{"id":21451,"date":"2012-12-12T12:05:00","date_gmt":"2012-12-12T12:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21451"},"modified":"2012-12-12T12:05:00","modified_gmt":"2012-12-12T12:05:00","slug":"a-fe-ensina-a-viver-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-fe-ensina-a-viver-melhor\/","title":{"rendered":"A f\u00e9 ensina a viver melhor?"},"content":{"rendered":"<p>A f\u00e9, manifestada em Jesus, ensina-nos a viver neste mundo. O nosso ponto de partida pode ser a passagem da Carta a Tito (Tt 2, 12), onde se diz a prop\u00f3sito de Jesus: \u201ca gra\u00e7a de Deus, fonte de salva\u00e7\u00e3o, manifestou-se a todos os homens, ensinando-nos a viver neste mundo\u201d.  Esta frase \u00e9 um desafio, antes de tudo, a tomarmos a s\u00e9rio a humanidade de Jesus como narrativa de Deus e do Homem. Nessa humanidade temos o caminho, a verdade e a vida.<\/p>\n<p>Hoje sentimos a necessidade muito grande de uma f\u00e9 orientada para a vida. De uma f\u00e9 que possa constituir uma arte de viver, um laborat\u00f3rio para uma exist\u00eancia aut\u00eantica e n\u00e3o apenas para a manuten\u00e7\u00e3o de um conjunto de pr\u00e1ticas fragment\u00e1rias. E precisamos reencontrar ou reinventar, a partir da f\u00e9, uma gram\u00e1tica do humano. A f\u00e9 \u00e9 um exerc\u00edcio muito concreto de confian\u00e7a na narrativa de Deus que Jesus nos relata com a sua pr\u00f3pria vida, com o seu pr\u00f3prio corpo, os seus gestos, o seu sil\u00eancio, a sua hist\u00f3ria, a po\u00e9tica da sua humanidade. Que se pode concluir ent\u00e3o? Que Deus, por exemplo, n\u00e3o bate a uma porta que n\u00f3s n\u00e3o temos, mas est\u00e1 \u00e0 nossa porta e bate; que Deus n\u00e3o est\u00e1 numa \u00e9poca passada ou futura simplesmente, mas Deus emerge no nosso presente hist\u00f3rico e \u00e9 a\u00ed (\u00e9 aqui!) que o encontro com Ele se torna para n\u00f3s decisivo. <\/p>\n<p>H\u00e1 um ensaio liter\u00e1rio de uma grande autora americana, Susan Sontag, onde ela se levanta contra a interpreta\u00e7\u00e3o, porque diz, \u201cO mundo encheu-se de coment\u00e1rios, j\u00e1 s\u00f3 vivemos de coisas em segunda m\u00e3o\u201d. De facto, cada vez estamos mais distantes da fonte, do original, do acontecimento, porque vivemos na novela dos coment\u00e1rios e das interpreta\u00e7\u00f5es. H\u00e1 sempre mais uma interpreta\u00e7\u00e3o que se sobrep\u00f5e, \u00e0 maneira de cascas de cebola. Mas o que \u00e9 a ess\u00eancia do (nosso) problema? O que \u00e9 o n\u00facleo fundamental? Isso como que nos escapa. E Sontag dizia que o que temos a fazer \u00e9 ensinar a ver melhor, a ouvir melhor, a saborear melhor, a tocar melhor. No fundo, a exercitar melhor a nossa humanidade. Uma f\u00e9 vivida aqui e agora \u00e9 tamb\u00e9m uma f\u00e9 que n\u00e3o se deixa capturar pelo labirinto epid\u00e9rmico dos meros coment\u00e1rios,  mas arrisca-se a construir como uma aventura na ordem do ser.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A f\u00e9, manifestada em Jesus, ensina-nos a viver neste mundo. O nosso ponto de partida pode ser a passagem da Carta a Tito (Tt 2, 12), onde se diz a prop\u00f3sito de Jesus: \u201ca gra\u00e7a de Deus, fonte de salva\u00e7\u00e3o, manifestou-se a todos os homens, ensinando-nos a viver neste mundo\u201d. Esta frase \u00e9 um desafio, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-21451","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21451","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21451"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21451\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}