{"id":2156,"date":"2010-07-21T17:06:00","date_gmt":"2010-07-21T17:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2156"},"modified":"2010-07-21T17:06:00","modified_gmt":"2010-07-21T17:06:00","slug":"o-dever-da-indignacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-dever-da-indignacao\/","title":{"rendered":"O \u00abdever da indigna\u00e7\u00e3o\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Domingo XVII do Tempo Comum &#8211; Ano C<\/p>\n<p>A indigna\u00e7\u00e3o prov\u00e9m do sentimento de justi\u00e7a, ao levantar a voz contra situa\u00e7\u00f5es escandalosas. O mal pode vir de todas as partes, por vezes de onde menos se espera. E se n\u00e3o levantamos os problemas, como \u00e9 que estes se podem resolver? Por\u00e9m, n\u00e3o basta gritar: \u00e9 preciso agir. Os nossos bons prop\u00f3sitos s\u00f3 ser\u00e3o levados a s\u00e9rio se dermos exemplo de querer modificar aquilo que est\u00e1 mal (tamb\u00e9m em n\u00f3s). E se queremos gritar a nossa indigna\u00e7\u00e3o, temos que o fazer \u201c\u00e0 dimens\u00e3o humana\u201d, ou seja, como seres racionais.<\/p>\n<p>A indigna\u00e7\u00e3o revela a liga\u00e7\u00e3o dos seres humanos a uma dimens\u00e3o misteriosa, a uma esp\u00e9cie de mundo perfeito que lamentamos n\u00e3o conseguir realizar, mas que mant\u00e9m e orienta a esperan\u00e7a da nossa ac\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 a mesma liga\u00e7\u00e3o \u00e0 chamada transcend\u00eancia e \u00e0 experi\u00eancia de que a realidade n\u00e3o \u00e9 apenas \u00abisto\u00bb, mas que h\u00e1 \u00abum lado de l\u00e1 para tudo isto\u00bb. Um lado de l\u00e1 t\u00e3o estranho que \u00e9 tamb\u00e9m o fundamento de \u00abtudo isto\u00bb.<\/p>\n<p>Para Abra\u00e3o este \u00abfundamento\u00bb \u00e9 o Deus da B\u00edblia \u2013 e que nunca deixou de ser estranho para a raz\u00e3o e para os afectos. O importante \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 uma ideia vaga \u2013 at\u00e9 pode ser tratada como uma pessoa, t\u00e3o real que podemos discutir com ela. <\/p>\n<p>Abra\u00e3o indigna-se, perante Deus, por este permitir que os justos sofram o castigo dos injustos, e n\u00e3o cede perante a \u201cintransig\u00eancia\u201d de Deus: como bom homem de neg\u00f3cios, regateia fortemente, e Deus teve que lhe dar a entender que j\u00e1 estava a dar o pre\u00e7o m\u00ednimo. Nos salmos, nos profetas, no Livro de Job, por exemplo, s\u00e3o in\u00fameras as passagens em que o Homem se revolta por vezes at\u00e9 contra Deus, ao ver a injusti\u00e7a do sofrimento, da morte, da \u201cvida boa\u201d dos desonestos em contraste com o insucesso dos que procuram ser honestos. E queixam-se a Deus, porque Ele parece um Deus silencioso. O sil\u00eancio de Deus \u00e9 sempre angustiante.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m os disc\u00edpulos estavam mortinhos por se saberem ligar com Deus, com o \u00e0-vontade de Jesus. E ent\u00e3o Jesus ensinou-os a orar \u2013 deu-lhes um \u00abgui\u00e3o\u00bb que os ajudasse a cumprir o dever da indigna\u00e7\u00e3o, como slogans a serem agitados sem cansar. Porque para Deus n\u00e3o pode haver momentos importunos para orar. Junto de Deus, orar \u00e9 gritar a nossa indigna\u00e7\u00e3o, reconhecendo assim que Deus \u00e9 o grande motor dos nossos desejos e da nossa luta pela justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Nascera o \u00abPai nosso\u00bb.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o de S. Lucas \u00e9 mais sint\u00e9tica: e o primeiro slogan \u00e9 uma palavra s\u00f3: \u00abPai\u00bb. \u00c9 a indigna\u00e7\u00e3o contra o desespero. Tradicionalmente, a palavra \u00abpai\u00bb designa a jun\u00e7\u00e3o perfeita de amor e poder \u2013 infelizmente, na hist\u00f3ria da humanidade, a balan\u00e7a inclinou-se perigosamente para o poder (tamb\u00e9m pela limita\u00e7\u00e3o da palavra \u00abpai\u00bb) e disto sentimos os efeitos, a muitos n\u00edveis\u2026 A investiga\u00e7\u00e3o em psicologia religiosa mostra que a Deus se atribuem tanto caracter\u00edsticas masculinas como femininas \u2013 a plenitude desejada para o ser humano.<\/p>\n<p>\u00abSantificado o teu nome\u00bb, ou seja, que a gente descubra que \u00e9s um amigo especial e at\u00e9 estranhamente amigo (mas \u00abentre amigos n\u00e3o h\u00e1 geringon\u00e7a\u00bb!)<\/p>\n<p>\u00abVenha o teu reino\u00bb, embora seja dif\u00edcil de entender. N\u00e3o pedimos mudan\u00e7as de Governo (embora seja bom que as haja) mas que a sociedade humana se deixe reger pela tal uni\u00e3o perfeita de amor e poder. S\u00f3 sob a ac\u00e7\u00e3o desse \u00abreino\u00bb, \u00e9 que iremos criando uma \u00abaldeia global\u00bb onde haja \u00abtrabalho e p\u00e3o para todos\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abFora com os pecados!\u00bb N\u00e3o se diz \u00abcom os pecadores\u00bb, justamente porque temos telhados de vidro, e s\u00f3 h\u00e1 conveni\u00eancia em nos darmos bem. \u00abPecado\u00bb significa \u00abfalha\u00bb no esfor\u00e7o para que tudo ande melhor.<\/p>\n<p>Um cartaz mais pequenito diz que a gente tamb\u00e9m esquece as falhas dos outros e mal ficaria que Deus n\u00e3o fosse melhor que n\u00f3s\u2026 \u00c9 um slogan de compromisso em saber enfrentar as manifesta\u00e7\u00f5es do mal, aperfei\u00e7oando atitudes e comportamentos de correc\u00e7\u00e3o (nos outros e em n\u00f3s pr\u00f3prios, \u00e9 claro).<\/p>\n<p>\u00abAbaixo as tenta\u00e7\u00f5es!\u00bb \u00c9 que muitas vezes a gente n\u00e3o se sente nada segura e a culpa parece mais de Deus do que nossa\u2026 H\u00e1 que gritar bem alto, para que Ele nos fa\u00e7a ver como as coisas s\u00e3o por dentro, e que muitas tenta\u00e7\u00f5es s\u00e3o o resultado da gente n\u00e3o se indignar como devia\u2026<\/p>\n<p>E o cortejo continua\u2026<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-2156","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2156"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2156\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}