{"id":21121,"date":"2012-10-25T09:53:00","date_gmt":"2012-10-25T09:53:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21121"},"modified":"2012-10-25T09:53:00","modified_gmt":"2012-10-25T09:53:00","slug":"o-grito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-grito\/","title":{"rendered":"\u00abO grito\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Quem n\u00e3o conhece a pintura a \u00f3leo de Edvard Munch, que \u00e9 posta a par da \u00abMona Lisa\u00bb? Como \u00e9 poss\u00edvel que uma tela inerte, fechada em si, no sil\u00eancio perp\u00e9tuo, arraste o nosso olhar como quem \u00e9 atra\u00eddo pelo mais tremendo grito de solid\u00e3o? <\/p>\n<p>Quantas vezes na vida sentimos que somos um grito que perdeu a voz? N\u00e3o haver\u00e1 ningu\u00e9m que nos ou\u00e7a? Quem dera que todos n\u00f3s pud\u00e9ssemos encontrar algu\u00e9m que nos fite nos olhos, escute o nosso grito e o deixasse morrer no calor da amizade.<\/p>\n<p>Outras vezes, tanto gritamos que toda a gente olha para n\u00f3s \u2013 e, ao menos para nos ver calados (Lucas 11,5-8) satisfa\u00e7a o que pedimos \u2013 ou se junte \u00e0 nossa manifesta\u00e7\u00e3o de alegria.<\/p>\n<p>Por isso solta brados de alegria o vigia de Israel, e todas as gentes s\u00e3o convidadas a exultar ruidosamente, porque regressa do cativeiro \u00abo resto\u00bb do povo do Senhor (1.\u00aa leitura); e brada o cego de Jeric\u00f3, para atrair, a todo o custo, a aten\u00e7\u00e3o de Jesus (evangelho).<\/p>\n<p>Pode ser importante soltar um brado de vez em quando, at\u00e9 para manter a sa\u00fade psicol\u00f3gica e a alegria saudavelmente infantil. E muita gente perde a vida por n\u00e3o conseguir bradar por socorro da maneira mais eficaz \u2026<\/p>\n<p> O pr\u00f3prio Deus, atrav\u00e9s dos profetas e de Jesus, grita connosco e bem: quer para avisar do perigo quer para se alegrar connosco. E \u00e9 o primeiro a incitar-nos a clamar por ajuda e tamb\u00e9m a gritar de alegria. <\/p>\n<p>Precisamos de gritar bem alto as injusti\u00e7as em todo o mundo, mas esses brados de nada valem se n\u00e3o pensamos no que deve ser feito e na capacidade e honestidade que devem possuir aqueles que escolhemos para representar os nossos brados. E assim podemos ir na marcha em que os mais ricos, os mais atletas, os mais espertos para furar na vida, os mais intelectuais, os mais diplomatas\u2026 se querem participar, v\u00eam \u00e0 mistura com os coxos, com os cegos, com os que t\u00eam amor para \u00abperder tempo\u00bb com os filhos como as m\u00e3es que transportam a vida dentro de si ou a seu colo\u2026 (1.\u00aa leitura). \u00c9 na aut\u00eantica partilha deste caminhar, que cada qual se enriquece e fortifica com os talentos e a for\u00e7a de todos os mais.<\/p>\n<p>Ao lermos o evangelho, vemos que h\u00e1 quem persista em se aproximar de Jesus, mesmo se alguns lhe barram o caminho; e que quem mais brada e caminha resolutamente para encontrar a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 aquele que \u00e9 cego de corpo \u2013 os que n\u00e3o se acham cegos, s\u00e3o os que levantam obst\u00e1culos! Muita gente se julga importante por formar o s\u00e9quito e a guarda (!) de Jesus, e n\u00e3o facilita a aproxima\u00e7\u00e3o dos que parecem \u00abestranhos\u00bb \u2013 pelas ideias, comportamentos, estatuto social\u2026<\/p>\n<p>Para Deus, ningu\u00e9m \u00e9 in\u00fatil \u2013 este \u00e9 um dos grandes princ\u00edpios presentes na par\u00e1bola dos trabalhadores da \u00faltima hora, que recebem tanto como os que trabalharam o dia inteiro (Mateus 20,1-16). Seja qual for a idade ou o tipo de vida, cada ser humano, pelo mero facto de existir, \u00abbrada a Deus\u00bb \u2013 porque tem sede de mais. E por isso, Jesus se apropriou da tradi\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica ao dirigir-se de modo especial aos que sentem na pele as injusti\u00e7as da vida e que precisam de estar atentos a tudo o que possa ser um sinal de vida nova.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o somos sens\u00edveis aos problemas dos outros, n\u00e3o nos admiremos que se propague a viol\u00eancia. Se n\u00e3o somos capazes de caminhar, sem snobismo, junto dos que podem menos e, sem servilismo, dos que podem mais, n\u00e3o vamos a lado nenhum, por muita sensibilidade que publicitemos.<\/p>\n<p>Jesus Cristo \u00e9 exemplo de quem soube caminhar com uns e com outros. N\u00e3o fugiu \u00e0 fadiga e sofrimento de muitos \u00abencontros\u00bb, como tamb\u00e9m n\u00e3o fugiu ao prazer do conv\u00edvio com amigos \u2013 fossem pobres ou ricos. <\/p>\n<p>Diz-nos o Evangelho que o cego, ao ser chamado por Jesus, \u00abdeu um salto\u00bb para chegar mais depressa \u2013 e ainda era cego! Bastou-lhe sentir e prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 voz divina \u2013 a voz que n\u00e3o nos deixa adormecer no nosso cantinho. S\u00f3 com esta coragem \u00e9 que vale a pena ter os olhos abertos, provocando, com os nossos \u00abbrados e saltos\u00bb, a luta por mais e melhor vida.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-21121","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21121","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21121"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21121\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21121"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21121"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21121"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}