{"id":21438,"date":"2012-11-14T16:26:00","date_gmt":"2012-11-14T16:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21438"},"modified":"2012-11-14T16:26:00","modified_gmt":"2012-11-14T16:26:00","slug":"antonio-capao-para-alem-do-epitafio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/antonio-capao-para-alem-do-epitafio\/","title":{"rendered":"Ant\u00f3nio Cap\u00e3o, para al\u00e9m do epit\u00e1fio"},"content":{"rendered":"<p>In Memoriam <!--more--> ARMOR PIRES MOTA<\/p>\n<p>Jornalista. Escritor<\/p>\n<p>Do epit\u00e1fio que cedo escreveu, como cedo veio a morrer (82 anos), a primeira quadra (quase) resume o que foi Ant\u00f3nio Cap\u00e3o: \u201cAqui jaz um homem que foi crente; \/ Lutou, estudou, a todos semelhante; \/Propriamente seu, nunca teve um instante, \/ Amou os animais, as plantas, toda a gente\u201d.<\/p>\n<p>Estudou Letras na Universidade de Coimbra, onde apresentou uma disserta\u00e7\u00e3o de licenciatura, de car\u00e1cter lingu\u00edstico e etnogr\u00e1fico, intitulada \u201cA Bairrada \u2013 Estudo hist\u00f3rico, etnogr\u00e1fico e lingu\u00edstico\u201d.<\/p>\n<p>Logo aqui ficou definida a \u00e1rea de sua especial predile\u00e7\u00e3o, que o havia de acompanhar a vida toda, vida ligada ao ensino (liceus da Covilh\u00e3, Figueira da Foz, Aveiro, Nampula, Mo\u00e7ambique, e Escola do Magist\u00e9rio de Aveiro) dela sobrando livros ou diversos estudos, publicados em revistas (\u201cLabor\u201d, \u201cAveiro e o seu Distrito\u201d) e jornais da regi\u00e3o, entre os quais o \u201cCorreio do Vouga\u201d. Homem de paix\u00f5es e de labor intenso, logrou fazer trabalhos que n\u00e3o envolveram apenas o territ\u00f3rio bairradino, mas tamb\u00e9m outras regi\u00f5es do pa\u00eds. Tamb\u00e9m os usos e costumes das gentes mo\u00e7ambicanas o haviam de apaixonar. Realizou v\u00e1rios inqu\u00e9ritos lingu\u00edsticos, etnogr\u00e1ficos e folcl\u00f3ricos. Algumas cr\u00f3nicas neste \u00e2mbito foram publicados em diversos jornais de Mo\u00e7ambique, onde inicialmente n\u00e3o teve vida f\u00e1cil, n\u00e3o s\u00f3 porque se fez acompanhar pela esposa e filhos, mas tamb\u00e9m porque foi atirado para outro liceu (mais no interior) que n\u00e3o constava da nomea\u00e7\u00e3o governamental (Louren\u00e7o Marques). N\u00e3o faltou sequer a persegui\u00e7\u00e3o da PIDE, dada a sua proximidade e liga\u00e7\u00e3o com o bispo D. Manuel Vieira Pinto. In\u00e9dita, desse tempo, \u00e9 a obra intitulada \u201cAspetos Etnogr\u00e1ficos de Mo\u00e7ambique \u2013 Contribui\u00e7\u00e3o para o Estudo do Homem Mo\u00e7ambicano\u201d. <\/p>\n<p>No \u00e2mbito da topon\u00edmia, publicou \u201cRelance Hist\u00f3rico-lingu\u00edstico sobre a Regi\u00e3o da Bairrada \u2013 Influ\u00eancias Ar\u00e1bicas\u201d (Pr\u00e9mio Regi\u00e3o da Bairrada, da AJEB, de que foi um dos fundadores). Nunca perdendo de vista o ch\u00e3o alde\u00e3o em que foi nado e criado e a regi\u00e3o (Bairrada e Aveiro), escreveu \u201cRel\u00edquias de Tecelagem\u201d, \u201cOs Moinhos da Nossa Regi\u00e3o\u201d, \u201cRoteiro Religioso do Concelho de Oliveira do Bairro\u201d, \u201cMem\u00f3rias Hist\u00f3ricas de S\u00e3o Rom\u00e3o de Vagos\u201d, \u201cOliveira do Barro \u2013 Terra Promissora\u201d, \u201c\u00c1gueda \u2013  Passado e Presente\u201d e \u201cBreve Hist\u00f3ria do meu Pa\u00eds\u201d, atrav\u00e9s da leitura de selos, uma das suas ternas paix\u00f5es, como era a de grande colecionador de conchas de que deixou exemplares rar\u00edssimos, entre centenas. Passava horas a admir\u00e1-las, enamorado da sua contextura e fez algumas exposi\u00e7\u00f5es para del\u00edcia de muitos.