{"id":20741,"date":"2012-09-12T15:58:00","date_gmt":"2012-09-12T15:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20741"},"modified":"2012-09-12T15:58:00","modified_gmt":"2012-09-12T15:58:00","slug":"por-uma-nova-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/por-uma-nova-comunicacao\/","title":{"rendered":"Por uma nova comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A comunica\u00e7\u00e3o massificada e omnipresente, como a que atravessa grande parte dos nossos quotidianos, sacrifica duas v\u00edtimas em que nem sempre pensamos: a palavra e a interioridade. A palavra \u00e9 t\u00e3o vital \u00e0 express\u00e3o de n\u00f3s pr\u00f3prios, \u00e9 t\u00e3o indispens\u00e1vel \u00e0 rela\u00e7\u00e3o, que a sua aprendizagem se prolonga, na nossa forma\u00e7\u00e3o, por longos anos. Ela confunde-se com a descoberta de n\u00f3s pr\u00f3prios. Por ela debru\u00e7amo-nos com confian\u00e7a sobre o vasto mundo. A arte de falar torna-se, por isso, com toda a justi\u00e7a, uma arte de ser.<\/p>\n<p>Mas n\u00f3s vivemos submersos num mundo de palavras manipuladas, esvaziadas de verdadeiro sentido, desresponsabilizadas. Num mundo de palavras exaustas, exiladas de si mesmas, inflacionadas. O pr\u00f3prio uso que se faz da palavra a desmente e deforma, tornando-a contradit\u00f3ria, amb\u00edgua e, por fim, irrelevante. As nossas sociedades precisam urgentemente de reencontrar uma \u00e9tica para a palavra. N\u00e3o podemos aceitar que o pacto da palavra com a verdade e com o sentido seja quebrado, sem nenhum tipo de consequ\u00eancias. Na mis\u00e9ria da palavra o que est\u00e1 em jogo \u00e9 um empobrecimento da experi\u00eancia humana.<\/p>\n<p>O \u201chomo comunicans\u201d que somos, inscritos nesta cultura de hipercomunica\u00e7\u00e3o, v\u00ea tamb\u00e9m a sua interioridade amea\u00e7ada. A realidade, a do mundo e a nossa, vai sendo reduzida a uma falsa no\u00e7\u00e3o de transpar\u00eancia, onde tudo \u00e9 dito e mostrado, frequentemente em tempo real. Quando nos ensurdecem tantas vozes e fantasmas, perdemos a capacidade de ouvir a voz interior e de sermos n\u00f3s pr\u00f3prios. A nossa interioridade \u00e9 colonizada e tornamo-nos cada vez mais dependentes dos flashes de ideias, imagens e ru\u00eddos que se sucedem em nosso redor. Precisamos de contrariar este movimento de demiss\u00e3o, reencontrando uma arte de pensar; recuperando uma aten\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao que nos \u00e9 servido a toda a hora; construindo espa\u00e7os de distanciamento favor\u00e1veis ao sil\u00eancio e \u00e0 reflex\u00e3o; investindo numa escuta que n\u00e3o aceita ficar comodamente \u00e0 superf\u00edcie, mas assume, como tarefa, a interroga\u00e7\u00e3o humilde pela verdade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A comunica\u00e7\u00e3o massificada e omnipresente, como a que atravessa grande parte dos nossos quotidianos, sacrifica duas v\u00edtimas em que nem sempre pensamos: a palavra e a interioridade. A palavra \u00e9 t\u00e3o vital \u00e0 express\u00e3o de n\u00f3s pr\u00f3prios, \u00e9 t\u00e3o indispens\u00e1vel \u00e0 rela\u00e7\u00e3o, que a sua aprendizagem se prolonga, na nossa forma\u00e7\u00e3o, por longos anos. Ela [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-20741","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20741"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20741\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}