{"id":21052,"date":"2011-02-23T09:30:00","date_gmt":"2011-02-23T09:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21052"},"modified":"2011-02-23T09:30:00","modified_gmt":"2011-02-23T09:30:00","slug":"a-liturgia-fonte-e-cume-de-toda-a-vida-crista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-liturgia-fonte-e-cume-de-toda-a-vida-crista\/","title":{"rendered":"&#8220;A liturgia fonte e cume de toda a vida crist\u00e3!&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Ecos das jornadas de forma\u00e7\u00e3o permanente do Clero, que decorreram de 14 a 17 de Fevereiro na Casa Diocesana, Albergaria-a-Velha.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, bispo de Aveiro deu in\u00edcio \u00e0s jornadas de forma\u00e7\u00e3o permanente do clero desta Diocese, saudando os mais de sessenta, padres e di\u00e1conos com as palavras de S. Paulo: \u201cExorto-te a que reanimes o dom de Deus que h\u00e1 em ti\u201d (2Tim 1,6) e que a exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica \u201cPastores dabo Vobis\u201d (PdV) aplica \u00e0 forma\u00e7\u00e3o permanente do clero. Estas jornadas decorreram na Casa Diocesana em Albergaria entre os dias 14-17 de Fevereiro e tiveram como tema central: \u201cA liturgia fonte e cume de toda a vida crist\u00e3\u201d. <\/p>\n<p>Liturgia, evangeliza\u00e7\u00e3o e caridade. No primeiro dia, coube ao P.e Dr. Ant\u00f3nio Cabecinhas levar os ouvintes a recordarem que liturgia n\u00e3o \u00e9, essencialmente, o culto que prestamos a Deus, mas sempre iniciativa de Deus a motivar a resposta do homem. Assim sendo, a liturgia situa-se entre a tr\u00eas grandes ac\u00e7\u00f5es da Igreja a juntar \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 caridade, embora ela seja o centro donde tudo promana e para onde tudo se dirige: \u201cfons et culmen\u201d que, apesar de tudo, \u201cn\u00e3o esgota toda a ac\u00e7\u00e3o da Igreja (SC9)\u201d. Ali\u00e1s, esta rela\u00e7\u00e3o entre as tr\u00eas j\u00e1 estava presente no mandato do Senhor aos Ap\u00f3stolos: \u201cIde, fazei disc\u00edpulos e baptizai-os\u2026\u201d. Concretamente, entre evangeliza\u00e7\u00e3o\u2013liturgia, elas s\u00e3o insepar\u00e1veis e fundamentais na vida da Igreja, chegando mesmo a falar-se de uma liturgia de implos\u00e3o \u2013 quando nos centramos em Cristo \u2013 e deu um exemplo: \u201cFazei isto em mem\u00f3ria de Mim\u201d. E na liturgia de explos\u00e3o, quando nos dispersa para anunciar o Reino. E a concluir esta rela\u00e7\u00e3o acrescentou: \u201c\u2026quando a liturgia se separa da evangeliza\u00e7\u00e3o, fica vazia; mas quando a evangeliza\u00e7\u00e3o se separar da Liturgia, aquela reduz-se a mera propaganda\u201d. E quanto \u00e0 rela\u00e7\u00e3o liturgia\u2013caridade, depois de aludir a alguns textos b\u00edblicos, concluiu com duas cita\u00e7\u00f5es: uma de S. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo quando afirma que \u201c\u2026n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel honrar o Corpo de Cristo na Eucaristia e desprez\u00e1-lo na pessoa do pobre\u201d. E outra de um autor mais recente, que afirma: \u201cO grande cisma do Cristianismo \u00e9 o div\u00f3rcio entre o sacramento do altar e o sacramento do irm\u00e3o\u201d. Em jeito de conclus\u00e3o disse o P.e Carlos: \u201c\u2026s\u00e3o realidades fundamentais da Igreja. Esta necessita das tr\u00eas e elas necessitam-se mutuamente\u201d.