{"id":20928,"date":"2012-10-10T16:56:00","date_gmt":"2012-10-10T16:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20928"},"modified":"2012-10-10T16:56:00","modified_gmt":"2012-10-10T16:56:00","slug":"a-alma-e-os-transportes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-alma-e-os-transportes\/","title":{"rendered":"A alma e os transportes"},"content":{"rendered":"<p>Educa\u00e7\u00e3o e Ambiente <!--more--> H\u00e1 um prov\u00e9rbio de \u00edndios americanos que diz: \u201cN\u00e3o julgues um homem antes de andares duas luas nos seus mocassins\u201d. <\/p>\n<p>E existe tamb\u00e9m uma est\u00f3ria, acerca de um milion\u00e1rio*, pessoa muito ocupada e que tinha o sonho de fazer um safari em \u00c1frica. Uma vez que, por cada dia em que n\u00e3o trabalhava pelo menos 12 horas, as suas empresas sofriam enormes preju\u00edzos, decidiu fazer o safari em 48 horas. N\u00e3o queria perder tempo e, dado que o dinheiro n\u00e3o era um problema, arranjou rapidamente os melhores guias e carregadores. Nas suas contas, o milion\u00e1rio contava com 12 horas de viagem at\u00e9 ao destino, 24 horas dedicadas ao safari (n\u00e3o era preciso dormir) e 12 horas para voltar ao seu pa\u00eds. \u00c0 chegada, o grupo iniciou imediatamente a viagem, em jipes. Depois, prosseguiram a p\u00e9.<\/p>\n<p>Os carregadores avan\u00e7avam pela floresta a um ritmo que o irritava, por ser t\u00e3o lento. Chegou mesmo a berrar com eles, mas tal atitude n\u00e3o teve qualquer efeito. A certa altura \u2013 \u00f3 c\u00e9us! &#8211; os carregadores pararam. Pararam, sentaram-se e come\u00e7aram a jogar um jogo tradicional que os fazia rir muito. Quase a espumar de raiva, o milion\u00e1rio encarregou o tradutor de os obrigar a voltar ao trabalho. Amea\u00e7ou, ofereceu, at\u00e9 implorou, mas\u2026 nada. <\/p>\n<p>Por fim, pediu ao mesmo tradutor para lhes perguntar porque tinham parado. Quem sabe talvez assim percebesse o qu\u00ea \u2013 e quanto &#8211; queriam os carregadores. Recebeu a resposta mais estranha da sua vida: os carregadores tinham explicado, calmamente, que, por terem andado t\u00e3o depressa as suas almas tinham ficado para tr\u00e1s. E eles s\u00f3 voltariam a caminhar quando elas chegassem&#8230;<\/p>\n<p>O prov\u00e9rbio e a est\u00f3ria d\u00e3o que pensar.<\/p>\n<p>Associo-os neste momento, em particular, \u00e0s iniciativas dedicadas \u00e0 mobilidade adotadas em muitos munic\u00edpios portugueses. Mas afinal, o que \u00e9 aquilo a que se chama \u201cmobilidade sustent\u00e1vel\u201d? Que significado tem? Ser\u00e1 que significa o mesmo, para qualquer pessoa, em qualquer lugar?<\/p>\n<p>Penso que a ideia de raiz est\u00e1 subjacente ao princ\u00edpio de cada mun\u00edcipe se deslocar diariamente de uma forma simultaneamente c\u00f3moda, r\u00e1pida, econ\u00f3mica e com o menor impacto ambiental poss\u00edvel. Para ir de casa para o trabalho, por exemplo. Ou para ir comprar p\u00e3o, ao fim de semana.<\/p>\n<p>Ora, a mobilidade de que o Sr. Ant\u00f3nio precisa, para se deslocar diariamente de sua casa para a sua oficina de sapateiro (a 500 metros), \u00e9 r\u00e1pida, saud\u00e1vel e econ\u00f3mica: faz o percurso a p\u00e9.<\/p>\n<p>Mas o Sr. M\u00e1rio, que diariamente percorre dezenas de quil\u00f3metros num carro a gas\u00f3leo \u2013 porque o trabalho de comercial assim o exige \u2013 , tem uma realidade diferente.<\/p>\n<p>Por outro lado, de norte a sul, h\u00e1 milhares de passageiros que usam diariamente os comboios suburbanos no trajeto casa-emprego.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que no dia a dia podemos procurar alternativas \u00e0 forma como nos deslocamos?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que, pessoalmente, j\u00e1 procurei informa\u00e7\u00e3o e conhe\u00e7o todas as op\u00e7\u00f5es? Ou ser\u00e1 que j\u00e1 ando h\u00e1 algum tempo a pensar partilhar boleia com aquele colega do trabalho mas ainda n\u00e3o fal\u00e1mos sobre o assunto?<\/p>\n<p>*Est\u00f3ria aqui adaptada, a partir do texto de F\u00e1tima Marques, \u201c\u00c0 espera da alma\u201d que pode ser consultado em http:\/\/encontroscalma.blogspot.pt\/2012\/03\/normal-0-21-false-false-false-pt-x-none.html.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educa\u00e7\u00e3o e Ambiente<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-20928","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20928","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20928"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20928\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20928"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20928"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20928"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}