{"id":21050,"date":"2011-02-09T10:16:00","date_gmt":"2011-02-09T10:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21050"},"modified":"2011-02-09T10:16:00","modified_gmt":"2011-02-09T10:16:00","slug":"geografia-espiritual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/geografia-espiritual\/","title":{"rendered":"Geografia espiritual"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 67 <!--more--> A Terra Santa foi dividida em dois reinos ap\u00f3s a morte de Salom\u00e3o. O reino do Norte, que se chamou Israel, e o do sul, que se chamou Jud\u00e1. A capital deste era Jerusal\u00e9m. Como em Portugal temos o Alentejo, o Algarve, o Minho\u2026 tamb\u00e9m ali o territ\u00f3rio corresponde \u00e0s doze tribos de Israel, sendo que parte delas se estende pela Galileia. A Galileia \u00e9 zona f\u00e9rtil, onde brota a cristalina \u00e1gua que forma o Jord\u00e3o. Ali se cultivam frutas e legumes em abund\u00e2ncia. Esta regi\u00e3o caiu na m\u00e3o do rei da Ass\u00edria uns 700 anos A.C. que fez uma troca de povos, de modo que naquela zona passaram a habitar povos com cultura e religi\u00e3o diferentes do reino do Sul, mais fiel \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es b\u00edblicas. Apesar de f\u00e9rtil, o Norte era visto com sentido pejorativo, como terra de trevas na rela\u00e7\u00e3o com a Alian\u00e7a e como sombria regi\u00e3o de morte, como diz Isa\u00edas. Este profeta disse que ali brilharia uma grande Luz.<\/p>\n<p>Quando lemos os Evangelhos, vemos que Jesus percorreu toda a Galileia e depois come\u00e7ou a subir para Jerusal\u00e9m, onde consumou a sua ac\u00e7\u00e3o redentora, pela morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a sua geografia de vida. Ser galileu n\u00e3o era coisa bem vista. O povo era de dura cerviz. E Jesus n\u00e3o fez em Nazar\u00e9 nenhum milagre.<\/p>\n<p>Quando, visitando a Terra Santa, chagamos ao Monte Scopus e vemos Jerusal\u00e9m, surgem em n\u00f3s sentimentos indescrit\u00edveis de paz e alegria. N\u00e3o \u00e9 tanto a beleza da cidade, por si mesma magn\u00edfica, mas o estar ali, na cidade tr\u00eas vezes santa, que tanto nos diz do passado e do futuro de cada um de n\u00f3s. Subir para Jerusal\u00e9m adquire para o peregrino o mist\u00e9rio de estarmos a ensaiar a pr\u00f3pria vida e a viver os passos de Jesus e de Maria.<\/p>\n<p>Mas o facto de tanto se falar destes territ\u00f3rios \u00e9 para n\u00f3s uma indica\u00e7\u00e3o de um itiner\u00e1rio espiritual que nos interpela e comove. De facto a \u201cGalileia dos Gentios\u201d e terra de Zabul\u00e3o e Neftali, povo que vivia nas trevas e na sombria regi\u00e3o da morte, significa a nossa vida, o nosso espa\u00e7o e o tempo de existir, onde vivemos as trevas da vida enquanto dor, luto, des\u00e2nimo, desilus\u00e3o, pecado, vergonha, trabalho, injusti\u00e7a, doen\u00e7a, depress\u00e3o, div\u00f3rcio, marginalidade, medos, traumas, viola\u00e7\u00f5es, assassinatos, prostitui\u00e7\u00e3o, xenofobia e preconceitos, morte, tristeza, trai\u00e7\u00e3o, infidelidade, rejei\u00e7\u00e3o, recalcamentos\u2026 \u00c9 a\u00ed, neste emaranhado de circunst\u00e2ncias, que Jesus vem viver.<\/p>\n<p>N\u00e3o era elogio dizer Jesus \u201cde Nazar\u00e9\u201d, pois de Nazar\u00e9 n\u00e3o poderia surgir nada de bom, segundo disse algu\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a Jesus. Ser galileu era algo mal visto. Ser Maria \u201cde Nazar\u00e9\u201d n\u00e3o era de modo algum privil\u00e9gio, mas era como ser de Magdala, terras e gentes mal queridas pelos povos da Judeia. A Pedro perguntam-lhe se tamb\u00e9m ele era galileu\u2026<\/p>\n<p>Mas foi a\u00ed, na Galileia, que Jesus viveu 33 anos, no mundo dos homens, na confus\u00e3o humana, na mis\u00e9ria e trevas humanas. E foi a partir da\u00ed que nos levou, pouco a pouco, na sua vida e na narra\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica, a subir a Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>Jerusal\u00e9m \u00e9 o oposto \u00e0 Galileia. \u201cTerra de Paz\u201d, como diz o nome, terra de amor, beleza, harmonia, fidelidade, festas, realiza\u00e7\u00e3o em plenitude, presen\u00e7a magn\u00edfica do divino. A\u00ed Jesus n\u00e3o podia viver porque isto n\u00e3o \u00e9 o vale de l\u00e1grimas dos homens. Jesus vai para Jerusal\u00e9m e leva-nos com Ele para a Jerusal\u00e9m do C\u00e9u, engalanada como noiva para o seu esposo, a cidade santa.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o itiner\u00e1rio que nos leva a n\u00e3o perdermos a esperan\u00e7a enquanto residimos na Galileia: Uma Luz vai brilhar no fundo do vale e tu ser\u00e1s elevado \u00e0s alturas da Jerusal\u00e9m que vem tamb\u00e9m ao teu encontro, e cantaremos ent\u00e3o: Que alegria quando me disseram \u00abVamos para a casa do senhor\u00bb. J\u00e1 pisam os nossos p\u00e9s as tuas portas, Jerusal\u00e9m, que brilhas no horizonte da minha vida de trevas e morte\u2026 N\u00e3o me posso esquecer de ti e que se me pegue a l\u00edngua ao paladar\u2026 Para ti vou, Jerusal\u00e9m, com alegria e esperan\u00e7a, em busca da luz\u2026 Como diz a B\u00edblia, \u201cem Jerusal\u00e9m seremos consolados\u201d.<\/p>\n<p>P.e Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 67<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-21050","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21050","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21050"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21050\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21050"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21050"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}