<\/p>\n<p>Interessado pela leitura dos forais, atrav\u00e9s dos quais se faz a hist\u00f3ria de algumas terras, meteu m\u00e3os a esta dif\u00edcil tarefa e fez publicar \u201cCarta Foral da Vila de Frossos\u201d, \u201cAs Cartas de Foral de Miranda do Corvo\u201d e \u201cCarta Foral de Oliveira do Bairro\u201d. <\/p>\n<p>Uma outra paix\u00e3o &#8211;  \u201cda natura inteira, elevado amante\u201d,  como escreveu em epit\u00e1fio &#8211; foi exatamente a natureza e, esvoa\u00e7ando, foram os p\u00e1ssaros que, espiando-os pousados nos ramos das \u00e1rvores ou em seus voos, conhecia um a um pelas cores e pelo canto. Do facto sobraram-lhe estudos  como \u201cO meu pa\u00eds das lib\u00e9lulas\u201d, onde d\u00e1 guita aos pensamentos, surgindo a natureza em todo o seu fulgurante beleza ou \u201cAves dos nossos quintais\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAqui jaz um homem que foi crente\u201d \u00e9 uma verdade que sempre assumiu de peito aberto e intelig\u00eancia clara. Sempre se dedicou a muitos servi\u00e7os dentro da igreja, \u201catuando como servidor no meio do povo de Deus e dentro das suas possibilidades\u201d, como se definiu. De entre as m\u00faltiplas tarefas que lhe foram atribu\u00eddas pelos bispos, uma foi professor no Semin\u00e1rio de Santa Joana Princesa, Aveiro.<\/p>\n<p>Incans\u00e1vel, deixou muitos trabalhos in\u00e9ditos de v\u00e1ria ordem, uns prontos h\u00e1 mais tempo, outros de produ\u00e7\u00e3o recente. O que nunca publicou em livro (apenas em jornais e n\u00e3o foi muita) foi a sua poesia, imensa poesia, de tra\u00e7o cl\u00e1ssico, vertida normalmente em quadras e sonetos. Entre estantes de livros, ou rimas deles na secret\u00e1ria, ali era a sua oficina liter\u00e1ria onde chegavam os rumores dos p\u00e1ssaros no jardim e a trepida\u00e7\u00e3o da rua, o alvoro\u00e7o dos netos e bisnetos. Os livros e o estudo, por um lado, e a escrita, por outro, sempre foram a sua companhia e deleite espiritual, sem que isso significasse fugir do mundo da fam\u00edlia e do amor paternal.<\/p>\n<p>Pedagogo, escritor, fil\u00f3logo, poeta, conferencista, autor de pe\u00e7as de teatro, jornalista, homem da cultura e cidad\u00e3o atento e exemplar, atestam o valor da sua obra e as suas m\u00faltiplas atividades e honrarias nacionais: foi s\u00f3cio da Sociedade Portuguesa de Antropologia, sediada do Porto, e membro da Academia Portuguesa de Hist\u00f3ria. <\/p>\n<p>Homens desta envergadura intelectual ficam sempre a fazer falta ao concelho e ao pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>In Memoriam<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-21438","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21438","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21438"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21438\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}