{"id":21067,"date":"2011-03-02T09:26:00","date_gmt":"2011-03-02T09:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21067"},"modified":"2011-03-02T09:26:00","modified_gmt":"2011-03-02T09:26:00","slug":"voluntariado-e-nova-consciencia-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/voluntariado-e-nova-consciencia-social\/","title":{"rendered":"Voluntariado e nova Consci\u00eancia Social"},"content":{"rendered":"<p>Documento <!--more--> 1. Um dos sinais mais promissores de esperan\u00e7a na constru\u00e7\u00e3o de uma humanidade fraterna e feliz est\u00e1 patente na experi\u00eancia alargada e crescente do voluntariado. Por isso, acolhemos de bom grado o ano 2011 como \u201cAno Europeu das actividades volunt\u00e1rias que promovam uma cidadania activa\u201d, declarado pelo Conselho de Ministros da Uni\u00e3o Europeia. J\u00e1 h\u00e1 dez anos (15 de Novembro de 2001) nos associ\u00e1mos a semelhante evento, abordando a tem\u00e1tica do voluntariado como \u00abporta aberta para a humaniza\u00e7\u00e3o social\u00bb.<\/p>\n<p>Segundo a nossa proposta, o voluntariado ilumina-se com os princ\u00edpios da Doutrina Social da Igreja, como s\u00e3o a dignidade da pessoa humana, o bem comum, a subsidiariedade e a solidariedade, e segue os valores da verdade, liberdade, justi\u00e7a e paz, trabalhando para o desenvolvimento integral da pessoa humana.<\/p>\n<p>2. Dirigimo-nos especialmente aos cat\u00f3licos para que se sintam particularmente motivados pela sua consci\u00eancia a oferecer \u00e0 comunidade um tempo de gratuidade ao servi\u00e7o dos outros.<\/p>\n<p>A viv\u00eancia espiritual crist\u00e3, marcada pela cultura da gratuidade, cria uma disponibilidade interior para os outros, at\u00e9 \u00e0 radicalidade da entrega, para servir as necessidades reais das pessoas que interpelam a consci\u00eancia. A participa\u00e7\u00e3o na sociedade actual, t\u00e3o competitiva e cruelmente pautada por interesses, \u00e9 verdadeiro ant\u00eddoto do individualismo voraz, anunciador de um futuro de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Para o crist\u00e3o, em di\u00e1logo com todas as pessoas de boa vontade, a comunh\u00e3o com a Pessoa de Jesus implica chegar \u00e0s causas ou ra\u00edzes das dif\u00edceis quest\u00f5es que geram pobreza, exclus\u00e3o, abandono ou indiferen\u00e7a. Quem \u00e9 coerente com a f\u00e9 crist\u00e3 transforma a vida e adopta gestos de fraternidade, busca o conhecimento das situa\u00e7\u00f5es a socorrer e sonha vias criativas de solu\u00e7\u00e3o para os problemas.<\/p>\n<p>3. Congratulamo-nos vivamente com o crescimento de uma nova consci\u00eancia social, que est\u00e1 na base do voluntariado. \u00c9 um grito de esperan\u00e7a, que vence pesos de ideologiza\u00e7\u00e3o e revela caminhos de um novo humanismo, que seja criativo, realista, din\u00e2mico e pleno.<\/p>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o generosa e gratuita de muitos cidad\u00e3os ao bem do pr\u00f3ximo revela uma cultura de solidariedade e abertura ao outro, capaz de indicar uma nova pol\u00edtica nacional e internacional; a verdadeira concep\u00e7\u00e3o de vida solid\u00e1ria \u00e9 chamada a superar os riscos de novas e velhas injusti\u00e7as. O contributo de um aut\u00eantico voluntariado n\u00e3o se restringir\u00e1 somente a ac\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias, mas lutar\u00e1 tamb\u00e9m pela transforma\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p>4. As iniciativas de voluntariado situam-se no esp\u00edrito do princ\u00edpio da subsidiariedade e n\u00e3o se substituem aos servi\u00e7os sociais dos poderes p\u00fablicos. Pelo contr\u00e1rio, a interven\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios possibilita e eleva a exig\u00eancia das respostas p\u00fablicas, permitindo contudo aos cidad\u00e3os, em virtude da espontaneidade do voluntariado, esbater muralhas burocr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Dar vida \u00e0 subsidiariedade \u00e9 mobilizar para a responsabilidade de uma cidadania activa. Assim se pretende provocar a altera\u00e7\u00e3o da mentalidade centralista e estatizante, presente em diversos organismos p\u00fablicos, que bloqueiam, tantas vezes, as energias da comunidade local e das redes de proximidade.