{"id":21059,"date":"2011-02-23T10:32:00","date_gmt":"2011-02-23T10:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21059"},"modified":"2011-02-23T10:32:00","modified_gmt":"2011-02-23T10:32:00","slug":"pais-alunos-e-professores-em-defesa-do-ensino-publico-nao-estatal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pais-alunos-e-professores-em-defesa-do-ensino-publico-nao-estatal\/","title":{"rendered":"Pais, alunos e professores em defesa do ensino p\u00fablico n\u00e3o-estatal"},"content":{"rendered":"<p>Pediu-se a verdade sobre os custos reais do ensino, mostrou-se uni\u00e3o, prometeu-se n\u00e3o desistir. O ensino particular e cooperativo tem quem o defenda na rua.<\/p>\n<p>Cerca de seis mil pessoas, segundo a organiza\u00e7\u00e3o, protestaram contra as recentes altera\u00e7\u00f5es governamentais ao financiamento das escolas particulares que oferecem ensino gratuito. Na tarde de s\u00e1bado, 19 de Fevereiro, o Rossio de Aveiro foi invadido por pais, alunos e professores de 60 escolas com contratos de associa\u00e7\u00e3o, num protesto festivo que teve algo de piquenique \u2013 come\u00e7ou com o almo\u00e7o partilhado \u2013, com\u00edcio e variedades.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos dirigentes associativos e de D. Ant\u00f3nio Marcelino, bispo em\u00e9rito de Aveiro, que exortou a que n\u00e3o se desista da luta, diversas turmas dos col\u00e9gios subiram ao palco com uma cantiga ou slogans para mostrar que est\u00e3o solid\u00e1rias na contesta\u00e7\u00e3o que o ensino p\u00fablico dado por privados tem vindo a travar em rela\u00e7\u00e3o ao decreto-lei, aprovado em Dezembro, que em m\u00e9dia corta 30 por cento do financiamento, e o recente acordo entre o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (ME) e a Associa\u00e7\u00e3o de Escolas do Ensino Privado e Cooperativo (AEEP), sem a consulta dos seus associados, que estipula o fim do financiamento de 214 das 2130 turmas dos col\u00e9gios com contrato de associa\u00e7\u00e3o j\u00e1 no pr\u00f3ximo ano lectivo. Este acordo \u00e9 qualificado por Jo\u00e3o Asseiro, dirigente do movimento SOS Educa\u00e7\u00e3o, que organizou a jornada, como \u201cum rem\u00e9dio que se d\u00e1 a um doente terminal para passar esta fazer sem dores\u201d. O acordo ME\/AEEP tamb\u00e9m \u00e9 contestado pela Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Escolas Cat\u00f3lica, liderada pelo P.e Querubim Silva.<\/p>\n<p>Pequena vit\u00f3ria<\/p>\n<p>Lu\u00eds Marinho, da associa\u00e7\u00e3o de pais do Externato de Penafirme e porta-voz do SOS Educa\u00e7\u00e3o, avaliou o encontro de Aveiro como \u201cmuito positivo\u201d. \u201cTivemos aqui a comunidade educativa. Foi um dia para dar energia \u00e0s pessoas e, por outro lado, festejar porque durante a semana aconteceu algo a que j\u00e1 apel\u00e1vamos h\u00e1 muito tempo\u201d, disse, congratulando-se por a comiss\u00e3o parlamentar de Educa\u00e7\u00e3o ter aprovado que o Tribunal de Contas elabore um estudo t\u00e9cnico sobre o custo de cada aluno que estuda no ensino p\u00fablico. \u201cPara n\u00f3s, n\u00e3o \u00e9 uma esperan\u00e7a que o estudo mostre que o ensino p\u00fablico ministrado por escolas privadas \u00e9 mais barato. \u00c9 uma certeza. Em todo o trabalho que temos feito de levantamento dos custos, n\u00e3o encontramos nenhuma escola estatal que de facto seja mais barata. Temos a certeza de que a ministra da Educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 mentir quando diz que as escolas privadas s\u00e3o mais caras. Mas tamb\u00e9m julgamos que ela n\u00e3o sabe a verdade. Esse estudo tem de ser feito, at\u00e9 para ela\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Saber qual \u00e9 o ensino mais barato \u00e9 uma quest\u00e3o que o movimento considera fundamental para esclarecer uma opini\u00e3o p\u00fablica que por vezes considera que os cortes at\u00e9 s\u00e3o justos. <\/p>\n<p>O Correio do Vouga falou com uma professora universit\u00e1ria de Aveiro, presente no ajuntamento do Rossio, \u201cpor solidariedade\u201d com o ensino privado, que, embora n\u00e3o concordando com as pol\u00edticas actuais, compreendia que o governo tivesse de \u201ccortar em algum lado\u201d, inexplicavelmente ignorando que se uma turma sair do ensino privado para o estatal tem igualmente custos \u2013 mais elevados, segundo t\u00eam dito os dirigentes associativos, refor\u00e7ando a tese de que est\u00e1 em jogo uma quest\u00e3o ideol\u00f3gica e n\u00e3o econ\u00f3mica. Lu\u00eds Marinho sa\u00fada, por isso, o grupo de estudo, ainda que demore a publicar os resultados. \u201cEra algo por que ansi\u00e1vamos h\u00e1 muito tempo. O facto de ser da responsabilidade do Tribunal de Contas d\u00e1 garantias de rigor. N\u00e3o queremos nem mais nem menos do