{"id":20942,"date":"2012-10-17T16:00:00","date_gmt":"2012-10-17T16:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20942"},"modified":"2012-10-17T16:00:00","modified_gmt":"2012-10-17T16:00:00","slug":"povoamento-de-aradas-comecou-ha-mais-de-5-000-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/povoamento-de-aradas-comecou-ha-mais-de-5-000-anos\/","title":{"rendered":"Povoamento de Aradas come\u00e7ou h\u00e1 mais de 5.000 anos"},"content":{"rendered":"<p>Viagem pelo patrim\u00f3nio de Aradas com a companhia de grande fu\u00abiguras hist\u00f3ricas da terra.<\/p>\n<p>O povoamento das terras que hoje formam a freguesia de Aradas, no concelho de Aveiro, come\u00e7ou h\u00e1 mais de 5.000 anos, como referiu Paulo Morgado na palestra intitulada \u201cArqueoss\u00edtio da Agra do Crasto\u201d, que proferiu na edi\u00e7\u00e3o de \u201cTardes com Cultura\u201d, realizada no dia 5 de outubro, em Aradas.<\/p>\n<p>Apesar de v\u00e1rios documentos, alguns datados do s\u00e9culo XV, fazerem refer\u00eancia \u00e0 eventual exist\u00eancia de um castro na zona da Agra do Crasto, s\u00f3 em 2003, foram encontrados os primeiros vest\u00edgios arqueol\u00f3gicos em terrenos que atualmente integram o campus da Universidade de Aveiro. Paulo Morgado historiou os trabalhos arqueol\u00f3gicos realizados no local, dando conta de alguns achados, entre eles uma ponta de seta em s\u00edlex e uma pe\u00e7a cer\u00e2mica que, pelas suas caracter\u00edsticas e estado de conserva\u00e7\u00e3o, \u00e9 \u00fanica em Portugal, pe\u00e7a produzida entre o terceiro e o quinto mil\u00e9nio antes de Cristo.<\/p>\n<p>As pesquisas arqueol\u00f3gicas e os achados encontrados levam a concluir que a zona da Agra do Crasto foi um local habitado h\u00e1 pelo menos 5.000 anos. Paulo Morgado referiu que pelos achados arqueol\u00f3gicos e tamb\u00e9m pelo potencial hist\u00f3rico e arqueol\u00f3gico que o local possui, o arqueoss\u00edtio da Agra do Crasto foi declarado s\u00edtio de elevado interesse arqueol\u00f3gico, ficando registado com o n\u00famero 18957.<\/p>\n<p>Paulo Abreu, diretor do Agrupamento de Escolas de Aradas, apresentou o resultado dos seus trabalhos de investiga\u00e7\u00e3o sobre a localiza\u00e7\u00e3o da primitiva Igreja Matriz de Aradas, apontando o cabe\u00e7o situado entre o Esteiro de S. Pedro e a Quinta da Boavista como o local da primitiva Igreja de S. Pedro e respetivo cemit\u00e9rio. <\/p>\n<p>Para al\u00e9m de in\u00fameros documentos, alguns do s\u00e9culo XIV, que aludem \u00e0 exist\u00eancia de uma igreja nesse local, Paulo Abreu real\u00e7ou que ainda h\u00e1 poucas d\u00e9cadas surgiam ossos humanos nessa zona, bem como pedras que n\u00e3o s\u00e3o origin\u00e1rias da\u00ed.<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximo do local onde agora se ergue um monumento que assinala a exist\u00eancia da primitiva igreja passava uma estrada medieval de que ainda restam pequenos tro\u00e7os. Paulo Abreu diz ser uma liga\u00e7\u00e3o da Estrada Real a um porto existente no final desse cabe\u00e7o. Tamb\u00e9m da Estrada Real, que passava onde est\u00e1 a velha ponte e seguia em dire\u00e7\u00e3o a Aveiro, ainda restam vest\u00edgios.<\/p>\n<p>Personalidades de Aradas   <\/p>\n<p>Na abertura da sess\u00e3o, realizada na sede da Junta de Freguesia de Aradas, o autarca local, David Paiva Martins, sublinhou  que Aradas foi concelho entre os anos de 1181 e 1836, apresentando dados sobre a evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e cultural da freguesia, bem como dando a conhecer alguns dos vultos recentes da sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O historiador Amaro Neves evocou alguns dos mais relevantes vultos do passado de Aradas, nomeadamente Catarina de Ata\u00edde, filha de \u00c1lvaro de Sousa (senhor de Eixo), mas que viveu num pa\u00e7o, que poderia ter existido em Aradas, propriedade do marido, da fam\u00edlia dos Borges (com pa\u00e7o na Moita, Anadia), senhores de v\u00e1rias terras, incluindo este local da atual freguesia de Aradas.