{"id":21331,"date":"2012-11-22T10:28:00","date_gmt":"2012-11-22T10:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21331"},"modified":"2012-11-22T10:28:00","modified_gmt":"2012-11-22T10:28:00","slug":"repensar-o-estado-social-uma-emergencia-que-se-impoe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/repensar-o-estado-social-uma-emergencia-que-se-impoe\/","title":{"rendered":"Repensar o Estado Social, uma emerg\u00eancia que se imp\u00f5e"},"content":{"rendered":"<p>Estamos envolvidos por um barulho apocal\u00edtico onde h\u00e1 mais emo\u00e7\u00f5es e garganta que intelig\u00eancia e discernimento. As opini\u00f5es cruzam-se: que est\u00e3o a matar o Estado Social, que o querem esfrangalhar, que est\u00e1 a ser v\u00edtima de um ataque inaceit\u00e1vel\u2026 Todos sentimos e sabemos que o Estado Social \u00e9 uma realidade indispens\u00e1vel, uma exig\u00eancia democr\u00e1tica, um meio imprescind\u00edvel para que se possa realizar o bem comum e o apoio devido aos mais pobres, sem recursos pr\u00f3prios para o que \u00e9 essencial. <\/p>\n<p>Os gritos que por a\u00ed se ouvem n\u00e3o passam de demagogia barata, manifesta\u00e7\u00e3o de uma guerra partid\u00e1ria e manipula\u00e7\u00e3o do povo, agora fragilizado por necessidades concretas e, por isso, aberto \u00e0 influ\u00eancia de quem est\u00e1 bem, pensa em si e se sabe aproveitar daqueles que n\u00e3o est\u00e3o.<\/p>\n<p>O Estado Social, que depressa se tornou \u201cEstado Provid\u00eancia\u201d por influ\u00eancia dos pol\u00edticos que prometem tudo, mesmo o que sabem nunca poder dar, foi uma deriva p\u00e9ssima, um criar de ilus\u00f5es, uma linguagem onde abundam direitos sem deveres. Sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a social s\u00e3o campos a que o Estado Social deve prestar especial aten\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m pode esperar de um governo de qualquer cor, que seja uma inst\u00e2ncia miraculosa, detentora e administradora de um po\u00e7o sem fundo. O Estado Social tem duas vertentes complementares: por um lado os cidad\u00e3os chamados a cumprir os seus deveres fiscais e a colaborarem na ordem p\u00fablica e, por outro, o governo a ser realista, a sentir-se obrigado a administrar com justi\u00e7a os bens de todos, tendo em mente as normais exig\u00eancias do bem comum.<\/p>\n<p>De h\u00e1 muito, que pouco ou nada se fala do bem comum. \u00c9 que este \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0s formas de compadrio e favores a amigos. Talvez por isso mesmo. Assim, se manifesta um empobrecimento da democracia, um esvaziamento das estruturas sociais, a entrada em cena de um novo coletivismo e as mil tenta\u00e7\u00f5es de um totalitarismo disfar\u00e7ado. Quando o bem comum se apaga da mente e da pr\u00e1tica governativa, o desequil\u00edbrio social \u00e9 inevit\u00e1vel. <\/p>\n<p>Quando a economia perde a dimens\u00e3o social e s\u00f3 pensa em lucros para alguns, torna-se inumana e vai atirando o povo, com a apar\u00eancia de favores a prestar-lhe, para uma rampa perigosa. A banca passou a vender tudo, at\u00e9 ilus\u00f5es, dizendo aos clientes que \u00e9 poss\u00edvel comprar tudo o que se deseja porque ela empresta. A \u00e2nsia de ter e o pensar que o Estado Social \u00e9 inesgot\u00e1vel, qual divina provid\u00eancia, levou \u00e0 desgra\u00e7a muita gente que caiu no engodo. Se beneficiou, viu-se mais tarde a perder o que tinha e a descobrir a outra face dos bancos protetores, que n\u00e3o fazem caridade e t\u00eam uma pol\u00edtica unidimensional. Muitas reparti\u00e7\u00f5es mais parecem bazares tentadores, que inst\u00e2ncias de servi\u00e7o p\u00fablico. Uma concorr\u00eancia desleal para com aqueles que pagam os seus impostos. O Estado, porque n\u00e3o tem voca\u00e7\u00e3o para enfrentar gigantes, tornou-se impotente perante os grandes. Sempre foram os que, sem rosto, t\u00eam o dinheiro, que mandaram e continuam a mandar. Para quem s\u00f3 v\u00ea cifr\u00f5es, dinheiro \u00e9 poder.<\/p>\n<p>Chegamos ao ponto de o Estado, grande patr\u00e3o e porto que todos julgavam seguro, estar dependente de quem lhe empresta dinheiro. N\u00e3o se veem as pessoas a interrogar-se sobre as causas, mas a procurarem um bode expiat\u00f3rio, sem que se lembrem de que quem cegamente ataca hoje, amanh\u00e3 \u00e9 atacado por iguais raz\u00f5es.<\/p>\n<p>Este Estado Social, a tal ponto o levaram os partidos pol\u00edticos e os cidad\u00e3os que s\u00f3 pensam em si, se j\u00e1 tem presente dif\u00edcil, muito menos tem futuro. Mas, se ele \u00e9 indispens\u00e1vel ao conjunto nacional e muito especialmente aos cidad\u00e3os mais desfavorecidos, ou \u00e9 repensado por gente capaz de refletir e de abrir caminhos, ou as profecias catastr\u00f3ficas, por a\u00ed ouvidas e por alguns desejadas, acabar\u00e3o por dar certas.<\/p>\n<p>H\u00e1 que repensar o Estado Social para conjugar receitas com despesas, possibilidades com necessidades, realidade com projetos vi\u00e1veis, para tomar consci\u00eancia de que, na sociedade civil, na iniciativa privada e nas institui\u00e7\u00f5es h\u00e1 muitas capacidades n\u00e3o aproveitadas. Subsidiariedade n\u00e3o \u00e9 apenas uma palavra. Mais reflex\u00e3o, menos folclore. Nenhum governo \u00e9 omnisciente e omnipotente. Tem de ouvir e congregar. Nos anos de democracia tivemos ocasi\u00e3o de ver que todos e cada um dos governos das diversas cores pol\u00edticas passaram dificuldades. Os entraves vieram sempre do mesmo s\u00edtio. As mem\u00f3rias s\u00e3o curtas e, por isso, falta consci\u00eancia ao presente e o futuro n\u00e3o tem projetos. H\u00e1 gente no mundo da pol\u00edtica, pessoas e grupos, que nunca aceitou a l\u00f3gica democr\u00e1tica ou a aceitou apenas para os seus interesses. Sem esta l\u00f3gica, aceite e cumprida, cada vez h\u00e1 menos Estado Social e menos capacidade de o repensar. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos envolvidos por um barulho apocal\u00edtico onde h\u00e1 mais emo\u00e7\u00f5es e garganta que intelig\u00eancia e discernimento. 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