{"id":21444,"date":"2012-11-22T10:28:00","date_gmt":"2012-11-22T10:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21444"},"modified":"2012-11-22T10:28:00","modified_gmt":"2012-11-22T10:28:00","slug":"jesus-ou-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/jesus-ou-cristo\/","title":{"rendered":"Jesus ou Cristo?"},"content":{"rendered":"<p>A correria da vida que levamos conduz-nos, muitas vezes, a somarmos estere\u00f3tipos de atua\u00e7\u00e3o, mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida crist\u00e3. A rotina das rubricas lit\u00fargicas, o subconsciente de f\u00f3rmulas doutrinais, a estratifica\u00e7\u00e3o dos dogmas facilmente nos fazem esquecer que o cerne da f\u00e9 \u00e9 um encontro com um acontecimento, com uma Pessoa.<\/p>\n<p>Acontecimento e pessoa enquadram-nos dentro do espa\u00e7o e do tempo, isto \u00e9, nas coordenadas da hist\u00f3ria. E Jesus, o Verbo eterno de Deus, fez-Se Homem e habitou entre n\u00f3s; \u201caniquilou\u201d a Sua divindade, escondendo-a no inv\u00f3lucro desta humanidade limitada que a todos nos caracteriza. <\/p>\n<p>Os textos evang\u00e9licos apresentam este acontecimento perfeitamente inserido na sua \u00e9poca, no seu ambiente cultural, num espa\u00e7o determinado, com m\u00faltiplas refer\u00eancias de pessoas e acontecimentos, que excluem qualquer hip\u00f3tese de inven\u00e7\u00e3o ou imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixam de ser relatos de f\u00e9 os textos b\u00edblicos. E a exalta\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o \u00fanica de Jesus como Messias de Deus, que supera o limite da natureza humana, a morte, desenvolve-se com tanto entusiasmo, anunciando-o como o Cristo glorioso, que a tenta\u00e7\u00e3o de esquecer a Sua humanidade \u00e9 um facto. Ainda que, curiosamente, dos primeiros relatos evang\u00e9licos a circular sejam os da paix\u00e3o e morte de Jesus &#8211; referenciais claramente hist\u00f3ricos e, na pr\u00e1tica, nada \u201cinteressantes\u201d para quem proclamava Cristo ressuscitado.<\/p>\n<p>Algumas comunidades primitivas cederam \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de esquecer a condi\u00e7\u00e3o humana de Jesus. A simplicidade do evangelho de Marcos atalha esta tenta\u00e7\u00e3o, fazendo-nos baixar ao Homem de Nazar\u00e9, que passou fazendo o bem. Corroborado pelos outros evangelistas e mesmo textos extrab\u00edblicos.<\/p>\n<p>A obra de Dan Brown, o C\u00f3digo de da Vinci, gerou um movimento em busca de um Jesus \u201chist\u00f3rico\u201d mas light, envolvido por uma vertente feminina da vida, movendo-se numa teia de mist\u00e9rios\u2026 Mas \u201cque n\u00e3o moleste, que n\u00e3o nos exija entrar em dimens\u00f5es novas da vida (estamos bem como estamos!)\u201d, despido do aspeto radical da Sua mensagem (an\u00fancio do Reino, cr\u00edtica social).<\/p>\n<p>A cristologia constru\u00edda ao longo de s\u00e9culos afastou-nos do obreiro de Nazar\u00e9, do ousado \u201cinvasor\u201d de Jerusal\u00e9m, sem ex\u00e9rcito nem armas, que caminha firme para o \u201cfracasso\u201d do Calv\u00e1rio, convicto de que Deus chegar\u00e1 a instaurar o Seu Reino. N\u00e3o ser\u00e1 a possibilidade de ativa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do ADN de Jesus, num laborat\u00f3rio de Nazar\u00e9, que far\u00e1 voltar o mesmo Jesus, para completar a Sua obra e resolver os problemas graves do nosso tempo, a come\u00e7ar pelos da Sua p\u00e1tria de nascimento. <\/p>\n<p>A kenose (ocultamento, aniquilamento) do glorioso Cristo na caducidade do humilde galileu Jesus fecundou irreversivelmente a precaridade do g\u00e9nero humano. A Sua supera\u00e7\u00e3o dos limites esp\u00e1cio-temporais &#8211; a ressurrei\u00e7\u00e3o &#8211; abriu definitivamente as portas para o crescimento do Reino. Todavia, importa voltar ao reconhecimento de Jesus de Nazar\u00e9, um acontecimento, uma Pessoa da nossa hist\u00f3ria, para perceber que viver a f\u00e9 \u00e9 viver como Ele viveu, \u00e9 dar-se, sem medida, \u00e0s causas a que Ele Se deu. Essa \u00e9 a nova evangeliza\u00e7\u00e3o! <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A correria da vida que levamos conduz-nos, muitas vezes, a somarmos estere\u00f3tipos de atua\u00e7\u00e3o, mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida crist\u00e3. A rotina das rubricas lit\u00fargicas, o subconsciente de f\u00f3rmulas doutrinais, a estratifica\u00e7\u00e3o dos dogmas facilmente nos fazem esquecer que o cerne da f\u00e9 \u00e9 um encontro com um acontecimento, com uma Pessoa. 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