{"id":21190,"date":"2012-11-07T17:23:00","date_gmt":"2012-11-07T17:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21190"},"modified":"2012-11-07T17:23:00","modified_gmt":"2012-11-07T17:23:00","slug":"um-dialogo-que-desce-ao-concreto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-dialogo-que-desce-ao-concreto\/","title":{"rendered":"Um di\u00e1logo que desce ao concreto"},"content":{"rendered":"<p>A segunda parte da Constitui\u00e7\u00e3o \u201cGaudium et Spes\u201d, \u00e0 luz e com base na reflex\u00e3o antes proposta e muitas vezes esquecida, abre um grande leque de campos de di\u00e1logo sobre problemas sociais concretos: a comunidade humana, a atividade humana no mundo, a miss\u00e3o da Igreja no mundo do nosso tempo. E, considerando os problemas, ent\u00e3o mais urgentes, abre sobre eles a reflex\u00e3o poss\u00edvel para equipar os bispos e os crist\u00e3os em ordem \u00e0 sua colabora\u00e7\u00e3o na procura de melhores solu\u00e7\u00f5es: dignidade do matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia, promo\u00e7\u00e3o do progresso cultural, vida econ\u00f3mico-social, vida da comunidade pol\u00edtica, promo\u00e7\u00e3o da paz e da comunidade dos povos, edifica\u00e7\u00e3o da comunidade internacional\u2026<\/p>\n<p>Muitos destes problemas j\u00e1 tinham sido objeto de uma reflex\u00e3o anterior, por parte de alguns setores da Igreja. Assim foi, desde os finais do s\u00e9culo XIX e ao longo do s\u00e9culo XX, a partir das enc\u00edclicas sociais e discursos e r\u00e1dio mensagens dos diversos papas at\u00e9 ao Vaticano II. Trata-se do que chamamos a Doutrina Social da Igreja, apresentada de modo sistem\u00e1tico, e contemplando os grandes problemas sociais surgidos a partir da revolu\u00e7\u00e3o industrial, alguns dos quais deixaram mais empobrecida a civiliza\u00e7\u00e3o rural que vigorava de h\u00e1 s\u00e9culos. Recordamos a \u201cRerum Novarum\u201d (\u201cDas Coisas Novas\u201d) de Le\u00e3o XIII (1891); a \u201cQuadragesimo anno\u201d (\u201cNo Quadrag\u00e9simo Anivers\u00e1rio\u201d), de Pio XI (1931); as dezenas de discursos e radiomensagens de Pio XII, sobre os mais diversos temas sociais e pol\u00edticos (entre 1939 e 1958). E ainda a \u201cMater e Magistra\u201d (\u201cM\u00e3e e Mestra\u201d), de Jo\u00e3o XXIII (1961), e, j\u00e1 com o Conc\u00edlio reunido, a famosa \u201cPacem in Terris\u201d  (\u201cPaz na terra\u201d), do mesmo Papa (1963).<\/p>\n<p>Por estes documentos passam problemas como a dignifica\u00e7\u00e3o da pessoa, o bem comum, a dimens\u00e3o social e humana da economia, a conce\u00e7\u00e3o da empresa como comunidade, a democracia representativa, os sindicatos, os problemas do mundo rural, a colabora\u00e7\u00e3o para a paz e tantos outros. A Constitui\u00e7\u00e3o assume estes temas e muitos outros e o resultado desta reflex\u00e3o ser\u00e1 agora, n\u00e3o apenas do Papa, mas do magist\u00e9rio do Col\u00e9gio Episcopal, reunido em Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico. <\/p>\n<p>A Igreja que assume a autonomia das realidades terrestres declara-se servidora do mundo, atenta \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es da sociedade e aos permanentes desafios: desafio dos pobres e marginalizados, desafio do n\u00e3o sentido, ou seja da car\u00eancia de meios de viver e sobretudo da raz\u00f5es de viver, desafio do individualismo desenfreado e da indiferen\u00e7a corrosiva. Aceita, deste modo, a sua condi\u00e7\u00e3o presente e futura de ser Igreja que luta e sofre para dar testemunho e ser sinal de salva\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n<p>Porque se trata de uma Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral, mostra que os problemas humanos est\u00e3o sempre em aberto, sem solu\u00e7\u00f5es definitivas. Quando se progride em algum aspeto, logo surgem novos desafios, novos problemas. Paulo VI publica em 1971, oitenta anos depois da \u201cRerum Novarum\u201d e doze depois do encerramento do Conc\u00edlio, a carta \u201cOctogesimum adveniens\u201d (\u201cPor ocasi\u00e3o dos oitenta anos\u201d). \u00c9 um documento que, para al\u00e9m do realismo dos problemas enunciados, \u00e9 tamb\u00e9m uma pedagogia conciliar, que obriga a Igreja, por dever, a estar atenta aos novos sinais dos tempos. E fala da democratiza\u00e7\u00e3o, da emancipa\u00e7\u00e3o da mulher, do movimento ecol\u00f3gico, do surto alargado das migra\u00e7\u00f5es, das novas correntes pol\u00edticas e culturais.<\/p>\n<p>Com este artigo termino o coment\u00e1rio de cariz jornal\u00edstico e ao alcance de todos, por isso mesmo n\u00e3o um estudo em profundidade dos diversos documentos conciliares. De todo o lado, muitas pessoas me falam de quanto lhes foram \u00fateis estes artigos e lhes permitiram ver o Conc\u00edlio, que n\u00e3o conheciam, com outros olhos. Esse foi, n\u00e3o outro, o meu objetivo e o meu contributo aos leitores, nos 50 anos do Vaticano II.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A segunda parte da Constitui\u00e7\u00e3o \u201cGaudium et Spes\u201d, \u00e0 luz e com base na reflex\u00e3o antes proposta e muitas vezes esquecida, abre um grande leque de campos de di\u00e1logo sobre problemas sociais concretos: a comunidade humana, a atividade humana no mundo, a miss\u00e3o da Igreja no mundo do nosso tempo. 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