{"id":20996,"date":"2012-10-03T16:57:00","date_gmt":"2012-10-03T16:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=20996"},"modified":"2012-10-03T16:57:00","modified_gmt":"2012-10-03T16:57:00","slug":"resistentes-do-sal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/resistentes-do-sal\/","title":{"rendered":"Resistentes do Sal"},"content":{"rendered":"<p>Fotorreportagem <!--more--> A safra do sal, iniciada em mar\u00e7o, chegou ao fim. Com as primeiras chuvas de outono, \u00e9 tempos de cobrir os montes de sal, antes de ensacar tudo em sacos de 25 quilos. A marinha P.J., explorada por Manuel Banca, produziu este ano cerca de 240 toneladas de sal, que agora h\u00e1 de ser vendido a quem oferecer mais. \u201cJ\u00e1 passaram por c\u00e1 quatro ou cinco compradores, mas por enquanto n\u00e3o h\u00e1 nada de concreto\u201d, diz.<\/p>\n<p>Natural da Gafanha da Nazar\u00e9, Manuel Banca regressou \u00e0s salinas depois de ter andado embarcado e de ter sido camionista. J\u00e1 na juventude tinha andado nas lides do sal. Agora, acompanha-o o seu filho, que trabalhou numa empresa de torres e\u00f3licas at\u00e9 ser dispensado devido \u00e0 crise. A salina \u00e9 arrendada. \u201cTudo o que produzo \u00e9 para mim\u201d, mas tenho de pagar dez por cento ao dono da salina. \u00c0s vezes at\u00e9 nem pago, quando tenho de fazer investimentos maiores\u201d.<\/p>\n<p>O marnoto lamenta que cada vez sejam menos os que exploram o sal. \u201cSe tiv\u00e9ssemos mais apoio, pod\u00edamos ser mais e o pa\u00eds escusava de importar tanto, que esse sal importado at\u00e9 faz mal ao est\u00f4mago\u201d. O futuro? \u201cSomos poucos e de vez em quando ouve-se que este ou aquele vai deixar de produzir sal\u201d. \u201cMorrem os velhos e vai tudo atr\u00e1s\u201d.<\/p>\n<p>Em anos de muito sal \u2013 e a \u00e9poca que agora termina n\u00e3o foi m\u00e1 \u2013, o pre\u00e7o tende a baixar. Entretanto, vai-se vendendo um ou outro saco de sal a turistas, que querem principalmente a flor de sal, ou a clientes da regi\u00e3o, alguns j\u00e1 compradores habituais. 25 quilos custam cinco euros, o mesmo que pode custar um quilo de flor de sal (ou coalho), que \u00e9 constitu\u00eddo pelos cristais que se formam \u00e0 superf\u00edcie da \u00e1gua. Cada vez h\u00e1 mais apreciadores da flor de sal por motivos gastron\u00f3micos.<\/p>\n<p>Quem passa por Aveiro ainda v\u00ea alguns montes de sal no horizonte. N\u00e3o devem chegar \u00e0s duas dezenas. Diz-se que em s\u00e9culos passados eram quinhentas as salinas. E h\u00e1 meio s\u00e9culo, quase trezentas. Agora s\u00e3o seis a produzir sal e as outras todas a degradarem-se. Se n\u00e3o h\u00e1 um marnoto por perto, as motas (muros das marinhas) v\u00e3o-se desfazendo naturalmente e a \u00e1gua entra e sai quando quer, acelerando a destrui\u00e7\u00e3o do que m\u00e3os humanas ergueram e cuidaram ao longo de s\u00e9culos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fotorreportagem<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-20996","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20996","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20996"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20996\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20996"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20996"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20996"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}