{"id":21550,"date":"2013-01-16T17:04:00","date_gmt":"2013-01-16T17:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21550"},"modified":"2013-01-16T17:04:00","modified_gmt":"2013-01-16T17:04:00","slug":"um-apelo-que-frequentemente-fica-sem-resposta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-apelo-que-frequentemente-fica-sem-resposta\/","title":{"rendered":"Um apelo que frequentemente fica sem resposta"},"content":{"rendered":"<p>Sempre que nos chegam documentos importantes que se orientam para fomentar na vida das pessoas, valores humanos e morais, vem o apelo, expl\u00edcito ou impl\u00edcito, a que a mensagem passe a outros e se eduquem as novas gera\u00e7\u00f5es, com base nesses valores. Foi, assim, mais uma vez, com a mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz, que ele mesmo titulou \u201cBem-aventurados os construtores da paz\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 a terminar, vem o apelo do Papa em ordem a uma educa\u00e7\u00e3o a fazer nas fam\u00edlias e nas institui\u00e7\u00f5es, para uma cultura da paz, acrescentando a proposta de uma pedagogia a seguir pelo construtor da paz. \u00c9 este apelo final, a meu ver, aqui e noutros casos, que muitas vezes fica sem eco e resposta adequada. Deste modo, os melhores contributos educativos morrem nos pr\u00f3prios documentos ou servem apenas para quem os leu e depois arquivou, sem mastigar e sem ver como passar a palavra a quem a espera. Tudo, como se fosse uma carta pessoal e intransmiss\u00edvel.<\/p>\n<p>O proverbial individualismo e a indiferen\u00e7a pelo bem que se pode fazer e n\u00e3o se faz t\u00eam aqui uma forma clara de mostrar a sua face.<\/p>\n<p>A sociedade, cada vez mais carecida de uma educa\u00e7\u00e3o que proporcione valores s\u00f3lidos aos seus alicerces, est\u00e1, por falta dela, mais empobrecida e sem alma. <\/p>\n<p>Faltam educadores que sintam e tomem consci\u00eancia de que, pela sua a\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, passa o futuro de muita gente e a constru\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de uma sociedade humanizada e fraterna. H\u00e1 muitos educadores que sabem o caminho, lutam por segui-lo e se doem por verem que o muito que fazem \u00e9 destru\u00eddo por outros colegas, e, tamb\u00e9m, pela fam\u00edlia, pela rua, pela comunica\u00e7\u00e3o social, que n\u00e3o olha a meios para conseguir quem compre os seus produtos viciados.<\/p>\n<p>Muitas coisas b\u00e1sicas na educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o hoje, para muita gente, consideradas como valores a adquirir. Est\u00e3o neste rol atitudes comezinhas e normais, como o respeito pelo outro, o amor ao trabalho, a pontualidade, a verdade na vida, o gesto de gratid\u00e3o, a capacidade de escutar, o pedido de desculpa, a sauda\u00e7\u00e3o normal quando se chega ou sai\u2026 Estes gestos ajudam a tomar consci\u00eancia de que ningu\u00e9m vive s\u00f3 e n\u00e3o pode viver como se fosse senhor do mundo, anulando tudo e todos. A vida tamb\u00e9m \u00e9 depend\u00eancia m\u00fatua. Ao longo dela vamos vendo que todos precisamos uns dos outros.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um processo de media\u00e7\u00e3o. \u00c9 fruto de uma rela\u00e7\u00e3o pessoal que ajuda a crescer, a descobrir, a ponderar, a escolher, a decidir. N\u00e3o \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o de fora, sen\u00e3o em ordem aos que ainda n\u00e3o t\u00eam discernimento para a apreciar aquilo que se lhes ensina ou se lhes ajuda a fazer. Por\u00e9m, mesmo assim, n\u00e3o \u00e9 um ato mec\u00e2nico, mas pessoal que, atrav\u00e9s de pequenos gestos e atitudes, ajuda a criar h\u00e1bitos sadios para viver em sociedade, como higiene, respeito, gratid\u00e3o, relacionamento pessoal.<\/p>\n<p>O apelo da educa\u00e7\u00e3o para a paz, traduz-se, j\u00e1 desde crian\u00e7a, em aprendizagens de conviv\u00eancia normal, no seio da fam\u00edlia, na escola, na vizinhan\u00e7a. Esta educa\u00e7\u00e3o inicial e em terreno normal, ajuda, mais tarde, a perceber que h\u00e1 valores em causa a respeitar e a praticar, e h\u00e1 objetivos que se imp\u00f5em e dos quais se deve ter consci\u00eancia como a rela\u00e7\u00e3o sadia com conhecidos e desconhecidos, a procura do bem ao alcance de todos, a pr\u00e1tica da justi\u00e7a social, o combate a todas formas de descrimina\u00e7\u00e3o e de guerra. Neste objetivo tem papal primordial import\u00e2ncia a fam\u00edlia. \u201cNa fam\u00edlia nascem e crescem, como sublinha o Papa, os construtores da paz, os futuros promotores de uma cultura da vida e do amor.\u201d<\/p>\n<p>Para a Igreja, a educa\u00e7\u00e3o para a paz est\u00e1 inserida na educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9. Uma f\u00e9 orientada para Jesus Cristo, Pr\u00edncipe da paz. O encontro com Cristo, sua Pessoa e mensagem, \u201cplasma os construtores da paz, comprometendo-os na comunh\u00e3o e na supera\u00e7\u00e3o da injusti\u00e7a\u201d. Por aqui passa, ao mesmo tempo, \u201co renascimento pessoal e moral das pessoas e das sociedades\u201d. Sempre que na hist\u00f3ria, a Igreja se gastou em guerras, mais pensou e se orientou pelo seu prest\u00edgio social, por demais ef\u00e9mero, que pela fidelidade a Jesus Cristo, Servo e Obreiro de paz entre todos e a favor de todos. <\/p>\n<p>A mensagem do Papa, pela sua atualidade e pelo mundo de injusti\u00e7as e desaven\u00e7as em que vivemos, merece, de imediato, que dela, nas\u00e7am, nas par\u00f3quias, institui\u00e7\u00f5es e  movimentos apost\u00f3licos, programas educativos concretos para educar para a paz, a implementar nas diversas atividades. Se assim n\u00e3o for, ser\u00e1 mais um apelo urgente que fica sem resposta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre que nos chegam documentos importantes que se orientam para fomentar na vida das pessoas, valores humanos e morais, vem o apelo, expl\u00edcito ou impl\u00edcito, a que a mensagem passe a outros e se eduquem as novas gera\u00e7\u00f5es, com base nesses valores. 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