{"id":21338,"date":"2012-12-05T16:39:00","date_gmt":"2012-12-05T16:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21338"},"modified":"2012-12-05T16:39:00","modified_gmt":"2012-12-05T16:39:00","slug":"oracao-do-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/oracao-do-coracao\/","title":{"rendered":"Ora\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 132 <!--more--> Saiu h\u00e1 tempos um livro de t\u00edtulo \u201cRezar com o Cora\u00e7\u00e3o\u201d. Encontra-se nas livrarias cat\u00f3licas do nosso Portugal e sup\u00f5e a leitura de um outro, verdadeira obra cl\u00e1ssica da espiritualidade crist\u00e3 oriental russa:  \u201cRelatos de um peregrino russo\u201d. Este tem interesse nos quatro relatos dos sete que o livro cont\u00e9m, pois pensa-se que s\u00f3 os quatro primeiros s\u00e3o originais. Este, por sua vez, fala de uma outra obra de nome \u201cFilocalia\u201d, tamb\u00e9m publicada em Portugal. Vale a pena dedicar tempo a estas leituras, especialmente aos \u201cRelatos do peregrino\u201d e a \u201cRezar com o Cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No fundo, estas obras pretendem levar-nos \u00e0 ora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, pela consci\u00eancia progressiva da presen\u00e7a de Deus em n\u00f3s e o di\u00e1logo espont\u00e2neo com o Deus que nos habita. A finalidade \u00e9 essa; e o meio \u00e9 o exerc\u00edcio da chamada ora\u00e7\u00e3o de Jesus, que o P.e Marcelo Rossi tamb\u00e9m trouxe at\u00e9 n\u00f3s chamando-lhe \u201cter\u00e7o bizantino\u201d. Consiste em repetir, muitas vezes respeitando o movimento respirat\u00f3rio de inspira\u00e7\u00e3o e expira\u00e7\u00e3o, a frase b\u00edblica do publicano humilde que reza no fundo da sinagoga, ou do cego Bartimeu, ambos no Evangelho: \u201cJesus, Filho de Deus vivo, tente piedade de mim, pecador\u201d.<\/p>\n<p>Rezado com a inspira\u00e7\u00e3o, o nome de Jesus invade-nos como se Deus insuflasse em n\u00f3s a vida, como fez com Ad\u00e3o, e, ao expirarmos, o di\u00f3xido de carbono confunde-se com as impurezas interiores, ao pedir que Deus tenha piedade de n\u00f3s. Um movimento suave, interior, que mecanicamente funciona desse modo, mas que pretende algo de bem mais profundo: levar-nos a viver uma rela\u00e7\u00e3o amorosa com Deus.<\/p>\n<p>O nome de Jesus tem poder. J\u00e1 o diz S. Paulo na Carta aos Filipenses. Mas n\u00e3o um poder m\u00e1gico, ou de um mantra indiano. Os yogas orientais n\u00e3o s\u00e3o maus, mas distinguem-se da ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 pois aqueles pretendem o relaxamento psicol\u00f3gico e esta a transforma\u00e7\u00e3o interior da alma em vista \u00e0 santidade. A ora\u00e7\u00e3o de Jesus n\u00e3o \u00e9 mantra repetitivo, nem magia eficaz. \u00c9 di\u00e1logo de amor com Deus, por Seu Filho Jesus Cristo. Tamb\u00e9m relaxa, pois a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 antisstressante quando se trata de encontro de amor. Mas, sobretudo, transforma, pelo cuidado que vamos tendo, quase automaticamente, em conservar a consci\u00eancia da presen\u00e7a de Deus em n\u00f3s.<\/p>\n<p>Santa Teresa dizia que a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 um estar a s\u00f3s tratando de amizade com quem sabemos que nos ama\u2026 ou a consci\u00eancia da presen\u00e7a interior e amorosa de Deus nas nossas vidas. A ora\u00e7\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o pretende ser n\u00e3o uma ora\u00e7\u00e3o vocal, nem s\u00f3 mental. N\u00e3o movemos os l\u00e1bios, nem divagamos com o pensamento, mas um ser e estar diante de Deus, totalmente conscientes de estarmos com Ele, invocando, com a mesma intensidade e espontaneidade com que se respira, a miseric\u00f3rdia de Deus, por Seu Filho Jesus Cristo. N\u00e3o precisa de contas, embora elas tamb\u00e9m existam.<\/p>\n<p>Com um grupo que levei a Israel h\u00e1 anos, fizemos esse exerc\u00edcio: a cada peregrino foi entregue um ter\u00e7o de tecido com 33 contas. Ensinei a ora\u00e7\u00e3o de Jesus, e durante toda a viagem, as pessoas deveriam levar o ter\u00e7o consigo, rezando sem parar. Os que tomaram a s\u00e9rio ficaram admirados com o que se gerou no grupo e dentro de cada um. Se por um lado nos confundiam com mu\u00e7ulmanos ou com ortodoxos, que usam contas semelhantes, a rea\u00e7\u00e3o dos de fora foi magn\u00edfica e v\u00e1rios peregrinos vieram ter connosco a pedir que os ajud\u00e1ssemos a rezar, e muitos dos nossos ofereceram as suas contas\u2026 E cada peregrino de Aveiro sentiu que a visita aos lugares santos de Israel estava envolvida numa ambienta\u00e7\u00e3o especial. Parecia que visit\u00e1vamos a Terra Santa com o Senhor, ali do nosso lado, pois o di\u00e1logo tornou-se cont\u00ednuo, mesmo nos conv\u00edvios, refei\u00e7\u00f5es e momentos de passeio.<\/p>\n<p>A ora\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos maiores contributos da Igreja oriental \u00e0 Igreja ocidental. Bem dizia Jo\u00e3o Paulo II que a igreja deve respirar com os seus dois pulm\u00f5es, o do ocidente latino e o do oriente ortodoxo\u2026 E tinha raz\u00e3o. Afinal, o que \u00e9 rezar sen\u00e3o educar o cora\u00e7\u00e3o para Deus, sua vontade e seu amor?<\/p>\n<p>Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 132<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-21338","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21338","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21338"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21338\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21338"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21338"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21338"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}