{"id":21142,"date":"2012-10-31T17:03:00","date_gmt":"2012-10-31T17:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21142"},"modified":"2012-10-31T17:03:00","modified_gmt":"2012-10-31T17:03:00","slug":"marco-orientador-para-uma-igreja-dialogante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/marco-orientador-para-uma-igreja-dialogante\/","title":{"rendered":"Marco orientador para uma Igreja dialogante"},"content":{"rendered":"<p>Cinquenta anos passados verifica-se que houve avan\u00e7o nas rela\u00e7\u00f5es Igreja\/Mundo e ambos passaram a ver-se de modo diferente, exceto onde dominam os fundamentalismos religiosos e pol\u00edticos. Dos novos conte\u00fados da GS (\u201cGaudium et Spes\u201d) era de esperar isso mesmo. O Homem concreto, com a sua dignidade, \u00e9 o principal espa\u00e7o de encontro da Igreja com o mundo. Imagem de Deus e ser social. Por vezes, dividido entre a atra\u00e7\u00e3o e a repulsa, \u00e9 rico na sua interioridade pela sua consci\u00eancia e pela sua liberdade. Dois bens sempre a respeitar e a promover. Deste modo, a GS reconhece os tr\u00eas valores fundamenais da modernidade, que j\u00e1 o s\u00e3o do Evangelho: liberdade (n.\u00ba 17), igualdade (n.\u00ba 29) e fraternidade (n.\u00ba 32). A partir daqui, tornou-se mais f\u00e1cil a responsabilidade e a participa\u00e7\u00e3o, porque tamb\u00e9m se reconheceu como imperativo de a\u00e7\u00e3o a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p>O mundo, por via desta Constitui\u00e7\u00e3o, era, tamb\u00e9m, um espa\u00e7o a reconquistar e completar-se. Identifica-se com a cria\u00e7\u00e3o e com o lugar onde vivem homens e mulheres, muitas vezes trabalhado por for\u00e7as adversas e hostis ao Reino. Mas pela Incarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus, o universo foi redimido para dar lugar a uma nova cria\u00e7\u00e3o. Mesmo reconhecendo-se a ambival\u00eancia do mundo, a vis\u00e3o positiva sobrep\u00f5e-se \u00e0 negativa.<\/p>\n<p>O contexto da reflex\u00e3o conciliar s\u00e3o \u201cos sinais dos tempos\u201d, lidos \u00e0 luz do Evangelho e interpretados como apelos de Deus \u201cpara melhor conhecer este mundo em que vivemos, as suas esperan\u00e7as, as suas aspira\u00e7\u00f5es, a sua \u00edndole frequentemente dram\u00e1tica\u201d (n.\u00ba 4). Um mundo de contradi\u00e7\u00f5es, de riquezas e de possibilidades, ao mesmo tempo de \u201cmultid\u00f5es atormentadas pela fome, pela mis\u00e9ria, que n\u00e3o sabem ler nem escrever. Apesar de uma sensibilidade nova \u00e0 liberdade e \u00e0 paz, n\u00e3o faltam formas de escravid\u00e3o, nem guerras destruidoras. A GS continua o seu diagn\u00f3stico da humanidade e ajuda a tomar consci\u00eancia das mudan\u00e7as, profundas e r\u00e1pidas que se operaram e continuam na ordem social, no campo psicol\u00f3gico, moral e religioso que explicam os desequil\u00edbrios no mundo moderno que fazem trazer ao de cima as aspira\u00e7\u00f5es universais e as interroga\u00e7\u00f5es mais profundas da todas as pessoas. Ent\u00e3o a Igreja acrescenta, sem complexos, a raz\u00e3o da sua esperan\u00e7a e o sentido do seu contributo: Cristo morto e ressuscitado no qual todos devem ser salvos. \u201cEla cr\u00ea tamb\u00e9m que a chave, o centro e o fim de toda a hist\u00f3ria humana se encontram no seu Senhor e Mestre. E afirma que, debaixo de todas as mudan\u00e7as, permanecem muitas coisas que n\u00e3o mudam, as quais t\u00eam o seu fundamento \u00faltimo em Cristo, imagem de Deus invis\u00edvel, Primog\u00e9nito de toda a criatura\u201d. E acrescenta que \u00e9 prop\u00f3sito do Conc\u00edlio falar a todos os homens e mulheres para \u201cesclarecer o mist\u00e9rio da pessoa humana e para ajudar a encontrar a solu\u00e7\u00e3o dos problemas maiores do nosso tempo\u201d (n.\u00ba 10).<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o segue dizendo o que a Igreja pensa do Homem, da sua dignidade, do pecado que o divide, da dignidade da intelig\u00eancia, verdade e sabedoria. Da dignidade da consci\u00eancia moral, da grandeza da liberdade, do mist\u00e9rio da morte, das formas e ra\u00edzes do ate\u00edsmo e, tamb\u00e9m, do ate\u00edsmo contempor\u00e2neo e da sua atitude face a este.<\/p>\n<p>Ao falar da dignidade da consci\u00eancia moral, um tema cada vez mais atual, a GS (n.\u00ba 16) diz expressamente: \u201cNo fundo da consci\u00eancia, o homem descobre uma lei que ele n\u00e3o se imp\u00f4s a si mesmo, mas \u00e0 qual deve obedecer e cuja voz ressoa oportunamente aos ouvidos do seu cora\u00e7\u00e3o, convidando-o a amar e a fazer o bem e evitar o mal: faz isto, evita aquilo\u2026 A dignidade do homem est\u00e1 em obedecer-lhe e segundo ela ser\u00e1 julgado. A consci\u00eancia \u00e9 o n\u00facleo mais secreto do homem e o santu\u00e1rio onde est\u00e1 a s\u00f3s com Deus, cuja voz ressoa no seu \u00edntimo. \u00c9 de um modo admir\u00e1vel que a consci\u00eancia nos d\u00e1 a conhecer essa lei que se cumpre no amor de Deus e do pr\u00f3ximo\u201d. Mesmo quando a consci\u00eancia erra, nem por isso perde a sua dignidade. Deve sempre, por\u00e9m conformar-se com as normas objetivas da moralidade. O texto conclui: \u201cQuando o homem se preocupa pouco com investigar a verdade e o bem, o h\u00e1bito do pecado quase cega aos poucos a sua consci\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>O Homem Novo em Cristo \u00e9 a visibilidade de que todo o homem e mulher, como pessoas humanas, s\u00e3o divinos por natureza e cada um leva consigo a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 plenitude, seja ele crente ou n\u00e3o crente. O crente tem a gra\u00e7a, pela f\u00e9 em Cristo Ressuscitado, de ir penetrando nos enigmas da vida, incluindo a dor e a morte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cinquenta anos passados verifica-se que houve avan\u00e7o nas rela\u00e7\u00f5es Igreja\/Mundo e ambos passaram a ver-se de modo diferente, exceto onde dominam os fundamentalismos religiosos e pol\u00edticos. Dos novos conte\u00fados da GS (\u201cGaudium et Spes\u201d) era de esperar isso mesmo. 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