<\/p>\n<p>O compromisso com a justi\u00e7a social e o incentivo a altera\u00e7\u00f5es estruturais positivas ser\u00e3o factores determinantes de credibilidade das pessoas e institui\u00e7\u00f5es dedicadas ao voluntariado.<\/p>\n<p>Pelo m\u00e9rito da sua d\u00e1diva gratuita, o trabalho volunt\u00e1rio \u00e9 uma mais-valia \u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho remunerado; ambos dignificam o ser humano e caracterizam-se pela compet\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>5. Chamado a uma abrang\u00eancia universal de todas as pessoas e situa\u00e7\u00f5es, verdadeira rede de fraternidade, o voluntariado assume uma pluralidade de rostos e formas, junto dos que a sociedade esquece, rejeita, maltrata, empobrece, bem como na ajuda a uma educa\u00e7\u00e3o para o servi\u00e7o e para o desenvolvimento cultural.<\/p>\n<p>Apontamos, brevemente, algumas das vertentes do multiforme voluntariado:<\/p>\n<p>5.1 O voluntariado agregado a movimentos e obras sociais, j\u00e1 com larga tradi\u00e7\u00e3o. Dentro deste tipo se situa o trabalho espec\u00edfico em hospitais, em pris\u00f5es e em institui\u00e7\u00f5es de solidariedade social, para o qual se exige uma prepara\u00e7\u00e3o adequada e uma integra\u00e7\u00e3o nas normas das institui\u00e7\u00f5es onde actuam.<\/p>\n<p>5.2 O voluntariado na resposta a situa\u00e7\u00f5es de pessoas s\u00f3s que necessitam de visita e companhia, de ajuda em diversos servi\u00e7os. Muitos volunt\u00e1rios, integrados ou n\u00e3o em associa\u00e7\u00f5es, exercem um servi\u00e7o carregado de humanidade e paciente cuidado dos mais abandonados e esquecidos.<\/p>\n<p>5.3 O voluntariado na educa\u00e7\u00e3o, com bastante relev\u00e2ncia, seja atrav\u00e9s dos alunos na resolu\u00e7\u00e3o dos problemas da vida real, seja na participa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias e das comunidades nas actividades da escola: ajudar a fazer os trabalhos de casa, acompanhar visitas de estudo, colaborar na orienta\u00e7\u00e3o vocacional, apoiar a constru\u00e7\u00e3o ou repara\u00e7\u00e3o de uma determinada estrutura ou equipamento escolar.<\/p>\n<p>5.4 O voluntariado ao servi\u00e7o da evangeliza\u00e7\u00e3o, especialmente nas par\u00f3quias e movimentos, exercido em fecunda e apreciada dedica\u00e7\u00e3o na transmiss\u00e3o do Evangelho. Conta com milhares de volunt\u00e1rios, gratuitamente empenhados nas diversas ac\u00e7\u00f5es eclesiais, nomeadamente a catequese, a anima\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, a pastoral familiar, a participa\u00e7\u00e3o nos \u00f3rg\u00e3os de administra\u00e7\u00e3o e corresponsabilidade pastoral.<\/p>\n<p>5.5 O voluntariado mission\u00e1rio, pr\u00f3ximo do Voluntariado Internacional para a Coopera\u00e7\u00e3o, sobretudo destinado para ac\u00e7\u00f5es fora do pa\u00eds, inserido em projectos de promo\u00e7\u00e3o humana e social, em \u00e1reas como a educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, o associativismo, o apoio comunit\u00e1rio e social, a capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de agentes locais. Procura ser sinal de fraternidade global, despertando a opini\u00e3o p\u00fablica para as quest\u00f5es do desenvolvimento. Lembramos, em atitude de reconhecimento e gratid\u00e3o, os v\u00e1rios milhares de volunt\u00e1rios que, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, partiram de Portugal em miss\u00e3o, na sua maioria ligados a institutos mission\u00e1rios \u00abad gentes\u00bb.