{"id":21286,"date":"2012-11-14T16:26:00","date_gmt":"2012-11-14T16:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21286"},"modified":"2012-11-14T16:26:00","modified_gmt":"2012-11-14T16:26:00","slug":"um-laivo-de-lucidez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-laivo-de-lucidez\/","title":{"rendered":"Um laivo de lucidez"},"content":{"rendered":"<p>JOS\u00c9 ANT\u00d3NIO CARNEIRO<\/p>\n<p>Padre. Vig\u00e1rio paroquial da Gl\u00f3ria<\/p>\n<p>Diz o dicion\u00e1rio que \u201clucidez\u201d \u00e9 a \u201cqualidade do que \u00e9 l\u00facido\u201d. Mas poderemos ficar na mesma com esta resumida e ofusca defini\u00e7\u00e3o. Diz ainda que \u00e9 a \u201cclareza de racioc\u00ednio\u201d, e as coisas come\u00e7am a compor-se nas nossas cabe\u00e7as. N\u00e3o quero fazer apologia da \u201clucidez em demasia\u201d, porque \u201cdemasiada lucidez \u00e9 culpada num mundo de cegos, que com a cegueira se contemplam sem desastre de maior\u201d (Agustina Bessa-Lu\u00eds). Trato de procurar ver com clareza e realismo, com raz\u00e3o e com f\u00e9, com pensamento e com sentimento. <\/p>\n<p>Vivemos num tempo que n\u00e3o escolhemos viver, \u00e9 bem certo. Mas uma coisa \u00e9 certa: n\u00e3o temos outro tempo que n\u00e3o este que \u00e9 agora. Embora reconhe\u00e7a, sentida e lucidamente, que reduzir a exist\u00eancia ao agora \u00e9 t\u00e3o errado quanto querer retirar o agora do tempo que temos. <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de agora que o equil\u00edbrio \u00e9 virtude. Mas, d\u00e1-me tantas vezes a impress\u00e3o que equil\u00edbrio ou virtude s\u00e3o coisas que n\u00e3o nos interessam muito&#8230;<\/p>\n<p>Porque temos crise e ouvimos \u201cah, no meu tempo \u00e9 que era\u201d. Porque temos crise, diz-se \u00e0 boca cheia \u201cah, isto h\u00e1 de compor-se\u201d. Esquecemos facilmente que \u00e9 agora que se \u201cjoga\u201d o \u201cjogo\u201d da vida, \u00e9 agora que temos para viver. \u00c9 verdade que n\u00f3s esperamos ter \u201camanh\u00e3\u201d (esperan\u00e7a), sabemos que tivemos \u201contem\u201d (mem\u00f3ria) mas \u00e9 \u201choje\u201d (realidade) o meu tempo, \u00e9 agora a minha hora. Se h\u00e1 alguma coisa a fazer, pois n\u00e3o temos outra hora que n\u00e3o a de agora.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que o passado \u00e9 mestre e que a mem\u00f3ria n\u00e3o pode ser curta. Um e outra ensinam a distinguir\/discernir e a optar melhor. Mas \u00e9 agora que temos que fazer op\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Continuar a fazer as mesmas coisas de sempre e esperar que os resultados sejam diferentes n\u00e3o \u00e9 mais do que loucura e falta de lucidez. <\/p>\n<p>Querer fazer diferente, em si mesmo, n\u00e3o \u00e9 loucura. Pode ser aventura. Pode at\u00e9 bater-se com a cabe\u00e7a na parede, \u00e9 verdade, particularmente se nos faltar a esperan\u00e7a e a mem\u00f3ria, mas se n\u00e3o fizermos de hoje o nosso tempo &#8211; que \u00e9 esse que Deus nos d\u00e1 &#8211; que ficar\u00e1 do nosso tempo e da nossa passagem pela terra? De que serviu o passado? Que futuro se constr\u00f3i?<\/p>\n<p>Eu gostava de ser mais capaz de assumir o que tenho, e de n\u00e3o chorar \u201cas cebolas do Egito\u201d ou projetar futuros irrealistas.<\/p>\n<p>Gostava de reconhecer e aceitar as oportunidades que o tempo presente proporciona, \u00e0 sociedade e \u00e0 Igreja. <\/p>\n<p>Gostava de olhar para tr\u00e1s e aprender, mas de n\u00e3o ficar apenas atr\u00e1s&#8230;<\/p>\n<p>Gostava que o mundo &#8211; pelo menos onde eu estou &#8211; ficasse um pouco melhor com a minha ajuda.<\/p>\n<p>Gostava de n\u00e3o me demitir da miss\u00e3o e tarefa de ser sujeito, agente e promotor da constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor.<\/p>\n<p>Gostava tamb\u00e9m que a Igreja de Jesus Cristo, da qual fa\u00e7o parte, n\u00e3o perdesse a mem\u00f3ria do passado, que continuasse a fazer Mem\u00f3ria e em mem\u00f3ria do seu fundador, mas sabendo que o tempo para o fazer \u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Gostava&#8230; Gostava que a lucidez ainda tivesse lugar hoje, ainda que fosse apenas um laivo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JOS\u00c9 ANT\u00d3NIO CARNEIRO Padre. Vig\u00e1rio paroquial da Gl\u00f3ria Diz o dicion\u00e1rio que \u201clucidez\u201d \u00e9 a \u201cqualidade do que \u00e9 l\u00facido\u201d. Mas poderemos ficar na mesma com esta resumida e ofusca defini\u00e7\u00e3o. Diz ainda que \u00e9 a \u201cclareza de racioc\u00ednio\u201d, e as coisas come\u00e7am a compor-se nas nossas cabe\u00e7as. N\u00e3o quero fazer apologia da \u201clucidez em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-21286","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21286","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21286"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21286\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}