{"id":21030,"date":"2012-10-25T09:58:00","date_gmt":"2012-10-25T09:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21030"},"modified":"2012-10-25T09:58:00","modified_gmt":"2012-10-25T09:58:00","slug":"um-novo-rumo-na-vida-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-novo-rumo-na-vida-da-igreja\/","title":{"rendered":"Um novo rumo na vida da Igreja"},"content":{"rendered":"<p>A Constitui\u00e7\u00e3o pastoral sobre \u201cA Igreja no mudo contempor\u00e2neo\u201d (GS) foi o \u00faltimo documento votado e logo promulgado por Paulo VI, no dia 7 de dezembro de 1965, v\u00e9spera do encerramento do Conc\u00edlio. Neste documento conciliar marca-se um rumo novo na vida da Igreja, at\u00e9 ent\u00e3o bastante alheia \u00e0 caminhada do mundo, quando n\u00e3o mesmo em oposi\u00e7\u00e3o a ele.<\/p>\n<p>Neste contexto, podemos perceber as tens\u00f5es, dentro e fora da aula conciliar, o tempo de acerto do documento a ser votado, a dif\u00edcil sintonia das diversas correntes de opini\u00e3o. Ainda persistia em muitas mentalidades eclesi\u00e1sticas o conceito de que o mundo era um dos inimigos da alma. A modernidade n\u00e3o gozava de favor da institui\u00e7\u00e3o eclesial e, por esta oposi\u00e7\u00e3o e desconfian\u00e7a, foram-se acumulando problemas que tinham como origem a dif\u00edcil aceita\u00e7\u00e3o m\u00fatua, sem qualquer tentativa de di\u00e1logo. A Igreja, ao longo da hist\u00f3ria, passou por diversas fases: fermento novo na sociedade humana (primeiros s\u00e9culos); tentativa patrocinada pelo imperador Constantino de que todo o mundo fosse Igreja (at\u00e9 \u00e0 Reforma protestante); oposi\u00e7\u00e3o declarada (a partir do s\u00e9culo XVI at\u00e9 ao Conc\u00edlio). Foi, ent\u00e3o, que Jo\u00e3o XXIII quis, pelo Conc\u00edlio, que a Igreja voltasse de novo \u00e0s suas origens para que fosse, pela for\u00e7a do Evangelho testemunhado, um novo fermento renovador na sociedade <\/p>\n<p>No longo per\u00edodo da oposi\u00e7\u00e3o, permanecendo embora grandes espa\u00e7os de tradicionalismo religioso de sabor medieval, muitos problemas se agravaram, e, praticamente, o di\u00e1logo com o mundo tonou-se imposs\u00edvel. Os frutos da modernidade eram a secularidade e a emancipa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se coadunavam com uma Igreja que se proclamava \u201csociedade perfeita\u201d, com poder \u00e9tico e decis\u00f3rio sobre a sociedade. Uma tal atitude recha\u00e7ava a cultura moderna e continuava a propor para a cultura, como \u00fanico, o pensamento medieval escol\u00e1stico. Por todo o lado foram ent\u00e3o surgindo rea\u00e7\u00f5es fortes e hostis a esta posi\u00e7\u00e3o da Igreja. O mundo moderno tinha, como caracter\u00edsticas conhecidas, que o fizeram reagir \u00e0 posi\u00e7\u00e3o da Igreja, a cultura da Ilustra\u00e7\u00e3o, o liberalismo democr\u00e1tico, a revolu\u00e7\u00e3o industrial e a emancipa\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria. Onde dominava, pela sua influ\u00eancia, esta nova cultura, a Igreja, mesmo em na\u00e7\u00f5es tradicionalmente crist\u00e3s, era identificada com o poder absolutista e com a liga\u00e7\u00e3o do trono com o altar, passando a ser desprezada, e mesmo perseguida. S\u00e3o exemplos hist\u00f3ricos a Fran\u00e7a, a R\u00fassia, os Estados Unidos da Am\u00e9rica e a Espanha e mesmo Portugal. Por todo o lado, se foi implantando e impondo um estado pol\u00edtico, republicano e laico. A incompreens\u00e3o m\u00fatua foi crescendo ao longo do novo processo de seculariza\u00e7\u00e3o. A segunda metade do s\u00e9culo XIX e o s\u00e9culo XX s\u00e3o determinantes neste processo de apagamento programado da influ\u00eancia da Igreja na vida pol\u00edtica e p\u00fablica de uma na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A hierarquia eclesi\u00e1stica, no pensamento de te\u00f3logos e historiadores, reagiu do pior modo, sobrecarregando a vida crist\u00e3 com o seu poder e autoridade, com os efeitos inevit\u00e1veis do clericalismo que identifica Igreja com a hierarquia, a Igreja com o Estado pontif\u00edcio, a romanidade da igreja com a c\u00faria romana, e d\u00e1, ao direito can\u00f3nico, um peso que reflete todo o seu pendor clerical. <\/p>\n<p>Assim, chegamos ao Conc\u00edlio, com um Papa, Jo\u00e3o XXIII, que, pelo seu conhecimento do mundo e da rutura existente entre a sociedade civil e a Igreja, n\u00e3o podia ficar indiferente, nem dar cobertura a uma pol\u00edtica antievang\u00e9lica e destruidora da comunidade eclesial. Corajosamente anuncia o Vaticano II como um conc\u00edlio sem condena\u00e7\u00f5es. Tudo se elabora nesse sentido e, logo de princ\u00edpio, se deseja que a GS seja eminentemente pastoral, ou seja, que marque um novo modo de agir, contr\u00e1rio ao que a Igreja vinha praticando, partindo da vida concreta das pessoas e da sociedade, e lendo esta \u00e0 luz da f\u00e9. Queria-se uma constitui\u00e7\u00e3o dirigida a todos os homens e mulheres do mundo, respeitando a cultura emergente e aberta ao di\u00e1logo. N\u00e3o foi f\u00e1cil a sua elabora\u00e7\u00e3o. Desde o conhecido Esquema XIII rejeitaram-se projetos, partiu-se o zero, multiplicaram as reuni\u00f5es fora de horas, mas podemos afirmar que n\u00e3o se passou ao lado de nenhum dos grandes problemas. A reflex\u00e3o era fundamental e n\u00e3o podia ficar pelo caminho. E n\u00e3o ficou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Constitui\u00e7\u00e3o pastoral sobre \u201cA Igreja no mudo contempor\u00e2neo\u201d (GS) foi o \u00faltimo documento votado e logo promulgado por Paulo VI, no dia 7 de dezembro de 1965, v\u00e9spera do encerramento do Conc\u00edlio. 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