{"id":21337,"date":"2012-12-05T16:39:00","date_gmt":"2012-12-05T16:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21337"},"modified":"2012-12-05T16:39:00","modified_gmt":"2012-12-05T16:39:00","slug":"o-homem-tem-corpo-e-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-homem-tem-corpo-e-alma\/","title":{"rendered":"O homem tem corpo e alma?"},"content":{"rendered":"<p>Perguntas e respostas de antropologia teol\u00f3gica <!--more--> A pergunta \u00e9 feita por muitos e ganha pertin\u00eancia, nestes tempos que parecem oscilar num balanc\u00e9 que nos leva do extremo da fus\u00e3o na mat\u00e9ria \u00e0 fus\u00e3o no esp\u00edrito. Mas a resposta n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o \u00f3bvia como um olhar distra\u00eddo possa fazer crer.<\/p>\n<p>Para responder, comecemos por dar conta de que se se \u00abtem\u00bb alguma coisa \u00e9 porque existe um sujeito bem definido que exerce essa propriedade. Logo, esse algo que se tem \u00e9 exterior ao mesmo sujeito.<\/p>\n<p>Com este pressuposto, \u00e9 f\u00e1cil concluir que se o homem possuir \u00abcorpo\u00bb ou possuir \u00abalma\u00bb, ao falar do Homem estaremos a falar de algo diverso desse algu\u00e9m que possui. O que nos obriga a fazer uma escolha de entre duas op\u00e7\u00f5es: ou manter a linguagem e ent\u00e3o andaremos em busca do referido algu\u00e9m que possui esse corpo e essa alma ou, ent\u00e3o, corrigir a linguagem.<\/p>\n<p>E a op\u00e7\u00e3o da antropologia crist\u00e3 vai, sem margem para d\u00favidas, para a segunda op\u00e7\u00e3o. O homem n\u00e3o \u00abtem\u00bb corpo e n\u00e3o \u00abtem\u00bb alma, mas sim \u00ab\u00e9\u00bb corpo e \u00ab\u00e9\u00bb alma. <\/p>\n<p>Na verdade, num processo que se foi consolidando lentamente ao longo da hist\u00f3ria, a vis\u00e3o crist\u00e3 sobre o que seja o homem sempre se op\u00f4s a dois tipos de conce\u00e7\u00f5es opostas: a monista e a dualista. A conce\u00e7\u00e3o monista fundia o homem no corpo (reduzindo-o a pura manifesta\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, fora da qual nada h\u00e1) ou no esp\u00edrito, (transformando o homem numa esp\u00e9cie de anjo ca\u00eddo). A conce\u00e7\u00e3o dualista afirmava que corpo e alma eram, em si mesmos, duas subst\u00e2ncias independentes, que se uniam para a vida na terra e se separavam na morte. Esta segunda conce\u00e7\u00e3o considerava que a alma, enquanto subst\u00e2ncia em si, era a origem do bem, enquanto o corpo, como subst\u00e2ncia distinta, era causa do mal.<\/p>\n<p>Tais conce\u00e7\u00f5es foram reiteradamente recusadas pela teologia crist\u00e3, ainda que a tenta\u00e7\u00e3o de lhes ceder seja frequente.<\/p>\n<p>No equil\u00edbrio entre estas duas conce\u00e7\u00f5es opostas, o cristianismo sempre sustentou que corpo e alma n\u00e3o s\u00e3o subst\u00e2ncias distintas, mas princ\u00edpios de ser que n\u00e3o se podem conceber distintos e separados um do outro. O homem \u00e9 corpo \u2013 \u00e9 rela\u00e7\u00e3o com os outros, com o mundo, definido na sua identidade, contra todas as conce\u00e7\u00f5es que pretendem fundir o homem com uma esp\u00e9cie de energia c\u00f3smica. \u00c9 a corporeidade que suporta a identidade relacional; o homem \u00e9 alma, enquanto interioridade e abertura ao transcendente.<\/p>\n<p>Neste quadro, o corpo sai revalorizado, contra todas as tenta\u00e7\u00f5es de lhe atribuir a origem do mal. J\u00e1 a pr\u00f3pria antropologia paulina reconhece que n\u00e3o \u00e9 o corpo a origem do mal, mas o cora\u00e7\u00e3o do homem, isto \u00e9, o homem todo, nas suas escolhas e decis\u00f5es.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m a alma sai refor\u00e7ada enquanto dimens\u00e3o do homem que o torna distinto dos demais seres, em particular num tempo que pretende fundir a dignidade humana com a natureza animal, nada mais vendo do que uma pequena diferen\u00e7a na quantidade de genes que o tornam um entre iguais. <\/p>\n<p>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva<\/p>\n<p>Principais conceitos<\/p>\n<p>Antropologia Teol\u00f3gica \u2013 Disciplina da teologia que estuda o ser humano sob o ponto de vista da teologia, da revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3. S\u00e3o temas destra disciplina o ser humano enquanto criado por Deus, o par Homem\/Mulher, a dignidade humana, a liberdade, a felicidade e pecado, entre outros.<\/p>\n<p>Antropologia crist\u00e3 \u2013 Vis\u00e3o e conce\u00e7\u00f5es sobre o ser humano baseadas na revela\u00e7\u00e3o e tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p>Monismo \u2013 Do grego \u201cmon\u00f3s\u201d, sozinho, \u00fanico. Teoria filos\u00f3fica que defende que tudo (o universo, o ser humano, a mente) radica numa \u00fanica subst\u00e2ncia, dom\u00ednio, princ\u00edpio, geralmente a mat\u00e9ria (materialismo filos\u00f3fico). H\u00e1 monismos espiritualistas, mas s\u00e3o mais raros.<\/p>\n<p>Dualismo \u2013 Em sentido estrido, \u00e9 a conce\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica ou teol\u00f3gica que faz derivar de dois princ\u00edpios \u00faltimos irredut\u00edveis toda a realidade. O manique\u00edsmo, que diz que h\u00e1 dois princ\u00edpios opostos, o do Bem e o do Mal, \u00e9 um dualismo (o cristianismo afirma que h\u00e1 um s\u00f3 Deus, bom, fonte e origem de toda a realidade). O dualismo antropol\u00f3gico divide o ser humano em (ou diz que \u00e9 composto de) corpo e alma (ou esp\u00edrito ou mente).<\/p>\n<p>Antropologia paulina \u2013 Modo como o ap\u00f3stolo Paulo concebia o ser humano. Ele n\u00e3o exp\u00f4s nas suas cartas uma teoria sobre o ser humano, mas deduz-se das suas afirma\u00e7\u00f5es determinada vis\u00e3o do ser humano e da humanidade.<\/p>\n<p>Dignidade humana \u2013 Princ\u00edpio que afirma um alto valor moral e espiritual inerente a toda a pessoa humana, de todas as \u00e9pocas e geografias. Na vis\u00e3o crist\u00e3, a dignidade humana apoia-se fundamentalmente na cria\u00e7\u00e3o do ser humano \u201c\u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus\u201d e na reden\u00e7\u00e3o da humanidade por Jesus Cristo. Este princ\u00edpio, ainda que sem a afirma\u00e7\u00e3o expl\u00edcita dos seus fundamentos crist\u00e3os, est\u00e1 na base e abre a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p>Espa\u00e7o da responsabilidade do ISCRA &#8211; Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perguntas e respostas de antropologia teol\u00f3gica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-21337","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21337"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21337\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}