{"id":21329,"date":"2012-11-22T10:23:00","date_gmt":"2012-11-22T10:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21329"},"modified":"2012-11-22T10:23:00","modified_gmt":"2012-11-22T10:23:00","slug":"saber-estar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/saber-estar\/","title":{"rendered":"Saber estar"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 130 <!--more--> No campo da educa\u00e7\u00e3o, que abrange pais, encarregados de educa\u00e7\u00e3o, professores, padres e bispos, ordens religiosas, sobretudo se trabalham com jovens, h\u00e1 muitos aspetos a considerar, pois a educa\u00e7\u00e3o de um ser humano, \u00e9, sem d\u00favida, uma atividade necess\u00e1ria. Deus \u00e9 o nosso grande educador. Maria \u00e9 nossa M\u00e3e e educadora. A Igreja \u00e9 M\u00e3e e educadora em Jesus Cristo, o Mestre. Mas educar \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil, por vezes \u00e1rida, quantas vezes ingrata e sem reconhecimentos ou frutos evidentes, tarefa lenta, que exige perseveran\u00e7a de parte a parte, uma paci\u00eancia quase infinita. Um certo desinteresse at\u00e9 dos frutos, pois cada pessoa reage de modo singular e irrepet\u00edvel. Toler\u00e2ncia. Serenidade. Ci\u00eancia. Psicologia. Dedica\u00e7\u00e3o e esp\u00edrito de sacrif\u00edcio. Doa\u00e7\u00e3o incondicional no amor. Uma dose forte de esperan\u00e7a e de f\u00e9. Comunidade. Intelig\u00eancia. Saber abordar e respeito pelo indiv\u00edduo. Sentido da voca\u00e7\u00e3o. Enfim, uma infinidade de valores e capacidades deve revestir o educador de hoje.<\/p>\n<p>Ao lado da brandura, uma enorme firmeza de princ\u00edpios e exig\u00eancia, sem vacilar entre o sim e o n\u00e3o\u2026 \u00c9 dif\u00edcil educar e ser educado. Deus que o diga quando nos v\u00ea a cada um de n\u00f3s! Mas \u00e9 tarefa que abrange todos e cada um dos homens sem exce\u00e7\u00e3o. O bom exemplo tamb\u00e9m convence e \u00e9-nos exigido pelo mundo, pela autenticidade e pela verdade que devem tamb\u00e9m existir no educador aliado \u00e0 humildade e abertura do que recebe a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como padre, tenho visto como o nosso povo gosta que lhe expliquemos as coisas da f\u00e9, da psicologia e da vida com clareza e sem palavras e termos caros. Tenho visto que as pessoas gostam que lhes ensinem as regras da vida, da sociedade. Algumas t\u00e3o simples: como saber estar nos espa\u00e7os de modo conveniente, usar linguagem e termos adequados, vestir da maneira pr\u00f3pria do momento e dos espa\u00e7os, enfim, coisas elementares que at\u00e9 como regras da boa etiqueta social t\u00eam o seu lugar e o seu valor educador.<\/p>\n<p>Tenho visto que a maioria das pessoas reage positivamente quando lhes dizemos para guardar sil\u00eancio numa celebra\u00e7\u00e3o, vestir-se com dec\u00eancia usando uma echarpe, fazer bem a genuflex\u00e3o, ou observarmos sobre o lugar das chicletes na vida social, numa sala de aulas, numa igreja\u2026 Normalmente a ades\u00e3o \u00e9 grande, e se h\u00e1 rea\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias, tenho visto que isso se deve \u00e0 m\u00e1 inten\u00e7\u00e3o, \u00e0 mal\u00edcia de certas pessoas, a traumas de educa\u00e7\u00e3o, por vezes provocados pela pr\u00f3pria Igreja. Aprendi que quem fere \u00e9 porque j\u00e1 est\u00e1 ferido. Quem insulta, \u00e9 porque grita por compreens\u00e3o e desabafo. N\u00e3o acredito no homem verdadeiramente mau a n\u00e3o ser que seja movido pelo dem\u00f3nio ou por uma sucess\u00e3o de acontecimentos que foram endurecendo as suas almas, embora tamb\u00e9m haja pecado e mal\u00edcia, claro\u2026<\/p>\n<p>Gosto de educar. Gosto de educar com o sorriso e de ser educado por algu\u00e9m, que pode ser um paroquiano meu que me diz que errei ou devo reconsiderar esta ou aquela atitude. A arte de educar, de ser educado, de autoeducar-se \u00e9 uma obra divina em n\u00f3s e tende a forjar santos.<\/p>\n<p>O que me entristece \u00e9 ver, por vezes, o descurar da educa\u00e7\u00e3o, por medo da rea\u00e7\u00e3o, neglig\u00eancia ou indiferen\u00e7a, por parte de educadores, de pais a padres e movimentos da Igreja. Acho que uma palavra do Bispo ou do Magist\u00e9rio da Igreja em certos assuntos e momentos ajudava tanto\u2026 Falar fora da hora ou calar-se covardemente \u00e9 um pecado do educador, como falar mal, deselegantemente e sem ci\u00eancia tamb\u00e9m. Sobretudo sem amor.<\/p>\n<p>Ao almo\u00e7ar com um jovem pai, h\u00e1 dias, ele falava-se da crise de f\u00e9 da sua filha de 14 anos, que achava a Igreja uma seca e os crist\u00e3os tristes e azedos nas missas. A malta nova gosta de coisas mais mexidas, embora nem todos. O pai respondeu pedindo que a filha n\u00e3o se esquecesse que no seu crescimento nunca deveria descurar a sua vida espiritual, o seu interior, fosse como fosse.<\/p>\n<p>E um dia, quando a menina cantava para mais de 40 membros da fam\u00edlia, a qual alugou um autocarro para uma ida a F\u00e1tima &#8211; algo de magn\u00edfico, tratando-se de uma s\u00f3 fam\u00edlia -, ele ouviu  a m\u00fasica em ingl\u00eas e, no momento pr\u00f3prio, sugeriu-lhe que ela trocasse as palavras que cantara por aleluias, e em vez de \u201cI love you, my love\u201d, dissesse \u201cEu te amo, meu Deus\u201d, e perguntou-lhe que diferen\u00e7a encontraria, visto que a m\u00fasica n\u00e3o era t\u00e3o mexida como a que ela queria encontrar na Igreja\u2026 A menina ficou confusa na resposta, mas caiu forte, pois \u00e9 inteligente e os seus pais s\u00e3o gente que nem nas f\u00e9rias prescinde da sua Eucaristia dominical, como muitos que habitam nossa Diocese. Coisas pequenas? A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 isso: coisas pequenas que v\u00e3o formando gigantes.<\/p>\n<p>Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 130<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-21329","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21329"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21329\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}