{"id":21582,"date":"2013-01-16T16:57:00","date_gmt":"2013-01-16T16:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21582"},"modified":"2013-01-16T16:57:00","modified_gmt":"2013-01-16T16:57:00","slug":"papa-viver-ha-que-ter-jeito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/papa-viver-ha-que-ter-jeito\/","title":{"rendered":"Papa viver h\u00e1 que ter jeito!"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more-->  M\u00e3e de Jesus tinha mesmo jeito para levar o filho! At\u00e9 fez de conta que n\u00e3o se lembrava do que lhe tinha custado v\u00ea-lo a fugir de casa aos 12 anos, e da estranha resposta com que ele se justificou, ao estilo de um adolescente cheio de si. E agora, homem feito, volta a mostrar-se long\u00ednquo\u2026 (e n\u00e3o se ficou por esta: quando um dia lhe vieram dizer que a m\u00e3e e irm\u00e3os o procuravam, respondeu que \u00abquem fizer a vontade de meu Pai que est\u00e1 no C\u00e9u, esse \u00e9 que \u00e9 meu irm\u00e3o, minha irm\u00e3 e minha m\u00e3e\u00bb \u2013 Mateus 12, 46-50). Sinceramente: no meio de uma festa de casamento, n\u00e3o poderia falar com mais jeitinho com a m\u00e3e \u2013 logo ele que foi conhecido por ser de boas palavras com toda a gente?<\/p>\n<p>Contudo, a resposta de Jesus era corrente (e ainda \u00e9) para dizer que o assunto n\u00e3o lhes dizia respeito (o termo \u00abmulher\u00bb n\u00e3o era depreciativo na cultura grega, em cuja l\u00edngua foi escrito o Novo Testamento) e que n\u00e3o parecia o momento oportuno para agir.<\/p>\n<p>Por outro lado, nesta passagem, \u00e9 expressivamente destacado, pela positiva, o jeito singelo e feminino da M\u00e3e de Jesus e como as dicas que ela deixou aos serventes revelam plena confian\u00e7a na bondade, intelig\u00eancia e poder do seu filho. E no final, como n\u00e3o podia deixar de ser \u2013 ou n\u00e3o haveria hist\u00f3ria\u2026 \u2013 o melhor vinho foi o que resultou desta conversa!<\/p>\n<p>Simbolizava-se, assim, a supremacia da \u00abboa nova\u00bb trazida por Cristo. Ali\u00e1s, para o autor do 4.\u00ba evangelho, a dimens\u00e3o simb\u00f3lica das palavras e dos factos \u00e9 fundamental: o que interessa s\u00e3o as ideias e valores veiculados no que foi descrito como um facto (mais ou menos hist\u00f3rico) \u2013 e o que importava sublinhar era o sentido da miss\u00e3o de Jesus como \u00abo Cristo (o Ungido, o Eleito) de Deus\u00bb.<\/p>\n<p>Uma li\u00e7\u00e3o desta cena pitoresca \u00e9 que nos devemos acautelar com a inger\u00eancia de familiares ou de amigos, quando pode ficar em causa o bem comum \u2013 \u00e9 o bem comum que permite as melhores respostas \u00e0s conveni\u00eancias pessoais.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m se fala, neste domingo, da \u00abnova Jerusal\u00e9m\u00bb: dela diz Isa\u00edas que se h\u00e3o-de invejar a justi\u00e7a e a gl\u00f3ria. O termo hebraico traduzido por \u00abgl\u00f3ria\u00bb significa o \u00abpeso\u00bb de uma coisa, o seu valor real, a sua import\u00e2ncia; o renome e a fama s\u00e3o apenas uma consequ\u00eancia. O termo \u00abjusti\u00e7a\u00bb aplica-se a Deus como modelo supremo de toda a integridade; e aplica-se aos outros seres na medida em que estes reflectem a justi\u00e7a divina. \u00c9 esta a cidade humana \u00abcom que Deus quer casar\u00bb: uma cidade onde os habitantes se esfor\u00e7am por melhorar os seus pr\u00f3prios dons, que, quanto mais diversos, maior riqueza total ir\u00e3o produzir (2.\u00aa leitura). <\/p>\n<p>Deus revela-se o maior f\u00e3 poss\u00edvel do amor humano: trata essa \u00abcidade\u00bb como a namorada que um dia h\u00e1-de ser sua noiva (apesar de muitas vezes ser infiel \u2013 basta ler os Profetas!); e Jesus compara o reino de Deus \u00e0 mais festiva das bodas (Mateus 22, 1-14). <\/p>\n<p>No evangelho de hoje, Jesus como que \u00e9 for\u00e7ado, pelas perip\u00e9cias de um vulgar casamento, a \u00abmostrar o que vale\u00bb. Nos termos do pr\u00f3prio evangelista, deu-se aqui \u00abo come\u00e7o dos sinais\u00bb de Jesus \u2013 \u00e9 o \u00fanico evangelista em que o conceito de \u00abmilagre\u00bb \u00e9 expresso pelo termo \u00absinal\u00bb (em grego \u00absemeion\u00bb, donde deriva \u00absem\u00e2ntica\u00bb). Enquanto \u00abmilagre\u00bb foca a aten\u00e7\u00e3o na estranheza do acontecimento (ou na manifesta\u00e7\u00e3o de \u00abpoder\u00bb), \u00absinal\u00bb aponta directamente para outra realidade que importa conhecer para n\u00e3o trabalharmos apenas com as apar\u00eancias. <\/p>\n<p>O casamento \u00e9 a festa do confronto entre a riqueza do homem e a riqueza da mulher, gerando novas combina\u00e7\u00f5es e virtualidades, a caminho de uma tamb\u00e9m nova humanidade. \u00c9 a combina\u00e7\u00e3o dos jeitos. N\u00e3o h\u00e1 projectos s\u00e3os e duradoiros sem honesta uni\u00e3o de projectos pessoais e sem cultivar a alegria \u2013 para o que d\u00e1 jeito o bom vinho quando usado com jeito\u2026 <\/p>\n<p>A abund\u00e2ncia de vinho \u00e9, na B\u00edblia, s\u00edmbolo de uma \u00e9poca florescente. E o vinho aparece no princ\u00edpio e no fim (\u00faltima ceia) dos evangelhos: como s\u00edmbolo estimulante da vida, da amizade e do amor e do \u00abtestemunho de sangue\u00bb de quem viveu a abrir horizontes e a fomentar estrat\u00e9gias de paz e de alegria (ideias t\u00e3o batidas como levadas pouco a s\u00e9rio), e a construir uma cidade onde os seres humanos descobriram o jeito de se sentar \u00e0 mesa com o pr\u00f3prio Deus.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-21582","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21582"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21582\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}