{"id":20782,"date":"2012-09-06T10:16:00","date_gmt":"2012-09-06T10:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20782"},"modified":"2012-09-06T10:16:00","modified_gmt":"2012-09-06T10:16:00","slug":"carlo-maria-martini-1927-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/carlo-maria-martini-1927-2012\/","title":{"rendered":"Carlo Maria Martini (1927-2012)"},"content":{"rendered":"<p>Arcebispo em\u00e9rito de Mil\u00e3o foi um homem \u201catento a todas as situa\u00e7\u00f5es\u201d, em particular \u201cas mais dif\u00edceis\u201d, disse o Papa. <\/p>\n<p>Faleceu no dia 31 de agosto o cardeal Carlo Maria Martini, de 85 anos, ap\u00f3s um agravamento do seu estado de sa\u00fade. Na mensagem enviada para o funeral, que juntou mais de cem mil pessoas na segunda-feira passada, Bento XVI recordou o arcebispo em\u00e9rito de Mil\u00e3o como um homem \u201catento a todas as situa\u00e7\u00f5es\u201d, em particular \u201cas mais dif\u00edceis\u201d e destacou o \u201cesp\u00edrito de caridade pastoral profunda\u201d do cardeal jesu\u00edta, que se fez \u201cpr\u00f3ximo, com amor, de quem se encontrava no des\u00e2nimo, na pobreza e no sofrimento\u201d. \u201cUm homem de Deus, que n\u00e3o somente estudou a Sagrada Escritura, mas a amou intensamente, fez dela luz para a sua vida, a fim de que tudo fosse para a maior gl\u00f3ria de Deus\u201d. \u201cFoi capaz de ensinar aos fi\u00e9is e \u00e0queles que est\u00e3o \u00e0 procura da verdade que a \u00fanica Palavra digna de ser ouvida, acolhida e seguida \u00e9 a de Deus, porque indica a todos o caminho da verdade e do amor\u201d, prossegue a mensagem de Bento XVI.<\/p>\n<p>D. Carlo Maria Martini, jesu\u00edta, nascido em Turim (norte de It\u00e1lia), no dia 15 de fevereiro de 1927, foi arcebispo de Mil\u00e3o, a maior diocese da Europa, entre 1980 e 2002, tendo depois passado alguns anos em Jerusal\u00e9m antes de regressar \u00e0 It\u00e1lia, em 2008, devido \u00e0 progress\u00e3o da doen\u00e7a de Parkinson.<\/p>\n<p>Foi reitor da Universidade Pontif\u00edcia Gregoriana, em Roma, ap\u00f3s ter dirigido o Instituto Pontif\u00edcio B\u00edblico, tendo sido o \u00fanico cat\u00f3lico a integrar o comit\u00e9 ecum\u00e9nico internacional que preparou a nova edi\u00e7\u00e3o grega do Novo Testamento, como destaca a biografia oficial disponibilizada pelo Vaticano. Foi eleito por Jo\u00e3o Paulo II para liderar a Arquidiocese de Mil\u00e3o, a 29 de dezembro de 1979, e ordenado bispo a 6 de janeiro do ano seguinte, no Vaticano; o mesmo Papa polaco criou-o cardeal em fevereiro de 1983.<\/p>\n<p>Entre as iniciativas que levou a cabo nesta diocese destacaram-se a \u2018Escola da Palavra\u2019, para aproximar os leigos da B\u00edblia, e a \u2018C\u00e1tedra dos n\u00e3o crentes\u2019, uma s\u00e9rie de encontros para pessoas \u201cem busca da verdade\u201d. Entre 1987 e 1993 foi presidente do Conselho das Confer\u00eancias Episcopais Europeias (CCEE). O cardeal italiano recebeu o pr\u00e9mio Pr\u00edncipe das Ast\u00farias em Ci\u00eancias Sociais em 2000.<\/p>\n<p>D. Carlo Maria Martini foi autor de v\u00e1rios livros sobre temas b\u00edblicos e de espiritualidade, geralmente resultantes das suas prele\u00e7\u00f5es, para al\u00e9m da obra \u2018Em Que Cr\u00ea Quem N\u00e3o Cr\u00ea?\u2019 (em portugu\u00eas na Gr\u00e1fica de Coimbra), uma troca de cartas com o autor e intelectual italiano Umberto Eco. A \u00faltima obra assinada pelo cardeal, \u2018Il Vescovo\u2019 (\u201cO Bispo\u201d), deixa como conselho aos respons\u00e1veis pelas dioceses que apostem \u201cna forma\u00e7\u00e3o interior, no gosto e no fasc\u00ednio pela Sagrada Escritura\u201d, apresentando as \u201cmotiva\u00e7\u00f5es positivas\u201d do \u201cagir segundo o Evangelho\u201d.