{"id":21023,"date":"2012-10-25T09:51:00","date_gmt":"2012-10-25T09:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21023"},"modified":"2012-10-25T09:51:00","modified_gmt":"2012-10-25T09:51:00","slug":"antonio-tito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/antonio-tito\/","title":{"rendered":"Ant\u00f3nio Tit\u00f3"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 126 <!--more--> O Ant\u00f3nio, quando passa na rua, parece que n\u00e3o anda bem. Rosto estranho. Meio a\u00e9reo, como se estivesse dopado. Emagrecido e envelhecido. Caminha imenso. Os seus passos s\u00e3o ora para a Igreja, ora para a capela da sua terra. Ora para algum santu\u00e1rio de Maria nas imedia\u00e7\u00f5es. Por vezes parece que anda falando sozinho. N\u00e3o anda, mas deambula pelas ruas. Os seus olhos, perdidos na dist\u00e2ncia, fixos em algo que n\u00e3o se sabe dizer o qu\u00ea ou quem \u00e9. D\u00e1 pena de ver, sobretudo quem o conheceu \u00e0 frente de um produtivo e famoso restaurante da terra onde vivia. Com esp\u00edrito de iniciativa, fam\u00edlia constitu\u00edda. Bem na vida, digamos assim. Mas, agora \u00e9 uma sombra do que era. No entanto, n\u00e3o duvido que toca a santidade.<\/p>\n<p>\u00c9 que o Ant\u00f3nio vive uma paix\u00e3o incr\u00edvel desde h\u00e1 21 anos. E n\u00e3o v\u00ea rem\u00e9dio para esse amor que o devora dia a dia e que nem a fam\u00edlia entende ou apoia, digo, parentes, porque fam\u00edlia ele tem na esposa e nos dois filhos. A paix\u00e3o do Ant\u00f3nio chama-se Tit\u00f3. H\u00e1 21 anos canceroso. Com dezoito opera\u00e7\u00f5es. Uma vida sem ideais, pois quando os tem e se aproxima deles, tem de ir para a faca de novo. \u00c9 assim desde os 14 anos. Com perna cortada. Tamb\u00e9m \u00f3rg\u00e3os internos. Um sofrimento que d\u00e1 d\u00f3. O Tit\u00f3 \u00e9 o \u00fanico filho homem do nosso Ant\u00f3nio. A sua esposa tamb\u00e9m tem cancro. O Ant\u00f3nio apanhou uma depress\u00e3o e perdeu o neg\u00f3cio que prosperava na fam\u00edlia. A filha ficou no desemprego. O Tit\u00f3 \u00e9 o que se v\u00ea. Quando o Ant\u00f3nio entra em casa arrastando os p\u00e9s cansados, n\u00e3o h\u00e1, naquele lar de amor e dor, gritos de alegria. Todos gemem. Carregam a cruz com f\u00e9, especialmente ele e a esposa. Mas, com que esfor\u00e7os para n\u00e3o sucumbir \u00e0 revolta. Afinal, esses quatro filhos de Deus t\u00eam, cada um deles, um cora\u00e7\u00e3o de ouro. S\u00f3 amor, proporcional \u00e0 dor imensa que vivem. Se n\u00e3o fosse esse amor que os une numa tristeza sem explica\u00e7\u00f5es, j\u00e1 teriam desistido de viver.<\/p>\n<p>Os desafios s\u00e3o imensos. Cada dia. Cada hora. Sem tr\u00e9guas. Nesta semana fez-me chorar. Veio ter comigo, bem debilitado. Queria confessar-se, pois n\u00e3o deixa de comungar. Desabafou que, agora que o seu menino piorava, ele tinha necessidade de passar manh\u00e3s inteiras num santu\u00e1rio mariano, por vezes desde as 8h da manh\u00e3 at\u00e9 \u00e0 tarde. Sem comer ou beber. Tinha que ir. Algu\u00e9m lhe disse, asperamente, que j\u00e1 andavam a falar por estar h\u00e1 tanto tempo a rezar. Que se deixasse disso pois j\u00e1 havia gente incomodada com tanto tempo ali. Afinal, parecia mais um doente mental que um orante. Que vergonha para os ditos parentes! Mas Ant\u00f3nio n\u00e3o desiste. \u201cSe n\u00e3o posso estar num santu\u00e1rio, vou para outro, quase tr\u00eas vezes mais longe\u201d. Ant\u00f3nio j\u00e1 n\u00e3o consegue dirigir o seu carro. Vai mesmo a p\u00e9. \u00c9 ent\u00e3o que o vemos como uma sombra pelos cantos das estradas, de dia e de noite. E ele disse-me chorando: \u201cSabe, padre, eu vou at\u00e9 \u00e0 casa da M\u00e3e, e vou falando com Ela pelo caminho\u201d. Parecia que falava sozinho, mas, afinal, era di\u00e1logo! Olhos fitos na frente, pois o rosto do querido filho o orienta. Afinal parecia olhar pedido de um pedrado, mas o seu objetivo est\u00e1 bem delineado.<\/p>\n<p> Magro, pois come e dorme pouco. N\u00e3o pode dormir enquanto o seu rapaz definha na solid\u00e3o de uma doen\u00e7a que n\u00e3o se define. E vai\u2026 Caminho fora\u2026 No frio e no calor. \u201cTenho de salvar o meu Tit\u00f3! Tenho de o salvar! Ele \u00e9 tudo para mim. Meu filho, meu querido filho, que n\u00e3o o quero perder\u201d. E ent\u00e3o, disse-me, chorando, e eu tamb\u00e9m chorava e choro com ele, que chegando aos p\u00e9s da Senhora, naquelas horas imensas que ali passa a bater insistentemente \u00e0 porta, ele s\u00f3 diz: \u201cTu tens nos bra\u00e7os o Teu Divino Filho. Por favor, M\u00e3e, carrega neles, s\u00f3 um pouquinho, o meu Tit\u00f3\u201d. N\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o comover-se. O Ant\u00f3nio est\u00e1 a dar a vida pelo seu filho. Em vez de ficar em casa, ofereceu-se como voluntario para um centro de idosos\u2026 E al\u00e9m disso, j\u00e1 que n\u00e3o pode curar o seu menino, reza a ora\u00e7\u00e3o que lhe sai, fervorosa: \u201cTens nos teus bra\u00e7os o meu Tit\u00f3\u2026\u201d E assim, louco de amor, sem sabermos como terminar\u00e1 a hist\u00f3ria desses dois, vemos passar a santidade \u00e0 nossa porta. E n\u00e3o lhe prestamos caso\u2026 Afinal, todos temos com que ou quem nos preocupar. E o Ant\u00f3nio ali vai vivendo o seu fado, na confian\u00e7a de que h\u00e1 de haver um dia que aquela M\u00e3e o ouvir\u00e1. E o seu Tit\u00f3 descansar\u00e1 nos bra\u00e7os da Boa M\u00e3e. For\u00e7a, Ant\u00f3nio. O Amor faz milagres. E voc\u00ea conseguir\u00e1 de Deus a paz para o seu menino!<\/p>\n<p>Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 126<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-21023","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21023","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21023"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21023\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21023"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21023"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}