{"id":21439,"date":"2012-11-14T16:29:00","date_gmt":"2012-11-14T16:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21439"},"modified":"2012-11-14T16:29:00","modified_gmt":"2012-11-14T16:29:00","slug":"a-camisola-e-o-contentor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-camisola-e-o-contentor\/","title":{"rendered":"A camisola e o contentor"},"content":{"rendered":"<p>Educa\u00e7\u00e3o e Ambiente <!--more--> A experi\u00eancia recente de partilhar uma casa fez-me refletir de modo particular acerca dos meus h\u00e1bitos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que partilho alojamento com outras pessoas, e de diferentes nacionalidades. Mas \u00e9 a primeira vez que, de alguma forma, isso se traduz numa viv\u00eancia di\u00e1ria estranha \u2013 dif\u00edcil, em alguns aspetos.<\/p>\n<p>Se eu tenho que partilhar o mesmo contentor do lixo, o que dizer acerca daquela parte que pode(ria) ser reciclada?<\/p>\n<p>O que dizer da confus\u00e3o que se instala quando ao lixo org\u00e2nico (restos de comida) s\u00e3o adicionadas embalagens de pl\u00e1stico \u201caos montes\u201d?<\/p>\n<p>O que dizer da falta de f\u00e9 no sistema de reciclagem, transmitida por um colega de casa?<\/p>\n<p>O que dizer da minha forma habitual de atuar? Da minha convic\u00e7\u00e3o interior de que, mesmo sendo um gr\u00e3ozinho de areia num enorme areal, eu tenho um papel a desempenhar?<\/p>\n<p>Penso que o grande desafio \u00e9, acima de tudo, respeitar o outro. Respeit\u00e1-lo na sua viv\u00eanca, na sua cultura, nas suas convic\u00e7\u00f5es. Partilhar opini\u00f5es e dar a conhecer o meu ponto de vista, as minhas motiva\u00e7\u00f5es, mas sempre dando espa\u00e7o para a abertura e o di\u00e1logo. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Mas diria que n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>Talvez um dia o meu colega de casa \u2013 oriundo de um pa\u00eds onde a reciclagem aparentemente n\u00e3o \u00e9 h\u00e1bito corrente \u2013 veja com outros olhos as embalagens de pl\u00e1stico que, por ora, t\u00eam o caixote do lixo como destino.<\/p>\n<p>As caixas que embalam o anan\u00e1s aos peda\u00e7os, as uvas importadas do Brasil*, os bifes de frango e os vegetais, aos quais se juntam por vezes garrafas de pl\u00e1stico vazias, podem ser \u201cfonte de mat\u00e9ria prima\u201d.<\/p>\n<p>Cada pl\u00e1stico tem uma composi\u00e7\u00e3o diferente e, como tal, ter\u00e1 um uso final \u2013 depois de encaminhado para reciclagem &#8211; , diferente. Consoante o caso, poder\u00e1 servir para o fabrico de cal\u00e7\u00f5es, cal\u00e7as ou camisolas, mobili\u00e1rio, ou para o fabrico de estofos usados na ind\u00fastria autom\u00f3vel, por exemplo. O PET (abreviatura de Politereftalato de Etileno), quando reciclado, \u00e9 usado no enchimento de peluches. Outros tipos de pl\u00e1stico, como o PEAD (polietileno de alta densidade) e o PVC (policloreto de vinilo), ap\u00f3s reciclagem, s\u00e3o utilizados no fabrico de tubagens.<\/p>\n<p>Como exemplo recente, podemos aqui relembrar o equipamento utilizado pela selec\u00e7\u00e3o portuguesa no Euro 2012, feito a partir de uma m\u00e9dia de 13 garrafas de pl\u00e1stico: os cal\u00e7\u00f5es fabricados a partir de poli\u00e9ster 100% reciclado, e o tecido das camisolas com 96% deste material. Como? Bom, as garrafas de pl\u00e1stico s\u00e3o derretidas para produzir novos fios, que s\u00e3o posteriormente convertidos no tecido que permite criar os equipamentos. Este processo permite poupar mat\u00e9ria-prima e, simultaneamente, reduzir em cerca de 30% o consumo de energia, comparativamente com o fabrico de poli\u00e9ster virgem.<\/p>\n<p>Cabe a cada um de n\u00f3s, refletir se lhe faz ou n\u00e3o sentido separar e reciclar. J\u00e1 agora, talvez valha a pena relembrar a mat\u00e9ria prima que est\u00e1 na origem dos pl\u00e1sticos: o petr\u00f3leo**.<\/p>\n<p>*Na cidade inglesa onde me encontro temporariamente, a fruta importada chega acondicionada de forma bastante \u201cprotetora\u201d, numa embalagem de pl\u00e1stico dupla.<\/p>\n<p>**100 toneladas de pl\u00e1stico reciclado evitam a extrac\u00e7\u00e3o de 1 tonelada de petr\u00f3leo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educa\u00e7\u00e3o e Ambiente<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-21439","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21439","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21439"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21439\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21439"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21439"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21439"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}