{"id":21135,"date":"2012-10-31T16:58:00","date_gmt":"2012-10-31T16:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21135"},"modified":"2012-10-31T16:58:00","modified_gmt":"2012-10-31T16:58:00","slug":"sabores-exoticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sabores-exoticos\/","title":{"rendered":"Sabores ex\u00f3ticos"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Podemo-los provar na variedade e criatividade dos textos da \u00abLiturgia da Palavra\u00bb. \u00c9 verdade que a 1.\u00aa leitura e o Evangelho costumam apresentar ideias semelhantes. Tamb\u00e9m quase sempre a 1.\u00aa leitura vai buscar os ingredientes ao Antigo Testamento, apresentando-se o Evangelho como reelabora\u00e7\u00e3o requintada que explora e potencia os melhores sabores do Antigo \u2013 o pr\u00f3prio Jesus Cristo proclamou que n\u00e3o vinha abolir a antiga Lei, mas aperfei\u00e7o\u00e1-la (Mateus 5,17). A 2.\u00aa leitura, as mais das vezes \u00ab\u00e0 la carte\u00bb de S. Paulo, \u00e9 que se destina a outros gostos.\t<\/p>\n<p>O prato forte de hoje \u00e9 o recheio mais rico da revela\u00e7\u00e3o de Deus no Antigo e Novo Testamento: \u00abEscuta, Israel! O Senhor, nosso Deus, \u00e9 o \u00fanico Senhor. Amar\u00e1s o Senhor teu Deus, de todo o teu cora\u00e7\u00e3o, de toda a tua alma, de toda a tua mente e de todas as tuas for\u00e7as\u00bb. E Jesus apressa-se a juntar a segunda parte deste n\u00facleo da f\u00e9: \u00abAmar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo. N\u00e3o h\u00e1 qualquer mandamento maior do que estes\u00bb. Assim o saboreou o escriba ao falar com Jesus, vendo que esse \u00abmenu\u00bb est\u00e1 muito acima de \u00abholocaustos e sacrif\u00edcios\u00bb (Evangelho). \u00c9 de justi\u00e7a lembrar que esta receita tem uma base tradicional, que se encontra n\u00e3o s\u00f3 no Antigo Testamento como tamb\u00e9m noutras religi\u00f5es. Mas \u00aba escola\u00bb de Jesus Cristo n\u00e3o deixa de nos espantar, e se os menus s\u00e3o desenxabidos, \u00e9 porque \u00abo chefe de mesa\u00bb se distraiu\u2026<\/p>\n<p>J\u00e1 o A.T. inclu\u00eda, no amor ao pr\u00f3ximo, os escravos, estrangeiros, e particularmente os pobres, os doentes e os desamparados. A 1.\u00aa carta de S. Jo\u00e3o e a carta de S. Tiago v\u00eam depois \u00abp\u00f4r os pontos nos ii\u00bb: quem diz que ama a Deus, que n\u00e3o v\u00ea, e n\u00e3o ama os outros, que v\u00ea, \u00e9 mentiroso e conden\u00e1vel.<\/p>\n<p>A carta aos Hebreus continua com o tema da dignidade de Jesus Cristo como \u00absumo sacerdote\u00bb intercessor junto de Deus. Os Hebreus convertidos ao cristianismo n\u00e3o podiam esquecer facilmente a majestade e a solidez do ambiente sagrado pr\u00f3prio dos rituais desempenhados pelos sacerdotes do Antigo Testamento. Mas com Jesus Cristo, chegou o tempo do \u00ab\u00fanico sacerdote\u00bb, homem perfeito e eternamente vivo, constitu\u00eddo na dignidade de \u00abFilho de Deus\u00bb e que, com a sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, intercede continuamente e para sempre pelo g\u00e9nero humano. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para que os hebreus tenham saudades dos \u00abtempos antigos\u00bb, embora seja muito mais c\u00f3modo ser espectador de lindos e pomposos rituais do que sermos n\u00f3s a cozinhar com novos ingredientes. <\/p>\n<p>A mesma pregui\u00e7a est\u00e1 presente na tenta\u00e7\u00e3o de olhar para a Igreja como um lugar seguro onde nos basta refugiar. Ora s\u00f3 se pode dizer que a Igreja \u00e9 viva no sentido em que todos n\u00f3s somos vivos \u2013 e ser vivo, para os seres humanos, implica o exerc\u00edcio da raz\u00e3o, avaliadora de \u00abreceitas antigas e novas\u00bb (Mateus 13,52), cr\u00edtica dos diversos sabores, sem se deixar enganar por preconceitos ou manipula\u00e7\u00f5es do pensamento \u2013 t\u00e9cnicas tanto mais perigosas quanto mais \u00abimportantes\u00bb parecem a sua fonte ou quanto mais liga\u00e7\u00f5es afectivas est\u00e3o em jogo. Perante o actual bombardeamento de informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 cada vez mais necess\u00e1rio analisar aquilo de que falamos ou os motivos que nos levam \u00e0 ac\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos \u00abter f\u00e9\u00bb nem atacar a f\u00e9 sem pensar com honestidade o que queremos dizer ou fazer.<\/p>\n<p>Por isso, Jesus inaugurou um novo tempo e um novo templo: um tempo de cont\u00ednua uni\u00e3o com Deus, porque o templo \u00e9 cada um de n\u00f3s (Jo\u00e3o 4,23). E deixa a cada qual a decis\u00e3o: ou uma vida sujeita aos mais question\u00e1veis poderes ou uma vida de di\u00e1logo amigo e criterioso com o pr\u00f3prio Deus. A imagem de Deus n\u00e3o \u00e9 a de um juiz punitivo, mas de Algu\u00e9m que nos desperta a alegria da \u00absalva\u00e7\u00e3o\u00bb \u2013 ou seja, o caminho para o \u00abmundo perfeito\u00bb que Deus deseja.\t<\/p>\n<p>Compete-nos dar corpo ao grande mandamento expresso no evangelho, que une a Humanidade com Deus. E assim como o amor \u00e9 \u00aber\u00f3tico\u00bb, reflectindo a caracter\u00edstica humana de precisar de algu\u00e9m para ser algu\u00e9m, assim tamb\u00e9m precisamos de Deus. A plenitude do prazer \u00e9 querer e promover a plenitude do prazer dos outros, cientes de que uma sadia alimenta\u00e7\u00e3o espiritual aproveita (Romanos 8,28), pondo de lado elementos perigosos, todos os \u00absabores ex\u00f3ticos\u00bb da vida. <\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-21135","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21135","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21135"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21135\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}