<\/p>\n<p>De tarde e, pela m\u00e3o do mesmo professor, percorremos a Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, tentando compreend\u00ea-la para melhor captarmos a \u201carte de celebrar\u201d, express\u00e3o consagrada pelo papa Bento XVI e que consiste na \u201cfiel observ\u00e2ncia \u00e0s norma lit\u00fargicas\u201d. Esta arte de celebrar, sendo de toda a assembleia, tem no Presidente algu\u00e9m que n\u00e3o s\u00f3 representa Jesus Cristo cabe\u00e7a mas tamb\u00e9m actua em nome da Igreja. <\/p>\n<p>Celebrar e sentir. Estava dado o mote para o segundo dia com o monge beneditino P.e Doutor Bernardino Ferreira da Costa que partiu do documento \u201cSacrossanctum Concilium\u201d (SC) para nos falar da \u201cLiturgia na sua perspectiva teol\u00f3gica e pastoral\u201d, centrando-a na Eucaristia como ponto alto de encontro dos gestos e das palavras de Jesus para depois nos introduzir na \u201cLiturgia como matriz da ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3\u201d. E aqui convidava a assembleia a uma liturgia mais interior e contemplativa, s\u00e9ria, simples e bela, cheia de respeito perante Deus e os outros onde todos os sentidos, palavra e gestos, estejam ao servi\u00e7o da mesma ora\u00e7\u00e3o. Por outro lado fez sobressair a import\u00e2ncia da figura do Presidente da celebra\u00e7\u00e3o e afirmou a complexidade do seu papel: \u201c\u2026sa\u00fada a assembleia em nome de Cristo que convoca, invoca o seu pecado, mas pede perd\u00e3o; escuta a palavra, mas explica-a; professa a sua f\u00e9, mas tamb\u00e9m pergunta: credes em um s\u00f3 Deus?\u201d E concluiu: \u201cEle n\u00e3o \u00e9 apenas homem de ora\u00e7\u00e3o, mas servo da ora\u00e7\u00e3o da Igreja\u201d. Este tema levou-nos \u00e0 terceira confer\u00eancia: \u201cCelebrar e sentir\u201d, onde p\u00f4s em realce a complexidade da palavra, do rito e no sacramento (ex. A palavra que se v\u00ea no Evangeli\u00e1rio); a import\u00e2ncia do corpo e da natureza como ber\u00e7o da vida, tal como os sacramentos.<\/p>\n<p>Tudo isto criou nos participantes uma vontade de parar para reflectir e partilhar o caminho andado nas nossas comunidades e, sobretudo, o que havia e h\u00e1 para andar. Essa vontade foi partilhada no trabalho de grupos que reuniu os arciprestados e p\u00f4s em di\u00e1logo padres e di\u00e1conos. Do Plen\u00e1rio podemos concluir que o padre n\u00e3o \u00e9 o centro da celebra\u00e7\u00e3o. Esse lugar compete a Jesus Cristo. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 mero funcion\u00e1rio do sagrado. A necessidade de uma forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica nas comunidades dever\u00e1 levar \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uma Equipa de Liturgia e a valorizar os v\u00e1rios minist\u00e9rios que existem na Igreja.<\/p>\n<p>Formas de ora\u00e7\u00e3o. O terceiro dia levou-nos a reflectir sobre algumas das formas de ora\u00e7\u00e3o existentes na Igreja, a come\u00e7ar pelas ora\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas de que o C\u00e2none Romano \u00e9 a grande ora\u00e7\u00e3o de s\u00faplica e com ele as restantes an\u00e1foras e ora\u00e7\u00f5es consacrat\u00f3rias que a Igreja, hoje, nos apresenta. Coube essa tarefa ao P.e Dr. Francisco Couto, p\u00e1roco de Elvas (Diocese de \u00c9vora). Depois de expor os elementos essenciais da ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, abordou, na sua bonita e cativante exposi\u00e7\u00e3o, as missas dos pequenos grupos e sublinhou, mais uma vez, a riqueza dos sinais e dos s\u00edmbolos, dizendo: \u201cA linguagem simb\u00f3lica \u00e9 aquela que permite entrar numa realidade que \u00e9 inacess\u00edvel, adorar a Deus e torn\u00e1-lo presente na vida dos crentes. Da\u00ed o cuidado a ter em tantos s\u00edmbolos usados que j\u00e1 n\u00e3o significam ou significam, apenas, para um pequeno grupo ou mais ainda, apenas distraem.