{"id":20853,"date":"2012-10-03T17:11:00","date_gmt":"2012-10-03T17:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20853"},"modified":"2012-10-03T17:11:00","modified_gmt":"2012-10-03T17:11:00","slug":"deus-nao-e-um-notario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/deus-nao-e-um-notario\/","title":{"rendered":"Deus n\u00e3o \u00e9 um not\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Muitas passagens da B\u00edblia s\u00e3o bel\u00edssimos relatos de profundas experi\u00eancias religiosas, que guardamos n\u00e3o s\u00f3 como parte da nossa hist\u00f3ria e recorda\u00e7\u00e3o carinhosa, mas tamb\u00e9m e sobretudo como \u00abgui\u00f5es\u00bb de um caminho espiritual. Fazem parte da nossa heran\u00e7a. Mas atermo-nos s\u00f3 \u00e0 heran\u00e7a gera dogmatismo e recuo na vida; atermo-nos s\u00f3 \u00e0 criatividade gera o caos e a libertinagem.<\/p>\n<p>O presente texto do G\u00e9nesis \u00e9 um relato sobre a origem da condi\u00e7\u00e3o humana, num estilo popular, po\u00e9tico, cheio de imagina\u00e7\u00e3o e de sentido religioso. Segundo v\u00e1rios especialistas, o autor deste estilo t\u00e3o vivo pretende satisfazer as interroga\u00e7\u00f5es comuns sobre a origem do casal humano, do sofrimento, do pecado e da atrac\u00e7\u00e3o sexual; tem tamb\u00e9m que justificar o lugar inferior que a mulher ocupava (e ainda ocupa) relativamente ao homem. <\/p>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o hebraica, era muito f\u00e1cil a um homem divorciar-se, num processo claramente aviltante da mulher. Por isso, Jesus Cristo chama a aten\u00e7\u00e3o para o desajuste hist\u00f3rico entre o plano de Deus e as leis humanas: a uni\u00e3o do homem e da mulher exprime a plenitude humana querida por Deus. E a exclama\u00e7\u00e3o jubilosa de Ad\u00e3o ao ver Eva \u2013 \u00abdesta vez \u00e9 osso dos meus ossos e carne da minha carne\u00bb \u2013 j\u00e1 traduz a maravilha do impulso er\u00f3tico que faz \u00abdos dois um s\u00f3\u00bb.  <\/p>\n<p>Por\u00e9m, o desejo escondido no ser humano da perfeita harmonia e felicidade n\u00e3o deixa de apresentar tamb\u00e9m \u201cfalhan\u00e7os\u201d nessa busca, como acontece em v\u00e1rios tipos de div\u00f3rcio (que n\u00e3o se aplica apenas ao casamento). <\/p>\n<p>O indiscut\u00edvel fundamento do cristianismo conjuga-se com a grande mensagem das \u00abgrandes religi\u00f5es\u00bb: Amar\u00e1s a Deus sem hipocrisia e da mesma maneira amar\u00e1s quem se cruza contigo nos caminhos da vida.<\/p>\n<p>\u00c9 s\u00f3 pelo amor que podemos dizer que Deus est\u00e1 connosco e nos une. Deus \u00e9 o Amor e n\u00e3o um not\u00e1rio&#8230; Para Ele, como referem muitas passagens do Antigo e Novo Testamento, n\u00e3o conta o que est\u00e1 escrito no papel, mas o que est\u00e1 escrito nos nossos cora\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Por n\u00e3o terem coragem para ser mais do que \u201cnot\u00e1rios\u201d, os chefes religiosos crucificaram Jesus \u2013 como continuam a maltratar muitos verdadeiros profetas. <\/p>\n<p>Jesus n\u00e3o comp\u00f4s um c\u00f3digo escrito. Esmerou-se, sim, em fazer-nos sentir a \u201cess\u00eancia afectiva\u201d de Deus, com quem nos podemos encontrar sem marcar audi\u00eancia, e com quem podemos caminhar sempre em bra\u00e7o-dado, numa aventura e conhecimento sem fim; e que dar o bra\u00e7o a Deus \u00e9 saber dar o bra\u00e7o e querer o bem a quem encontramos no caminho.<\/p>\n<p>Na evolu\u00e7\u00e3o desta caminhada, foram surgindo \u201cregras de marcha\u201d \u2013 mas s\u00f3 para facilitar o andar. Um velho truque de l\u00edderes pol\u00edticos e religiosos \u00e9 apresentarem as suas \u201cregras\u201d como \u00abpalavra de Deus\u00bb, assegurando assim mais completa submiss\u00e3o. Esquecem que a \u00abpalavra de Deus\u00bb \u00e9 uma cont\u00ednua novidade\u2026 <\/p>\n<p>N\u00e3o nos podemos apegar a f\u00f3rmulas m\u00e1gicas, como se fossem receitas divinas que nos livram de todos os perigos. Essas f\u00f3rmulas reflectem a experi\u00eancia humana, mas n\u00e3o passam de cl\u00e1usulas escritas, sujeitas \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. Expressas ou n\u00e3o nos livros do Novo Testamento e ao longo da hist\u00f3ria do cristianismo, n\u00e3o passam do hist\u00f3rico exemplo do esfor\u00e7o por aplicar o \u00fanico \u00abmandamento sem reservas\u00bb de Jesus Cristo \u2013 amar os outros com sinceridade. <\/p>\n<p>Uma comunidade verdadeiramente crist\u00e3 promove a partilha de uma vis\u00e3o honesta e realista do que \u00e9, porque \u00e9 e para que \u00e9 uma \u00abvida a dois\u00bb. Qualquer que seja o cen\u00e1rio que se haja bem construir, pertence \u00e0 perspectiva religiosa trazer um contributo de alegria e de paz \u2013 e nunca de exclus\u00e3o e amea\u00e7a, pois o amor n\u00e3o condena e tem esperan\u00e7a na bondade humana (1 Cor\u00edntios 13,7). Com efeito, um dos grandes crit\u00e9rios para reconhecer a influ\u00eancia do esp\u00edrito de Deus (na espiritualidade b\u00edblica e crist\u00e3) \u00e9 sentir-se feliz, plenamente realizado, nas v\u00e1rias maneiras de dar o bra\u00e7o a Deus.<\/p>\n<p>O projecto do reino de Deus \u00e9 um dom que apenas d\u00e1 fruto em quem est\u00e1 ansioso de o receber \u2013 com aquele \u00abesp\u00edrito infantil\u00bb que se fascina perante os mundos novos mesmo a seu lado. E h\u00e1 sempre um mundo particularmente eleito para se partir em explora\u00e7\u00e3o\u2026\t<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-20853","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20853","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20853"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20853\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20853"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20853"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20853"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}