<\/p>\n<p>J.P.F. \/ Ecclesia <\/p>\n<p>testemunho<\/p>\n<p>O crist\u00e3o convicto <\/p>\n<p>e o bispo pastor<\/p>\n<p>Morreu uma das maiores figuras do episcopado cat\u00f3lico da atualidade, o Cardeal Carlo Martini, arcebispo em\u00e9rito de Mil\u00e3o. Conheci-o no S\u00ednodo  dos Bispos sobre a Fam\u00edlia, em 1980. Era, ent\u00e3o, bispo h\u00e1 poucos meses. Voltamos a encontrar-nos nos s\u00ednodos da Europa e vivi, de muito perto, a sua amizade, durante os cinco anos em que representei os bispos portugueses no Conselho das Confer\u00eancias Episcopais da Europa, a que ele presidia por elei\u00e7\u00e3o livre. Impressionava pela sua simplicidade, cultura, clarivid\u00eancia, coragem. Vivia o Vaticano II a s\u00e9rio e nele se inspirava nas suas interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e nos seus escritos, sempre apreciados pelo indiscut\u00edvel valor e clarivid\u00eancia.<\/p>\n<p>Muito amado do seu povo,  n\u00e3o o era dos  c\u00edrculos eclesi\u00e1sticos romanos, como eu mesmo pude verificar. A sua coragem, serena e l\u00facida, bulia com a gente votada ao carreirismo eclesi\u00e1stico ou que optava por uma Igreja que n\u00e3o fizesse ondas. Temia-se nestes c\u00edrculos que ele fosse o sucessor de Jo\u00e3o Paulo II, que por ele tinha grande admira\u00e7\u00e3o e estima, tendo-lhe confiado tarefas dif\u00edceis, como servir de intermedi\u00e1rio de reconcilia\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica  com o Patriarca ortodoxo Alexis, de Moscovo, que sempre se negara a receber o Papa.<\/p>\n<p>Biblista insigne, multiplicou as suas iniciativas pastorais para que o povo de Mil\u00e3o ganhasse amor \u00e0 Palavra de Deus. Quis, depois de em\u00e9rito, passar os \u00faltimos anos da sua vida em Jerusal\u00e9m, para rezar, como dizia, e continuar a estudar.  A sa\u00fade prec\u00e1ria, passado tempo, obrigou-o a regressar \u00e0 It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Era um bispo avan\u00e7ado, mas n\u00e3o demagogo. Nunca  procurava o seu prest\u00edgio, mas apenas que a verdade do Evangelho conduzisse a Igreja. Intervinha sempre, em s\u00ednodos e simp\u00f3sios, com uma lucidez e coragem invulgar, sem outra raz\u00e3o que dar um contributo livre de reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Fundou a chamada \u201cC\u00e1tedra dos n\u00e3o crentes\u201d, encontros c\u00edclicos com gente a que  Igreja n\u00e3o chegava nunca, e foram famosos os seus di\u00e1logos com Umberto Eco.<\/p>\n<p>Posso dizer, com muita simplicidade, que foi das pessoas da Igreja das que mais me marcaram  e com quem mais aprendi. Muito poderia recordar e contar. Deixei j\u00e1 esse  testemunho de gratid\u00e3o no meu livro \u201cPeda\u00e7os de vida que geram vida\u201d. Assim expressava  o muito que lhe devo. \u00c9 grande a sua obra publicada, de ordem b\u00edblica, espiritual, pastoral. Com o testemunho da sua vida, resta-nos ainda  este rico legado. Sempre o recordarei como um crist\u00e3o convicto, um bispo pastor, de grande amor e fidelidade  \u00e0 Igreja, como um amigo. <\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Marcelino, <\/p>\n<p>bispo em\u00e9rito de Aveiro <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arcebispo em\u00e9rito de Mil\u00e3o foi um homem \u201catento a todas as situa\u00e7\u00f5es\u201d, em particular \u201cas mais dif\u00edceis\u201d, disse o Papa. Faleceu no dia 31 de agosto o cardeal Carlo Maria Martini, de 85 anos, ap\u00f3s um agravamento do seu estado de sa\u00fade. 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