\u201d <\/p>\n<p>Complet\u00e1mos este quadro da parte da tarde ao sermos confrontados com outras formas de ora\u00e7\u00e3o que nos foram apresentadas, como s\u00e3o as Oficinas de Ora\u00e7\u00e3o, movimento que tem como fundador o P.e In\u00e1cio Larra\u00f1aga; o chamado Retiro Popular em uso na Diocese de Leiria, a Ora\u00e7\u00e3o de Taiz\u00e9 e o Acolhimento \u00e0s Fam\u00edlias que vivem o momento da morte, uma experi\u00eancia da Diocese de Coimbra.<\/p>\n<p>Religiosidade popular. A concluir as jornadas de estudos, o P.e Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva, da Diocese de Lisboa, procurou relacionar a liturgia e a religiosidade popular. Recordou o Direct\u00f3rio da religiosidade popular e liturgia e os aspectos fundamentais para uma boa harmonia nesta rela\u00e7\u00e3o. Explanou primeiramente de que modo a liturgia \u00e9 a fonte e meta na vida da Igreja, apontando para isso algumas das grandes afirma\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio Vaticano II sobre a liturgia: a centralidade e celebra\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio pascal de Cristo; a liturgia como hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o em acto, como presen\u00e7a e ac\u00e7\u00e3o de Cristo e ac\u00e7\u00e3o da Igreja; a liturgia como participa\u00e7\u00e3o antecipada da liturgia da Gl\u00f3ria e para a santifica\u00e7\u00e3o dos homens. A religiosidade popular, nas suas diversas manifesta\u00e7\u00f5es de piedade e devo\u00e7\u00e3o, deve obedecer a alguns crit\u00e9rios para ser correctamente vivida:<\/p>\n<p>&#8211; Considerar sempre a refer\u00eancia \u00e0 Eucaristia e dela dimanar. Esta realidade torna sempre presente e conservado o mist\u00e9rio pascal de Jesus Cristo;<\/p>\n<p>&#8211; Salvaguardar o mist\u00e9rio pascal de Cristo. A religiosidade popular prepara para a celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia enquanto \u00e9 convers\u00e3o interior que o sacramento realiza e opera;<\/p>\n<p>&#8211; Sensibilidade ao ano lit\u00fargico: A religiosidade popular prolonga a vida interior e espiritual na medida em que prolonga e actualiza a gra\u00e7a acolhida.<\/p>\n<p> &#8211; Venera\u00e7\u00e3o \u00e0 M\u00e3e de Deus como prim\u00edcias do mist\u00e9rio pascal de Cristo.<\/p>\n<p>Em conclus\u00e3o, o P.e Lu\u00eds Manuel acentuou a necessidade de, na vida pastoral, se ajudar a uma correcta harmonia entre a devo\u00e7\u00e3o e a liturgia, mas tamb\u00e9m para os perigos quando existe uma dissocia\u00e7\u00e3o destas duas realidades, fazendo assim ofuscar o centro que \u00e9 o Mist\u00e9rio Pascal de Cristo.<\/p>\n<p>E foi com a Eucaristia presidida pelo nosso Bispo e concelebrada por todos os padres e di\u00e1conos que encerr\u00e1mos estas jornadas de forma\u00e7\u00e3o dando gra\u00e7as ao Senhor por tudo aquilo que vivemos e aprendemos ao longo destes dias. <\/p>\n<p>P.e Manuel Joaquim Rocha  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ecos das jornadas de forma\u00e7\u00e3o permanente do Clero, que decorreram de 14 a 17 de Fevereiro na Casa Diocesana, Albergaria-a-Velha. 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