que os outros t\u00eam\u201d, afirmou. <\/p>\n<p>Jorge Pires Ferreira<\/p>\n<p>Professores vivem situa\u00e7\u00f5es de \u201cinstabilidade\u201d<\/p>\n<p>Apesar de a luta continuar e com firmeza, os dirigentes reconhecem que al\u00e9m da quest\u00e3o financeira, h\u00e1 efeitos psicol\u00f3gicos nocivos devido \u00e0 instabilidade. \u201cNingu\u00e9m tem a cabe\u00e7a no s\u00edtio. Os professores n\u00e3o conseguem ter uma no\u00e7\u00e3o do que vai acontecer no futuro. Algumas escolas, com esta portaria, v\u00e3o fechar em Setembro. Os alunos tamb\u00e9m est\u00e3o a viver uma grande inquieta\u00e7\u00e3o. Os pais andam na luta. Numa palavra, instabilidade. O pai desta instabilidade \u00e9 Torcato da Mata [secret\u00e1rio de Estado] e a m\u00e3e \u00e9 Isabel Al\u00e7ada [ministra da Educa\u00e7\u00e3o], afirma Lu\u00eds Marinho.<\/p>\n<p>Rui Leite, de Braga, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Professores do Ensino Particular e Cooperativo com Contrato de Associa\u00e7\u00e3o (APEPCCA), afirma que os professores vivem \u201ccom preocupa\u00e7\u00e3o\u201d desde Novembro, quando se come\u00e7ou a falar das altera\u00e7\u00f5es: \u201cForam confrontados com uma situa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o estavam \u00e0 espera. Agora h\u00e1 professores com sal\u00e1rios reduzidos em 10 ou 20 por cento e com sal\u00e1rios em atraso. Esta altera\u00e7\u00e3o est\u00e1 a p\u00f4r em causa o projecto educativo destas escolas. N\u00e3o h\u00e1 projecto que consiga sobreviver sem recursos humanos dignificados. Os professores foram os edificadores destas institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o no terreno a fazer a tal escola comunit\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAgrade\u00e7o ao governo esta oportunidade\u201d, diz um pai<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Guerreiro, pai de tr\u00eas filhos (dois ainda frequentam o Externato de Penafirme), vive a instabilidade com dois sentimentos opostos. \u201cPor um lado, estou preocupado e com ansiedade. Mas, por outro, agrade\u00e7o ao governo a oportunidade que nos deu a todos. Lutamos pelo direito da Educa\u00e7\u00e3o e mostramos assim uma cidadania activa. Era algo que estava apagado nos \u00faltimos tempos em Portugal\u201d, afirma. \u201cDe resto continuo muito preocupado. Gostava de saber quais os interesses que est\u00e3o por detr\u00e1s deste ataque \u00e0s escolas com contrato de associa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No Rossio estiveram pais, alunos e professores de 65 escolas das 90 que t\u00eam contratos de associa\u00e7\u00e3o, representando a grande maioria dos estudantes, j\u00e1 que 40 escolas \u201cfazem noventa por cento da massa estudantil\u201d, segundo um dirigente do SOS Educa\u00e7\u00e3o. Alguns estudantes empunhavam cartazes simulando as capas dos livros da colec\u00e7\u00e3o \u201cUma aventura\u201d, que tem como co-autora a actual ministra da Educa\u00e7\u00e3o. Num deles lia-se: \u201cUma aventura na rede escolar\u201d. Ao lado, outro cartaz dizia: \u201cChega de aventuras. Queremos a verdade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEstais escrevendo uma p\u00e1gina importante <\/p>\n<p>na hist\u00f3ria do pa\u00eds\u201d<\/p>\n<p>Pais e jovens aqui presentes, a hora \u00e9 vossa, \u00e9 nossa. Pelo vosso bem, dos vossos filhos e de um pa\u00eds com dignidade n\u00e3o desistais. Muitos vos criticam, vos julgam, deturpam as vossas e nossas raz\u00f5es. Se s\u00e3o honestas, a vossa persist\u00eancia os acordar\u00e1 e ver\u00e3o a raz\u00e3o do SOS que gritais convictos.<\/p>\n<p>Estais escrevendo uma p\u00e1gina importante na hist\u00f3ria do pa\u00eds e da educa\u00e7\u00e3o, da vossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria e das vossas escolas.<\/p>\n<p>Ainda que percais algumas batalhas e escaramu\u00e7as, acabareis por ganhar. N\u00e3o somos contra ningu\u00e9m, mas a favor da liberdade e da justi\u00e7a, da fam\u00edlia e dos que estudam nas escolas que representais.<\/p>\n<p>Se a luta \u00e9 justa, a vit\u00f3ria ser\u00e1 certa. Coragem, for\u00e7a. Para a frente sem medo. Desistir \u00e9 proibido. As nossas armas n\u00e3o matam gente, defendem valores e direitos.<\/p>\n<p>Excerto do discurso <\/p>\n<p>de D. Ant\u00f3nio Marcelino<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pediu-se a verdade sobre os custos reais do ensino, mostrou-se uni\u00e3o, prometeu-se n\u00e3o desistir. O ensino particular e cooperativo tem quem o defenda na rua. Cerca de seis mil pessoas, segundo a organiza\u00e7\u00e3o, protestaram contra as recentes altera\u00e7\u00f5es governamentais ao financiamento das escolas particulares que oferecem ensino gratuito. 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