{"id":20828,"date":"2012-09-06T10:42:00","date_gmt":"2012-09-06T10:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20828"},"modified":"2012-09-06T10:42:00","modified_gmt":"2012-09-06T10:42:00","slug":"polonia-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/polonia-7\/","title":{"rendered":"Pol\u00f3nia"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 119 <!--more--> Este nome de um pa\u00eds muito conhecido, que tamb\u00e9m \u00e9 nome de mulher, significa: \u201cterra onde Deus habita\u201d. Sem d\u00favida que o nome est\u00e1 bem atribu\u00eddo, pois quando podemos estar na Pol\u00f3nia, sem sermos turistas de grupo mas residentes na casa de algu\u00e9m, no meio das pessoas e no seu dia a dia, vemos que Deus habita na Pol\u00f3nia. Claro que Ele est\u00e1 em todo o mundo e isto \u00e9 um modo de express\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu tenho l\u00e1 a \u00fanica pessoa do mundo, depois da minha fam\u00edlia direta, que posso dizer ser meu amigo como alma g\u00e9mea. \u00c9 uma sorte, pois a B\u00edblia diz que quem encontra um amigo encontra um tesouro. E eu encontrei. \u00c9 s\u00f3 esse de verdade, mas, para mim e para ele, basta. Com ele tenho aprofundado os mist\u00e9rios da vida e da f\u00e9 e tenho a possibilidade de viver na Pol\u00f3nia, sempre que posso, como em minha casa.<\/p>\n<p>Povo lindo, como todos os povos. Com particularidades, como todos os povos. Com uma hist\u00f3ria singular, como todos os povos. Mas n\u00e3o conhe\u00e7o povo mais parecido com o b\u00edblico do que este nobre povo polaco. Ali se sente Deus a falar atrav\u00e9s das pedras. N\u00e3o que todos creiam ou sejam f\u00e9is. S\u00e3o como todos os povos\u2026 Mas t\u00eam uma caracter\u00edstica b\u00edblica saliente e talvez \u00fanica no mundo: Sabem guardar a mem\u00f3ria. A dos seus antepassados. A da sua hist\u00f3ria imensamente atribulada e cheia de massacres e m\u00e1rtires. A sua voca\u00e7\u00e3o judia \u00e9 salient\u00edssima at\u00e9 hoje \u2013 basta lembrar como o polaco beato Jo\u00e3o Paulo II falava dos seus amigos judeus de Wadowice. O modo como continuamente renascem das cinzas. Como lutam pelos seus ideais de povo e de na\u00e7\u00e3o. Como lutam pelo seu territ\u00f3rio, continuamente cobi\u00e7ado por povos de todos os lados da geografia. Como o seu territ\u00f3rio, rico de tudo, desde a agricultura at\u00e9 os minerais, \u00e9 defendido com o derramamento de sangue. O orgulho que t\u00eam em se apresentar no mundo como polacos, os habitados por Deus\u2026 sem vergonha da sua cultura, l\u00edngua, hist\u00f3ria e erros.<\/p>\n<p>Povo que se reconstr\u00f3i a partir das suas derrotas e que ostenta a sua bandeira branca e vermelha que um dia apareceu em forma de dois raios no Cora\u00e7\u00e3o de Jesus quando falava com Faustina Kowalska, em clara alus\u00e3o ao sangue e \u00e1gua que brotavam do Cora\u00e7\u00e3o amorosamente trespassado do Salvador, ou do peito de Maria, em forma tamb\u00e9m de \u00c1guia, quando  a na\u00e7\u00e3o desapareceu do mapa sob o dom\u00ednio napole\u00f3nico e Maria interveio para lhes dar a nacionalidade nas pouco conhecidas apari\u00e7\u00f5es de Lichen.<\/p>\n<p>Mas o que me impressiona nesta terra do meu grande e \u00fanico amigo verdadeiro \u00e9 quando pelas cidades e aldeias eu descubro uma placa aqui e outra ali ou as centenas que decoram Vars\u00f3via e Crac\u00f3via. Cada uma lembra que aqui caiu aquela pessoa ou aquele grupo, v\u00edtima do nazismo ou do comunismo ou de outros momentos da hist\u00f3ria, por terem simplesmente existido como judeus ou lutado pelos ideais da sua na\u00e7\u00e3o, pol\u00edticos ou religiosos. Por vezes \u00e9 s\u00f3 uma pessoa\u2026 mas est\u00e1 ali recordada, pois a mem\u00f3ria n\u00e3o permite que o indiv\u00edduo se confunda com as massas e o seu sacrif\u00edcio tenha sido em v\u00e3o. Fa\u00e7o quest\u00e3o de ler cada uma. Pedir explica\u00e7\u00f5es. Rez\u00e1-las. Comover-me com aquela vida ceifada ali, naquele s\u00edtio onde os seus olhos se fecharam para este mundo. J\u00e1 me ajoelhei a beijar o ch\u00e3o quando a mem\u00f3ria d\u00f3i mais\u2026 Quanto vale uma \u00fanica vida!<\/p>\n<p>Auschuwitz \u00e9 o campo alem\u00e3o em terra polaca que mais nos faz chorar a mem\u00f3ria. E na mais pequena aldeia, ali est\u00e1 a mem\u00f3ria, sempre iluminada pelo rosto rasgado pela espada dos T\u00e1rtaros, dessa Virgem Negra dos Montes Claros que se chama Czestochowa, e hoje, tamb\u00e9m, por centenas de milhares de lembran\u00e7as em placas e monumentos, alguns grandiosos, do seu Papa que marcou a hist\u00f3ria do mundo de modo singular e a minha hist\u00f3ria e a de muitos de n\u00f3s, pois o ouvimos, o contemplamos e fomos aben\u00e7oados por ele, o grande Jo\u00e3o Paulo II. <\/p>\n<p>Acredito num povo que garante sua mem\u00f3ria e que no bem e no mal a vive, com outra particularidade: a hist\u00f3ria passou, n\u00e3o a esquecemos, mas perdoamos ou desculpamos, com todo o nosso cora\u00e7\u00e3o. O meu grande amigo, o P.e Francisco Gielczowski, ensinou-me com sua vida e ensina-me o valor da mem\u00f3ria, n\u00e3o como algo que nos leve a remoer o passado por saudosismo ou revolta, mas como est\u00edmulo para um presente lindo e um futuro cheio de esperan\u00e7a, sempre marcados pelo olhar doce da M\u00e3e judia de Jesus Salvador e pelo perd\u00e3o que faz com que a \u201cmem\u00f3ria esque\u00e7a\u201d o que nos impede de andar para a frente. Por isso, a Pol\u00f3nia \u00e9 e sempre ser\u00e1 a terra onde Deus habita!<\/p>\n<p>Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 119<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-20828","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20828","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20828"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20828\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20828"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20828"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20828"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}