{"id":20815,"date":"2012-10-03T17:15:00","date_gmt":"2012-10-03T17:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20815"},"modified":"2012-10-03T17:15:00","modified_gmt":"2012-10-03T17:15:00","slug":"do-canto-gregoriano-a-escola-portuguesa-de-orgao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/do-canto-gregoriano-a-escola-portuguesa-de-orgao\/","title":{"rendered":"Do canto gregoriano \u00e0 escola portuguesa de \u00f3rg\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>No 20.\u00ba Anivers\u00e1rio da morte de J\u00falia D&#8217;Almendra (1904-92) <!--more--> DOMINGOS PEIXOTO<\/p>\n<p>Organista e professor, jubilado<\/p>\n<p>3. O n\u00edvel dos m\u00fasicos <\/p>\n<p>da Igreja. A palavra inc\u00f3moda de J\u00falia d\u2019Almendra<\/p>\n<p>O desleixo na forma\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos para a liturgia e a resist\u00eancia \u00e0 sua profissionaliza\u00e7\u00e3o constituem um problema de ontem e de hoje. Ou\u00e7amos a palavra \u201cinc\u00f3moda\u201d de J\u00falia d\u2019Almendra em 1963, j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o quase 50 anos: \u201cO reconhecimento do m\u00fasico da Igreja \u00e9 condi\u00e7\u00e3o essencial para o levantamento do nosso n\u00edvel musical sacro\u201d (Ib. n\u00ba 26, p.6). E aponta o dedo \u00e0 transig\u00eancia das igrejas, \u201cque musicalmente admitem o amadorismo, contentando-se eventualmente com os conhecimentos de ouvido dos curiosos musicais da par\u00f3quia\u201d. A solu\u00e7\u00e3o seria simples: bastava, em primeiro lugar, \u201cque as nossas igrejas passassem a exigir aos seus colaboradores musicais a apresenta\u00e7\u00e3o de certificados dos seus cursos, quer de m\u00fasica sacra, quer de \u00f3rg\u00e3o\u201d e, em segundo lugar, \u201cque o artista que se consagrasse profissionalmente ao servi\u00e7o musical da Igreja &#8211; o que n\u00e3o exclui o esp\u00edrito do apostolado &#8211; pudesse contar com as garantias consignadas pelo Sindicato dos M\u00fasicos a todos os artistas musicais\u201d (Ib., p.9). Mais tarde, conclui num tom de justa indigna\u00e7\u00e3o: \u201cA Igreja precisa, mais do que nunca, de chefes de coro competentes, de professores conscientes das suas responsabilidades, de cantores devidamente preparados, de fi\u00e9is capazes de cantar, de organistas que saibam o que \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o e conhe\u00e7am o seu magn\u00edfico repert\u00f3rio. Indispens\u00e1vel se torna, pois, conservar, defender e favorecer a produ\u00e7\u00e3o e audi\u00e7\u00e3o de m\u00fasica sacra digna desse nome e da Igreja. H\u00e1 que reagir para vencer a onda de mediocridade que envergonha a cultura musical do nosso tempo, invadindo e profanando a casa de Deus\u201d (Ib. n\u00ba 67, p.24).<\/p>\n<p>4. Uma forma\u00e7\u00e3o superior<\/p>\n<p>para o organista <\/p>\n<p>O projeto de J\u00falia d\u2019Almendra para a m\u00fasica sacra tem, como ponto de partida, em primeiro lugar, o papel do canto gregoriano na m\u00fasica ocidental e a sua import\u00e2ncia como fonte de inspira\u00e7\u00e3o da polifonia e da m\u00fasica de \u00f3rg\u00e3o (tema exposto em diversos artigos da revista Canto Gregoriano) e, em segundo lugar, uma vis\u00e3o clara sobre o ensino de \u00f3rg\u00e3o e o papel do organista na liturgia e na cultura musical, na Igreja e na sociedade. Assim, nos objetivos da nova escola a forma\u00e7\u00e3o do organista tem um lugar especial: um curso mais aprofundado e abrangente, com diversas cadeiras complementares (harmonia, acompanhamento, improvisa\u00e7\u00e3o&#8230;), que seria o \u00fanico de n\u00edvel superior em Portugal, antes e depois da sua integra\u00e7\u00e3o na Escola Superior de M\u00fasica de Lisboa (1985), at\u00e9 \u00e0 abertura da \u00e1rea vocacional \u00f3rg\u00e3o, no curso de licenciatura em ensino de m\u00fasica da Universidade de Aveiro (1994). <\/p>\n<p>J\u00falia d\u2019Almendra estudou \u00f3rg\u00e3o durante a sua forma\u00e7\u00e3o em Paris e teve contacto com a melhor tradi\u00e7\u00e3o organ\u00edstica francesa. Estava, pois, bem consciente da import\u00e2ncia deste instrumento na m\u00fasica sacra e do lugar central que o organista ocupa entre os m\u00fasicos na liturgia. Da\u00ed, a aposta num curso superior, sempre regido por professores estrangeiros de elevado n\u00edvel, \u00e0 cabe\u00e7a dos quais esteve Jean Guillou, ent\u00e3o em in\u00edcio de carreira e atualmente uma figura cimeira do panorama organ\u00edstico mundial. Mas outros prestigiados docentes regeram esta classe de \u00f3rg\u00e3o &#8211; Claude Terrasse, Genevi\u00e8ve de La Salle, Germaine Chagnol e Pierre Gazin \u2013 at\u00e9 que assumiu essas fun\u00e7\u00f5es, em janeiro de 1961, o nosso querido mestre, professor Antoine Sibertin-Blanc, o mais portugu\u00eas entre os organistas portugueses, que ao longo de quatro d\u00e9cadas de incans\u00e1vel labor art\u00edstico e inexced\u00edvel dedica\u00e7\u00e3o, formou a larga maioria dos nossos profissionais. Refira-se ainda o grande pedagogo Edouard Souberbielle, professor de quase todos os citados docentes na Escola C\u00e9sar Franck ou no Instituto Gregoriano (Paris), que sempre apoiou J\u00falia d\u2019Almendra, tanto no Centro de Estudos Gregorianos, como nas Semanas Gregorianas de F\u00e1tima. Outros artistas not\u00e1veis deram concertos em Portugal neste contexto, com destaque para o bem conhecido compositor cego Gaston Litaize (Bas\u00edlica de F\u00e1tima, em 1953). De resto, a prova irrefut\u00e1vel da import\u00e2ncia dada por J\u00falia d\u2019Almendra \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de organistas reside no facto de ter instalado em sua casa, em 1960, um \u00f3rg\u00e3o de tubos com 10 registos, 2 teclados e pedaleira.<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima semana: A d\u00e9cada de ouro da vida organ\u00edstica em Portugal. A constru\u00e7\u00e3o da escola portuguesa de \u00f3rg\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No 20.\u00ba Anivers\u00e1rio da morte de J\u00falia D&#8217;Almendra (1904-92)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-20815","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20815","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20815"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20815\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20815"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20815"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20815"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}