<\/p>\n<p>5.6 O voluntariado na dimens\u00e3o cultural, que ganha cada vez mais adeptos. Dedicar os tempos livres ao cultivo da m\u00fasica, seja em filarm\u00f3nicas ou grupos corais, \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio, arquivos, bibliotecas, museus e outros centros culturais valoriza quem se dedica e permite disponibilizar os bens culturais \u00e0 comunidade, de modo mais r\u00e1pido e econ\u00f3mico.<\/p>\n<p>5.7 O voluntariado de socorro de emerg\u00eancia, sobretudo atrav\u00e9s de institui\u00e7\u00f5es como os Bombeiros, a Cruz Vermelha e a C\u00e1ritas, t\u00e3o atraente para muitos jovens dispostos a aventuras e riscos da pr\u00f3pria vida na ajuda imediata em situa\u00e7\u00f5es de particular afli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>5.8 O voluntariado no campo ecol\u00f3gico, que conquistou espa\u00e7o na vida contempor\u00e2nea, t\u00e3o necessitada da defesa do ambiente.<\/p>\n<p>5.9 O voluntariado dos direitos humanos, com especial significado na defesa da vida, na promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e da paz entre as pessoas e entre os povos.<\/p>\n<p>6. Verifica-se que o voluntariado tem constitu\u00eddo para muitos um lugar de enriquecimento humanizante que faz repensar projectos de vida, valorizar e desfrutar de modo novo o que se tem, preparar para embates, aliviar as tens\u00f5es e relativizar os pr\u00f3prios problemas.<\/p>\n<p>Por isso, entre as muitas vantagens do voluntariado, que aqui n\u00e3o podemos desenvolver, queremos salientar, no actual contexto, o facto de ser escola de realismo duro da vida e promover uma educa\u00e7\u00e3o capaz de olhar de frente os problemas concretos, as dificuldades e os sofrimentos, e uma ocasi\u00e3o para o an\u00fancio da mensagem crist\u00e3.<\/p>\n<p>7.O entusiasmo e o crescente n\u00famero de pessoas que aderem ao servi\u00e7o volunt\u00e1rio n\u00e3o podem fazer-nos esquecer a sabedoria do saber dar-se. Lan\u00e7ar-se no trabalho volunt\u00e1rio requer conhecimento da realidade e qualifica\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es. Quando se aposta na prepara\u00e7\u00e3o, no estudo dos \u00e2mbitos de actua\u00e7\u00e3o, na forma\u00e7\u00e3o ao longo do desenvolvimento da actividade, consegue atingir-se uma resposta mais profunda e realizadora.<\/p>\n<p>Deve igualmente ser dada particular aten\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de maturidade humana por parte de quem oferece o seu tempo e compet\u00eancia ao bem comum, sob perigo de causar dano em vez de benef\u00edcio.<\/p>\n<p>8. Manifestamos o nosso profundo reconhecimento e apre\u00e7o pela multid\u00e3o de volunt\u00e1rios que d\u00e3o firmeza \u00e0 esperan\u00e7a neste tempo exigente de novo humanismo. Auguramos que o ano 2011 constitua uma oportunidade para os cidad\u00e3os, nomeadamente os crist\u00e3os, com especial refer\u00eancia aos mais novos, a serem express\u00e3o do amor gratuito de Deus pelos \u00faltimos. Entrevemos na experi\u00eancia do voluntariado o paradigma de uma nova vis\u00e3o da sociedade para a qual nos impele o an\u00fancio do Reino novo de Jesus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-21067","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21067","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21067"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21067\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21067"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21067"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21067"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}