ambos os lados, antes que a menos violenta se incorpore na mais possante, assim aquelas nuvens tenebrosas se despeda\u00e7avam, derramando se pela imensid\u00e3o da ab\u00f3bada afogueada.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, pareceu me ouvir muito ao longe um choro sentido misturado com gritos agudos, como os do que morre violentamente, e um tinir de ferro, como o de milhares de espadas, batendo nas cimeiras de milhares de elmos.<\/p>\n<p>Mas este ru\u00eddo foi se alongando e cessou: os bulc\u00f5es alevantados da banda de \u00c1frica tinham embebido em si os que subiam da Europa, e desciam rapidamente para o lado dos campos g\u00f3ticos. Depois, senti l\u00e1 em baixo, na raiz da montanha, um rir diab\u00f3lico\u201d.<\/p>\n<p>Coisas do diabo?! Como \u00e9 poss\u00edvel?<\/p>\n<p>Acreditamos que pessoas h\u00e1 que, por terem lutado tanto para terem uma vida digna, tornam-se intolerantes com quem n\u00e3o viveu da mesma maneira. Ing\u00e9nuos? Porque n\u00e3o!<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 quem nunca teve oportunidade, desde o ber\u00e7o, por aus\u00eancia circunstancial ou involunt\u00e1ria, por decis\u00e3o maturadamente deliberada, de acolher a profundidade do Eterno!<\/p>\n<p>Desportivamente\u2026 <\/p>\n<p>&#8230;pelo desporto!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ponta de Lan\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-2074","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2074","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2074"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2074\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2074"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2074"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2074"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}