<\/p>\n<p>Frei Pedro Dias, tamb\u00e9m conhecido por \u201cSanto de Aradas\u201d, o poeta Barbuda e Vasconcelos e o bispo Frei Manuel de Bulh\u00f5es e Sousa foram outras tr\u00eas figuras de vulto apresentadas por Amaro Neves, autor das respetivas biografias, editadas em livro.<\/p>\n<p>Amaro Neves aludiu ainda ao m\u00e9dico Br\u00e1s Lu\u00eds de Abreu, que o escritor Camilo Castelo Branco imortalizou no romance \u201cO Olho de Vidro\u201d.<\/p>\n<p>Margarida Ribeiro, da C\u00e2mara Municipal de Aveiro, evocou o Conselheiro Joaquim Jos\u00e9 de Queir\u00f3s e Almeida e sua esposa, Teodora Joaquina de Almeida, av\u00f3s paternos de E\u00e7a de Queir\u00f3s, bem como os liberais que protagonizaram a revolta de 16 de Maio de 1828 e que acabaram condenados \u00e0 morte por ordem do rei D. Miguel, liberais que ficaram para a hist\u00f3ria como os \u201cM\u00e1rtires da Liberdade\u201d. <\/p>\n<p>As \u201cTardes com Cultura\u201d s\u00e3o uma iniciativa da Associa\u00e7\u00e3o de Defesa e Estudo do Patrim\u00f3nio Natural e Cultural da Regi\u00e3o de Aveiro (ADERAV) e da C\u00e2mara Municipal de Aveiro que visa dar a conhecer a hist\u00f3ria e o patrim\u00f3nio de cada uma das freguesias do concelho de Aveiro.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n<p>C\u00e2mara continua interessada <\/p>\n<p>na casa do av\u00f4 de E\u00e7a de Queir\u00f3s<\/p>\n<p>A vereadora da Cultura da C\u00e2mara Municipal de Aveiro, Maria da Luz Nolasco, afirmou que a C\u00e2mara Municipal de Aveiro continua em negocia\u00e7\u00f5es para adquirir a casa do Conselheiro Joaquim Jos\u00e9 de Queir\u00f3s e Almeida e de sua esposa, Teodora Joaquina de Almeida, av\u00f3s paternos de E\u00e7a de Queir\u00f3s, casa onde o escritor passou alguns anos da sua inf\u00e2ncia, no lugar de Verdemilho.<\/p>\n<p>Se a aquisi\u00e7\u00e3o se concretizar, ser\u00e1 reposta a tra\u00e7a arquitet\u00f3nica do edif\u00edcio, atualmente em avan\u00e7ado estado de degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Num texto de 2007, assinado por Miguel Souto, real\u00e7a-se o valor liter\u00e1rio da casa: \u201cJorge Campos Henriques, ao escrever sobre as ra\u00edzes de E\u00e7a, conclui que o solar \u00e9 a \u00abIlustre Casa de Ramires\u00bb, observando que o escritor, \u00abcuriosamente, deu ao solar de Gon\u00e7alo Ramires o nome de A Torre, precisamente o da quinta do solar de seus av\u00f3s, em Verdemilho\u00bb. O jornalista da Lusa refere ainda que o Conselheiro Queir\u00f3s, liberal e um dos organizadores da insurrei\u00e7\u00e3o de 16 de Maio de 1828, no Porto, teve de exilar-se em Fran\u00e7a e em Inglaterra. No regresso, ap\u00f3s a vit\u00f3ria dos liberais, \u201cfoi deputado e ministro da Justi\u00e7a, mas acabou por se retirar para Verdemilho, desiludido da pol\u00edtica, tal como Afonso da Maia em \u201cOs Maias\u201d, para se dedicar \u00e0 educa\u00e7\u00e3o do neto\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viagem pelo patrim\u00f3nio de Aradas com a companhia de grande fu\u00abiguras hist\u00f3ricas da terra. O povoamento das terras que hoje formam a freguesia de Aradas, no concelho de Aveiro, come\u00e7ou h\u00e1 mais de 5.000 anos, como referiu Paulo Morgado na palestra intitulada \u201cArqueoss\u00edtio da Agra do Crasto\u201d, que proferiu na edi\u00e7\u00e3o de \u201cTardes com Cultura\u201d, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-20942","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-regioes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20942","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20942"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20942\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20942"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20942"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20942"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}