{"id":20747,"date":"2012-09-19T17:07:00","date_gmt":"2012-09-19T17:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20747"},"modified":"2012-09-19T17:07:00","modified_gmt":"2012-09-19T17:07:00","slug":"havia-erva-no-local","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/havia-erva-no-local\/","title":{"rendered":"Havia erva no local"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 121 <!--more--> Impressiona esse pormenor de coment\u00e1rio de S. Jo\u00e3o, quando ele fala da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e peixes, Jo\u00e3o 6,1-15. Quando lemos a B\u00edblia, n\u00e3o reparamos que h\u00e1 pequeninas express\u00f5es que parecem n\u00e3o ter import\u00e2ncia alguma. Ouvi algu\u00e9m pregar um dia: as frases in\u00fateis do Evangelho. Express\u00f5es ou afirma\u00e7\u00f5es t\u00e3o insignificantes que bem as poder\u00edamos dispensar pois nada parecem fazer ali no texto que estamos a meditar. Por vezes at\u00e9 parecem n\u00e3o ter sentido.<\/p>\n<p>Mas aprendi que, como na vida, essas express\u00f5es, insignificantes pela sua inoportunidade aparente ou simplicidade, podem guardar em si a \u201cchave\u201d da interpreta\u00e7\u00e3o do texto segundo o que Deus nos pode dizer.<\/p>\n<p>S. Jo\u00e3o usa muito isso no seu Evangelho, quando, por exemplo, numa passagem falando de dois disc\u00edpulos de Jesus, diz o nome s\u00f3 de um deles, quando o Senhor os chamou aos dois\u2026 Mas comenta: Eram 4 horas da tarde\u2026 A\u00ed entendemos que algu\u00e9m que tenha guardado a hora em que sua vida mudou para sempre, s\u00f3 podia ser o disc\u00edpulo an\u00f3nimo. E n\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil de entender que \u00e9 o pr\u00f3prio Jo\u00e3o, aquele que escreve. Percebemos que, na vida, Deus est\u00e1 escondido nas coisas mais simples e n\u00e3o s\u00f3 no complexo, e que algo ou um algu\u00e9m que parecem n\u00e3o significar nada podem abrir portas incr\u00edveis para a nossa vida mudar!<\/p>\n<p>Na narra\u00e7\u00e3o da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e dos peixes, Jo\u00e3o diz uma dessas frases: Estava pr\u00f3xima a Pascoa dos judeus. Entendemos que nada tem a ver com o contexto. Mas n\u00e3o nos custaria ver a\u00ed uma refer\u00eancia ao mist\u00e9rio pascal, que seria ensaiado naquele acontecimento da multiplica\u00e7\u00e3o, como uma liturgia verdadeiramente eucar\u00edstica, pois a refer\u00eancia \u00e0 P\u00e1scoa faz-nos de imediato situar na inten\u00e7\u00e3o da narra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando jesus manda sentar cinco mil homens, numero provavelmente exagerado, sabemos que paisagem era aquela, a da regi\u00e3o, e que aquela gente n\u00e3o escolhia relvado para fazer piqueniques. A refer\u00eancia \u00e0 erva do local faz-nos lembrar aquela afirma\u00e7\u00e3o do Jesus que tinha pena da multid\u00e3o por parecerem ovelhas sem pastor. E aquela do Salmo 23, que nos diz que, como um bom pastor, Deus leva-nos aos prados verdejantes\u2026 <\/p>\n<p>Havia muita erva no local, n\u00e3o para comer, nem para se sentarem, mas para se sentirem, finalmente, ovelhas com Pastor, que nos leva a descansar um pouco e nos conduz para o alimento e para o abrigo\u2026 \u00c9 nisso, entre outras coisas, que a leitura da B\u00edblia se faz apaixonante. Pode n\u00e3o ser assunto de alta exegese, mas, na linha de Santo Agostinho, a interpreta\u00e7\u00e3o espiritual da Sagrada Escritura d\u00e1-nos for\u00e7as, no s\u00e9culo XXI, para n\u00e3o nos sentirmos abandonados pelo nosso Deus, pois \u201csempre haver\u00e1 muita erva no local onde estivermos\u201d. O Senhor nos guiar\u00e1, nada nos faltar\u00e1\u2026<\/p>\n<p>O milagre da multiplica\u00e7\u00e3o remete para o milagre da Eucaristia di\u00e1ria, tamb\u00e9m para o p\u00e3o nosso que pedimos para a nossa mesa, e que, como o vinho de Can\u00e1, bem pode significar tudo o que precisamos para ser felizes, ou, melhor dito, tudo o que nos fa\u00e7a falta para sermos fi\u00e9is.<\/p>\n<p>Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 121<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-20747","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20747","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20747"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20747\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20747"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20747"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20747"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}