{"id":21352,"date":"2012-12-12T12:10:00","date_gmt":"2012-12-12T12:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21352"},"modified":"2012-12-12T12:10:00","modified_gmt":"2012-12-12T12:10:00","slug":"principios-propostos-para-problemas-da-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/principios-propostos-para-problemas-da-sociedade\/","title":{"rendered":"Princ\u00edpios propostos para problemas da sociedade"},"content":{"rendered":"<p>A hierarquia da Igreja e os crist\u00e3os, em concreto os mais preparados e intervenientes, vivem, em cada tempo e, mais ainda nos tempos de crise, um inc\u00f3modo que pode redundar em tenta\u00e7\u00e3o ou em deixar correr. A Igreja, pela sua miss\u00e3o prof\u00e9tica, n\u00e3o se pode omitir ante os problemas da sociedade, mormente quando atingem as pessoas e destas as mais vulner\u00e1veis. Mas, de modo normal, n\u00e3o deve ir al\u00e9m de um apontar, de modo claro e como proposta, que tamb\u00e9m pode ser den\u00fancia, os princ\u00edpios, \u00e9ticos e morais, iluminadores de decis\u00e3o e a\u00e7\u00e3o para quem tem de decidir e agir. A sua compet\u00eancia n\u00e3o \u00e9 indicar solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas ou desenhar estrat\u00e9gias pol\u00edticas para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas em campo, devendo evitar tamb\u00e9m os ju\u00edzos cr\u00edticos generalizados. Mais se indica, para bem das pessoas e das comunidades, o caminho por onde, com alguma seguran\u00e7a, se pode ir ou n\u00e3o ir.<\/p>\n<p>As pessoas pedem e querem solu\u00e7\u00f5es e n\u00e3o h\u00e1 entrevista em que o jornalista n\u00e3o insista sobre o que, em concreto, faz ou deve fazer a Igreja. Este modo de agir vem de longe. Por um lado pode entender-se como confian\u00e7a e apre\u00e7o, mas o mais normal \u00e9 ser a express\u00e3o de um pragmatismo que esquece ou desconhece as compet\u00eancias de cada um. A Igreja n\u00e3o \u00e9 partido pol\u00edtico nem no governo, nem na oposi\u00e7\u00e3o  <\/p>\n<p>A humaniza\u00e7\u00e3o da sociedade e das rela\u00e7\u00f5es pessoais, espa\u00e7o em que a Igreja quer e deve tomar parte, n\u00e3o a pode colocar ao mesmo n\u00edvel dos governantes, das for\u00e7as pol\u00edticas, dos peritos em aspetos sociais e econ\u00f3micos. Tamb\u00e9m entre estes h\u00e1 crist\u00e3os que, pela sua a\u00e7\u00e3o e testemunho, devem colaborar nas melhores solu\u00e7\u00f5es. Mas fazem-no em nome pr\u00f3prio, n\u00e3o da hierarquia da Igreja, embora a sua forma\u00e7\u00e3o esteja baseada em valores humanos e evang\u00e9licos, para eles inspiradores de a\u00e7\u00e3o. As atividades seculares, familiares, profissionais e sociais, s\u00e3o campo da leg\u00edtima autonomia dos leigos, como crist\u00e3os no mundo e agentes respons\u00e1veis nas estruturas temporais. \u00c0 hierarquia da Igreja compete a proposta doutrinal de princ\u00edpios a respeitar, bem como o dever de proporcionar aos leigos meios de forma\u00e7\u00e3o acess\u00edveis, e de os ajudar a viver e a agir em colabora\u00e7\u00e3o com os outros agentes em campo, sempre conscientes do mundo plural em que vivemos. <\/p>\n<p>Como elementos de forma\u00e7\u00e3o disp\u00f5em os leigos do rico patrim\u00f3nio da Doutrina Social da Igreja, onde a clareza dos princ\u00edpios e a multiplicidade dos problemas refletidos \u00e9 ferramenta v\u00e1lida para o trabalho de interven\u00e7\u00e3o social a realizar em cada tempo e lugar. \u00c9 verdade que a complexidade dos problemas e o n\u00famero dos agentes num mundo globalizado, nem sempre facilita a reflex\u00e3o, nem avaliza a proposta.  Mas a Doutrina Social n\u00e3o se confina a um tempo e a um lugar. Os princ\u00edpios, para quem n\u00e3o cai na tenta\u00e7\u00e3o de os relativizar, dizem sempre muito mais e n\u00e3o se reduzem \u00e0 letra que simplesmente os prop\u00f5e.<\/p>\n<p>H\u00e1, por\u00e9m, uma tenta\u00e7\u00e3o real que surge quando os hierarcas dos diversos graus se metem pelos campos dif\u00edceis da politica e da economia e d\u00e3o pareceres e solu\u00e7\u00f5es que ultrapassam a sua compet\u00eancia. Pode acontecer, e n\u00e3o faltam exemplos de padres, mesmo entre n\u00f3s que, por via da sua compet\u00eancia no exerc\u00edcio de uma profiss\u00e3o, sempre foram ouvidos, como mestres, em quest\u00f5es que extravasavam o m\u00fanus espiritual, mas eram do seu campo profissional. Recordemos os Padres Manuel Antunes e Lu\u00eds Archer, ambos professores da Universidade de Lisboa, que permanecem vivos na hist\u00f3ria da escola onde ensinaram gera\u00e7\u00f5es, por for\u00e7a do seu pensamento e da sua cultura. <\/p>\n<p>Pelos princ\u00edpios que propugna e prop\u00f5e, h\u00e1 campos em que a Igreja atua, diretamente, dentro das regras estabelecidas. \u00c9 ocaso da a\u00e7\u00e3o social e da educa\u00e7\u00e3o, usando a\u00ed da compet\u00eancia de s\u00e9culos e do direito democr\u00e1tico que lhe assiste. Mas nada disto invalida o respeito pelo que lhe \u00e9 espec\u00edfico, de modo a que n\u00e3o pare\u00e7a uma for\u00e7a concorrente ao lado de outras, mas sempre uma inst\u00e2ncia moral que, nestes campos, n\u00e3o visa mais que a defesa dos direitos integrais das pessoas e das comunidades, a liberdade das mesmas e o seu leg\u00edtimo poder de op\u00e7\u00e3o e decis\u00e3o. A Igreja \u00e9, por vezes, uma for\u00e7a e uma voz inc\u00f3moda para os poderes pol\u00edticos com tend\u00eancia totalit\u00e1ria e para os poderes econ\u00f3micos, sejam eles coletivistas ou ultraliberais. Por isso, aparece sempre na afirma\u00e7\u00e3o e defesa persistente do bem comum, como primeiro objetivo de uma democracia representativa, na defesa equilibrada de todos os cidad\u00e3os, especialmente dos mais fragilizados e indefesos da sociedade. N\u00e3o se trata de um a\u00e7\u00e3o religiosa no sentido habitual, mas de um contributo social que s\u00f3 ser\u00e1 menosprezado pela cegueira preconceituosa dos que, acriticamente, reagem a tudo quanto lhes cheira a religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 sempre o bom senso a orientar, em cada momento, a proposta e a interven\u00e7\u00e3o dos que aparecem, sem disfarces, membros da hierarquia eclesi\u00e1stica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hierarquia da Igreja e os crist\u00e3os, em concreto os mais preparados e intervenientes, vivem, em cada tempo e, mais ainda nos tempos de crise, um inc\u00f3modo que pode redundar em tenta\u00e7\u00e3o ou em deixar correr. 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