{"id":2121,"date":"2010-06-30T15:28:00","date_gmt":"2010-06-30T15:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2121"},"modified":"2010-06-30T15:28:00","modified_gmt":"2010-06-30T15:28:00","slug":"o-meu-obrigado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-meu-obrigado\/","title":{"rendered":"O meu obrigado"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 40 <!--more--> quem faz algo por n\u00f3s, ainda que n\u00e3o necessitemos de imediato ou o favor seja t\u00e3o simples como o deixar passar\u2026 Mostrar-se agradecido \u00e9 Eucaristia.<\/p>\n<p>Dar gra\u00e7as a Deus \u00e9 meio de crescimento na f\u00e9. Pois vivemos da Gra\u00e7a. Pois tudo \u00e9 Gra\u00e7a, como diz S. Paulo. H\u00e1 muita gente no mundo que se esfor\u00e7a por nos dar o melhor, desde a m\u00e3e e o pai at\u00e9 \u00e0 esposa, sol\u00edcita na refei\u00e7\u00e3o, ou o marido cansado do servi\u00e7o na f\u00e1brica, o filho, que acarinhou, ou o av\u00f4, que aconselhou.<\/p>\n<p>Contudo, n\u00e3o sei que trauma trazemos connosco, porque agradecemos e pedimos desculpas no trabalho e na rua, mas somos reservados e omissos para com os nossos familiares mais pr\u00f3ximos. J\u00e1 n\u00e3o dizemos: \u201cAmo-te\u201d. J\u00e1 n\u00e3o pedimos desculpas, embora sempre nos desculpemos. J\u00e1 n\u00e3o agradecemos nem elogiamos. Temos complexos e vergonha de o fazer com a esposa ou o marido. As palavras de amor s\u00f3 foram espont\u00e2neas no tempo do namoro. De muitos desapareceram, trocadas por outros termos que os ouvidos e o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o gostam de ouvir. Por isso, recomendo aos casais a leitura, em conjunto, do Livro do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos para aprendermos os termos que educam e aquecem o cora\u00e7\u00e3o do casal e da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Mesmo nas ordens religiosas, vemos o qu\u00e3o devotados ao abandono afectivo est\u00e3o os irm\u00e3os e irm\u00e3s de comunidade. Sujeitos a uma castra\u00e7\u00e3o do seu afecto, que, em castidade, celibato e contin\u00eancia, n\u00e3o se pode manifestar em nenhuma outra forma de afecto que edifique a comunidade. Tornam-se os consagrados gente azeda, fria e cruel, at\u00e9 com a natureza. Quantas pessoas se queixam de em sua inf\u00e2ncia n\u00e3o terem encontrado alegria e carinho nos col\u00e9gios cat\u00f3licos de religiosos e nas irm\u00e3s de um ou outro hospital no mundo. Quanta rigidez nos padres nas suas homilias, que mandam recados do altar para baixo, humilhando e criando desilus\u00e3o, quando deveriam encher os cora\u00e7\u00f5es de amor e f\u00e9.<\/p>\n<p>Podemos ser c\u00e9libes, mas, j\u00e1 dizia S. Paulo, o mais importante \u00e9 a caridade. E o povo de Deus desculpa bem mais depressa um pecado de infidelidade na castidade do que na caridade pastoral. Mas tamb\u00e9m, quanta ingratid\u00e3o no povo contra os seus p\u00e1rocos. Que deram e d\u00e3o o seu melhor. E quando dizem um n\u00e3o a algo que \u201cn\u00e3o me conv\u00e9m\u201d, passam de santos a pecadores, e enchemos jornais, Internet e a C\u00faria diocesana com as nossas queixas cru\u00e9is e manifestamente ego\u00edstas.<\/p>\n<p>Mas se olharmos para nosso relacionamento com Deus, a nossa ingratid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 menor. Vivemos numa mentalidade veterotestament\u00e1ria (do Antigo Testamento), pensando que s\u00f3 somos aben\u00e7oados se Deus nos der tudo o que pedimos. E revoltamo-nos se n\u00e3o nos d\u00e1 e, pior, se ainda nos tira. Ele sabe o que precisamos mesmo antes de lhe pedirmos\u2026 Mas n\u00f3s queremos convenc\u00ea-lo de que n\u00f3s \u00e9 que sabemos de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Penso que quando morrermos, n\u00e3o vamos agradecer s\u00f3 o que Ele nos deu na vida. Nem o que nos tirou. N\u00e3o vamos agradecer bens e amigos, realiza\u00e7\u00f5es e obras feitas. S\u00f3 vamos agradecer \u00e9 que tenha tido miseric\u00f3rdia de n\u00f3s e que, apesar de tanta ingratid\u00e3o para com Ele e para com o pr\u00f3ximo, que atro-pelamos tantas vezes. Vamos agradecer-lhe at\u00e9 na nossa indiferen\u00e7a e omiss\u00e3o, que Ele tenha nos dado a vida em abund\u00e2ncia, que merecemos pelos m\u00e9ritos do Seu Filho que \u00e9 e ser\u00e1 sempre uma Eucaristia para o Pai.<\/p>\n<p>P.e Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 40<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-2121","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2121","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2121"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2121\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2121"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2121"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2121"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}