{"id":21160,"date":"2012-10-17T16:36:00","date_gmt":"2012-10-17T16:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21160"},"modified":"2012-10-17T16:36:00","modified_gmt":"2012-10-17T16:36:00","slug":"a-forma-do-cristianismo-em-mudanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-forma-do-cristianismo-em-mudanca\/","title":{"rendered":"A forma do cristianismo em mudan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>O te\u00f3logo Karl Rahner escreveu que \u201cA Igreja tem sido conduzida pelo Senhor da hist\u00f3ria para uma nova \u00e9poca\u201d. N\u00e3o se trata s\u00f3 de baixas dr\u00e1sticas nos indicadores estat\u00edsticos quando se compara a atualidade com aquele que j\u00e1 foi o quadro da viv\u00eancia da F\u00e9. A quest\u00e3o \u00e9 bem mais complexa. Talvez o que o nosso tempo descobre, mesmo entre convuls\u00f5es e incertezas, seja um modo diferente de ser crente, traduzido de formas alternativas nas suas necessidades, buscas e perten\u00e7as. N\u00e3o estamos perante o crep\u00fasculo do cristianismo, como defendem aqueles que se apressam a chamar p\u00f3s-crist\u00e3s \u00e0s nossas sociedades. Quem n\u00e3o se apercebe que o radical lugar do cristianismo foi sempre a habita\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria mudan\u00e7a n\u00e3o o colhe por dentro. Mas h\u00e1 eixos que se v\u00e3o tornando suficientemente claros para que seja cada vez mais um dever os enunciarmos e contarmos com eles. Podem-se apontar tr\u00eas:<\/p>\n<p>Primeiro, os crist\u00e3os regressam \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de \u201cpequeno rebanho\u201d. Com a evapora\u00e7\u00e3o de um cristianismo que se transmitia geracionalmente como heran\u00e7a inquestionada, os crist\u00e3os voltam a s\u00ea-lo por decis\u00e3o pessoal, uma decis\u00e3o muitas vezes em contra-corrente, maturada de modo solit\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o aos c\u00edrculos mais imediatos de perten\u00e7a. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 de modo previs\u00edvel que nos tornamos crist\u00e3os. Isso acontece e acontecer\u00e1 cada vez mais como uma op\u00e7\u00e3o e uma surpresa.<\/p>\n<p>Depois, \u00e0 medida que se assiste a um enfraquecimento da inscri\u00e7\u00e3o institucional das Igrejas no horizonte da sociedade redescobrimos o valor e as possibilidades de uma presen\u00e7a discreta no meio do mundo. Em tantas situa\u00e7\u00f5es, nesta di\u00e1spora cultural onde estamos semeados, a \u00fanica palavra veros\u00edmil \u00e9 a do testemunho de uma vida vivida com simplicidade e alegria no seguimento de Jesus.<\/p>\n<p>E, em terceiro lugar, esta grande mudan\u00e7a epocal mostra-nos que precisamos recuperar aquilo que Karl Rahner chama o \u201csanto poder do cora\u00e7\u00e3o\u201d. Os crist\u00e3os s\u00e3o chamados a viver a amizade como um minist\u00e9rio. \u201cIsto \u00e9 o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros como eu vos amei\u201d (Jo 15,17). H\u00e1, de facto, uma revela\u00e7\u00e3o do cristianismo que s\u00f3 a pr\u00e1tica da amizade \u00e9 capaz de proporcionar. E nisto, o mundo, que pode at\u00e9 perder-se em equ\u00edvocos sobre os crist\u00e3os, n\u00e3o se engana. Mesmo se for um \u00fanico instante de contacto o que tivermos, tal basta para deixar transparecer uma amizade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O te\u00f3logo Karl Rahner escreveu que \u201cA Igreja tem sido conduzida pelo Senhor da hist\u00f3ria para uma nova \u00e9poca\u201d. N\u00e3o se trata s\u00f3 de baixas dr\u00e1sticas nos indicadores estat\u00edsticos quando se compara a atualidade com aquele que j\u00e1 foi o quadro da viv\u00eancia da F\u00e9. A quest\u00e3o \u00e9 bem mais complexa. 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