{"id":20867,"date":"2012-09-12T15:55:00","date_gmt":"2012-09-12T15:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20867"},"modified":"2012-09-12T15:55:00","modified_gmt":"2012-09-12T15:55:00","slug":"a-5-a-dimensao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-5-a-dimensao\/","title":{"rendered":"A \u00ab5.\u00aa dimens\u00e3o\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> H\u00e1 pessoas que n\u00e3o andam neste mundo. Nem sequer se preocupam com as injusti\u00e7as comuns \u2013 aldrabices na constru\u00e7\u00e3o, compadrios nas autarquias e minist\u00e9rios, subornos, \u00abimunidade\u00bb dos poderosos que atropelam as leis elementares, desinteresse pelas pessoas da parte de servi\u00e7os pretensamente p\u00fablicos\u2026 e um sem fim de atentados di\u00e1rios mais assassinos que os de 11 de Setembro.<\/p>\n<p>Outras julgam ouvir Deus perfeitamente, s\u00f3 porque se preocupam com um ritual m\u00e1gico de limpeza dos ouvidos.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 pessoas \u00abde outro mundo\u00bb que n\u00e3o desarmam de modo algum. E que gritam bem alto que ser bom \u00e9 agir bem (2.\u00aa leitura) \u2013 t\u00e3o alto que h\u00e1 sempre uns \u00abdesgra\u00e7adinhos\u00bb (na opini\u00e3o dos \u00abbem instalados\u00bb por meio de jogadas desonestas) que se deixam convencer e chegam a morrer por excesso de honestidade. <\/p>\n<p>Quem s\u00e3o estes que parecem descarrilar da dimens\u00e3o em que vivemos? <\/p>\n<p>Muitas religi\u00f5es t\u00eam \u00abprofetas\u00bb infractores dos nossos c\u00f3digos de felicidade. E n\u00e3o interessa julgar qual deles ser\u00e1 \u00abo maior\u00bb no \u00abreino de Deus\u00bb (Marcos 9,34; Mateus 20,20-23). A atitude mais s\u00e1bia \u00e9 descobrir as riquezas do terreno que melhor conhecemos e reflectir sempre mais \u2013 e o bom fruto ser\u00e1 aumentar o apre\u00e7o e caminhar de bra\u00e7o dado com todos os que querem \u00abtrabalhar com Deus\u00bb, embora pare\u00e7am por vezes seguir \u00aboutro Deus\u00bb.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m Isa\u00edas foi um profeta desajustado. Queixa-se de que os contempor\u00e2neos lhe fazem as piores patifarias, mas n\u00e3o deixa de acreditar na fidelidade de Deus \u2013 o \u00fanico verdadeiro defensor da vida. E por isso \u00e9 capaz de resistir ao sofrimento causado pela dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 felicidade de toda a gente. <\/p>\n<p>Jesus foi ainda mais al\u00e9m: evitou a publicidade, para dificultar jogadas de vaidade ou interesse; preferiu ver-se abandonado pelos amigos e deixou-se matar. Mas quando os amigos limparam os ouvidos de modo a escutar a mensagem de Deus, n\u00e3o lhe quiseram ficar atr\u00e1s em generosidade: procuraram fazer os outros felizes \u00e0 custa da pr\u00f3pria vida. <\/p>\n<p>A acreditar em S. Marcos, Jesus ter\u00e1 dito: \u00abQuem me quiser seguir, negue-se a si mesmo\u00bb \u2013 diga \u00abn\u00e3o\u00bb a \u00abSatan\u00e1s\u00bb (\u00abtentador\u00bb), \u00e0 inclina\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica, \u00aba-racional\u00bb (isto \u00e9, sem implicar o nosso poder de pensar), que nos leva a fazer o que \u00e9 de imediato mais agrad\u00e1vel. <\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 verdade que \u00abas pessoas de sucesso\u00bb, as pessoas que se \u00abpreocupam por ganhar o mundo\u00bb (evangelho) tamb\u00e9m s\u00e3o not\u00e1vel exemplo desde poder de dizer \u00abn\u00e3o\u00bb ao prazer imediato? E n\u00e3o \u00e9 de admirar a \u00abestrat\u00e9gia pol\u00edtica\u00bb de S. Pedro, \u00abtomando Jesus \u00e0 parte\u00bb para mais insidiosamente o fazer mudar de ideias? Deixemo-nos de beatices: Pedro \u00e9 que tinha raz\u00e3o quanto ao valor mais caro a um ser humano: defender a pr\u00f3pria vida e viver o melhor poss\u00edvel (o \u00abreino de Deus\u00bb \u00e9 um estado de \u00abbem-estar\u00bb, como prova a ac\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Jesus). <\/p>\n<p>No entanto, Jesus chamou a Pedro de \u00abSatan\u00e1s\u00bb: por n\u00e3o ser capaz de se libertar da no\u00e7\u00e3o corrente de \u00abvida com sucesso\u00bb.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o evangelista joga com o termo hebraico \u00abvida\u00bb: tanto significa o nosso estado de tens\u00e3o com a morte, como significa \u00abo verdadeiro eu\u00bb. Que interessa viver arrastado por estrat\u00e9gias de sucesso quando se destr\u00f3i o prazer de viver a pr\u00f3pria vida?<\/p>\n<p>\u00abLevar a sua cruz\u00bb ganhou por vezes um sentido de fatalidade, como se f\u00f4ssemos lan\u00e7ados por Deus a um \u00abvale de l\u00e1grimas\u00bb e que nos restava apenas entrar nas igrejas para chorar (por vezes, s\u00f3 nos faz bem, sobretudo se procuramos a janela que se pode abrir quando se fechou uma porta\u2026). <\/p>\n<p>\u00abLevar a sua cruz\u00bb, por\u00e9m, tem mais o sentido da for\u00e7a empreendedora de um projecto, em que sabemos gerir as dificuldades inerentes. Ganha o sentido optimista de concentrar energia para pegar na vida \u2013 mostrando aos outros como se pode ser feliz \u00abapesar de tudo\u00bb e como \u00abo peso de tudo\u00bb, mesmo se pouco ou nada depende de n\u00f3s, pode ser aproveitado para formar os mais s\u00f3lidos alicerces do que vamos descobrindo ser a felicidade. \t <\/p>\n<p>Parece uma linguagem de loucos. Ser\u00e1 a linguagem da nossa \u00ab5\u00aa dimens\u00e3o\u00bb?  <\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-20867","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20867","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20867"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20867\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20867"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20867"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20867"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}