{"id":21577,"date":"2013-01-09T18:12:00","date_gmt":"2013-01-09T18:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21577"},"modified":"2013-01-09T18:12:00","modified_gmt":"2013-01-09T18:12:00","slug":"criticas-e-denuncias-vagas-nao-sao-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/criticas-e-denuncias-vagas-nao-sao-caminho\/","title":{"rendered":"Cr\u00edticas e den\u00fancias vagas n\u00e3o s\u00e3o caminho"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 verdade que a hierarquia da Igreja, por fidelidade \u00e0 sua miss\u00e3o, n\u00e3o pode passar ao lado dos problemas sociais do pa\u00eds, mormente dos que mais afetam a vida dos cidad\u00e3os. H\u00e1 sempre uma palavra que pode ou deve dizer-se ou uma reflex\u00e3o a propor, apoiada nos objetivos da doutrina social da Igreja para a ordena\u00e7\u00e3o da sociedade. Nada disto dispensa o respeito pela autonomia do Estado laico e pelo seu direito de decidir, em fun\u00e7\u00e3o do conjunto da comunidade, tendo em conta que o Estado \u00e9 laico, mas o povo, no seu conjunto, n\u00e3o o \u00e9. Deste modo, fazer cr\u00edticas e den\u00fancias vagas, como ouvimos a gente respons\u00e1vel, n\u00e3o parece ser o caminho certo.<\/p>\n<p>A hierarquia eclesi\u00e1stica n\u00e3o pode esquecer que, se h\u00e1 uma crise social no pa\u00eds, em parte causada por a\u00e7\u00f5es e omiss\u00f5es de governantes das \u00faltimas d\u00e9cadas e pela conjuntura internacional que nos afeta, a Igreja, em si mesma, nos seus objetivos pastorais e nos meios de que disp\u00f5e, vive tamb\u00e9m uma crise grave para que n\u00e3o se vislumbra sa\u00edda f\u00e1cil. Ora, quem tem telhados de vidro deve ser cauteloso ao atirar pedras.<\/p>\n<p>A crise da Igreja \u00e9 por demais manifesta. N\u00e3o \u00e9 crise de morte, mas tamb\u00e9m n\u00e3o se resolve por milagre, por proclama\u00e7\u00f5es de boa vontade e por empurr\u00f5es de poderes exteriores, por apontar para fora. O problema est\u00e1 diagnosticado. H\u00e1 que encar\u00e1-lo e atender \u00e0s suas causas.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de uma situa\u00e7\u00e3o recente e passageira. Paulo VI falou, de modo claro, do div\u00f3rcio entre a f\u00e9 e a cultura moderna. Com esta advert\u00eancia o problema maior da Igreja ficou na pra\u00e7a p\u00fablica. Ela assumiu que, fruto das mudan\u00e7as sociais e culturais e da rotina pastoral que arrastava h\u00e1 s\u00e9culos, a crise se tornava permanente e a sua condi\u00e7\u00e3o passou a ser de luta e sofrimento para dar testemunho da verdade em que acredita e prop\u00f5e, e ser sinal cred\u00edvel de reconcilia\u00e7\u00e3o e salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Vaticano II foi um grito de alerta e de proposta de caminhos novos. A Igreja sentiu-se Povo de Deus e n\u00e3o inst\u00e2ncia clerical. O grito conciliar acordou a sociedade, atenta e desperta para o fermento renovador que se anunciava. O prop\u00f3sito de Jo\u00e3o XXIII chegara longe e o seu sentido n\u00e3o deixava d\u00favidas. Paulo VI foi timoneiro esfor\u00e7ado no meio de tempestades dispens\u00e1veis. Jo\u00e3o Paulo II levou aos lugares mais remotos do planeta o projeto conciliar, e Bento XVI, na mesma rota, recordou que o Vaticano II, \u00e9 hoje b\u00fassola e farol para a Igreja. Por\u00e9m, passados cinquenta anos, parece que se est\u00e1 a recuar, que os nost\u00e1lgicos de formas velhas voltam \u00e0 ribalta, que em vez de um esfor\u00e7o evangelizador s\u00e9rio se abrem portas a express\u00f5es ligeiras e f\u00e1ceis de uma pastoral inconsequente.<\/p>\n<p>Que h\u00e1 vida na Igreja ficou claro com o testemunho das suas institui\u00e7\u00f5es sociais na primeira linha de apoio aos mais pobres e aos atingidos pela crise. Mas a vida da Igreja n\u00e3o se identifica com tarefas ocasionais. Centra-se toda ela num permanente esfor\u00e7o evangelizador, an\u00fancio e proposta de Jesus Cristo, que d\u00e1 sentido de vida e de fecundidade aos crentes e \u00e0s atividades pastorais e apost\u00f3licas.<\/p>\n<p>A crise da Igreja no exerc\u00edcio da sua miss\u00e3o \u00e9 mais profunda que a da sociedade. \u00c9 crise das pessoas que n\u00e3o aceitam converter-se, nem t\u00eam para isso propostas que as motivem, crise de insensibilidade ao essencial, cansa\u00e7o ante as dificuldades, tenta\u00e7\u00e3o de um individualismo est\u00e9ril, esp\u00edrito de profissionalismo do sagrado, falta de sinais cred\u00edveis, pessoais e comunit\u00e1rios, crise provocada pela falta de reflex\u00e3o e di\u00e1logo.<\/p>\n<p>N\u00e3o faltam quem reme no sentido certo mas nem sempre com quem a acompanhe. A Igreja \u00e9 mais \u00fatil \u00e0 sociedade na medida em que olha para si e se empenha a s\u00e9rio na sua pr\u00f3pria renova\u00e7\u00e3o. A sua singularidade n\u00e3o \u00e9 a de um sindicato nem partido. As suas cr\u00edticas e den\u00fancias n\u00e3o podem ser vagas, mas sempre visando o fundamental, quando n\u00e3o respeitado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 verdade que a hierarquia da Igreja, por fidelidade \u00e0 sua miss\u00e3o, n\u00e3o pode passar ao lado dos problemas sociais do pa\u00eds, mormente dos que mais afetam a vida dos cidad\u00e3os. 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