{"id":21481,"date":"2013-01-16T16:54:00","date_gmt":"2013-01-16T16:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21481"},"modified":"2013-01-16T16:54:00","modified_gmt":"2013-01-16T16:54:00","slug":"de-que-falamos-ao-dizer-pecado-original-2-a-parte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/de-que-falamos-ao-dizer-pecado-original-2-a-parte\/","title":{"rendered":"De que falamos ao dizer &#8220;pecado original&#8221;? (2.\u00aa parte)"},"content":{"rendered":"<p>Perguntas e respostas de Antropologia Teol\u00f3gica &#8211; 4 <!--more--> Da semana passada: O teol\u00f3go J. L. Ruiz de la Pe\u00f1a resume a teologia do pecado original do Conc\u00edlio de Trento nos seguintes pontos: a) a exist\u00eancia do pecado original, \u2018morte da alma\u2019; b) que afeta interiormente a todos; c) do qual s\u00f3 nos pode libertar a gra\u00e7a de Jesus Cristo, comunicada pelo batismo; d) que este apaga totalmente quanto h\u00e1 de pecado no batizado, sendo que, por isso, a concupisc\u00eancia (uma tend\u00eancia que seduz o homem para o mal) remanescente ap\u00f3s o batismo n\u00e3o \u00e9 j\u00e1 pecado em sentido pr\u00f3prio nos batizados; e) e que a situa\u00e7\u00e3o universal de pecado tem como fator desencadeante a a\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de uma liberdade humana.<\/p>\n<p>A al\u00ednea c) afirma que \u00e9 Jesus Cristo o \u00fanico salvador, em que se opera, definitiva e exclusivamente, a salva\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, esta afirma\u00e7\u00e3o necessita de precis\u00e3o. Pode, hoje, afirmar-se que esta salva\u00e7\u00e3o acontece, exclusivamente, na Igreja Cat\u00f3lica, na medida em que ministra o batismo? O Vaticano II e a teologia contempor\u00e2nea obrigam a corrigir a resposta afirmativa simples. Na verdade, na Igreja Cat\u00f3lica subsiste esta salva\u00e7\u00e3o, mas os valores do Reino que Jesus Cristo traz pode encontrar-se tamb\u00e9m para al\u00e9m das fronteiras da Igreja. Rahner, para se referir a esta possibilidade de salva\u00e7\u00e3o para al\u00e9m destas fronteiras falava dos crist\u00e3os an\u00f3nimos: aqueles que, apesar de n\u00e3o serem crist\u00e3os, viviam honesta e fielmente de acordo com a sua consci\u00eancia.<\/p>\n<p>A al\u00ednea d) resulta da disputa com Lutero, que dizia que nem o batismo apagava o pecado existente no homem. Para a Igreja Cat\u00f3lica tal posi\u00e7\u00e3o poria em causa a efic\u00e1cia da salva\u00e7\u00e3o operada por Jesus Cristo. Por\u00e9m, havia sempre o problema de saber como entender, ent\u00e3o, a tend\u00eancia para o mal que continuava a manifestar-se. A esta tend\u00eancia deu-se a designa\u00e7\u00e3o de concupisc\u00eancia, ficando \u00e0 liberdade humana a possibilidade de n\u00e3o lhe ceder e permanecer sem pecado, ap\u00f3s o batismo.<\/p>\n<p>Por fim, a al\u00ednea e), que se refere ao pecado original originante, e que tem sido causa de disputas acesas, ap\u00f3s Darwin, deve entender-se com uma simula\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o se entender que o pecado come\u00e7a por decis\u00e3o humana inicial, da qual todos participam, a partir da\u00ed, que hip\u00f3teses restam: ou atribuir o mal a Deus (o que \u00e9 contradit\u00f3rio) ou atribuir \u00e0 vontade e livre arb\u00edtrio de cada um, o que n\u00e3o se compagina com a experi\u00eancia que todos fazemos da universalidade do pecado. O dogma do pecado original originante salvaguarda um equil\u00edbrio entre estas duas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Diante desta resposta, alguns perguntar\u00e3o: mas, afinal, quem \u00e9 Ad\u00e3o, perante esta explica\u00e7\u00e3o? \u00c9 toda a humanidade, em dois momentos diferentes. Primeiro, a humanidade toda enquanto pensada por Deus. Devia ser perfeita, aberta \u00e0 sua proposta. Mas, depois de se encontrar na hist\u00f3ria, a sua decis\u00e3o foi a de poder fechar-se a essa proposta. Essa decis\u00e3o, desde que a humanidade p\u00f4de abrir-se a Deus e n\u00e3o o fez, inaugurou uma nova e definitiva condi\u00e7\u00e3o de que exigia ser salva.<\/p>\n<p>Lu\u00eds Silva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perguntas e respostas de Antropologia Teol\u00f3gica &#8211; 4<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-21481","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21481","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21481"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21481\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21481"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21481"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21481"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}