{"id":21614,"date":"2012-12-12T11:58:00","date_gmt":"2012-12-12T11:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21614"},"modified":"2012-12-12T11:58:00","modified_gmt":"2012-12-12T11:58:00","slug":"homenagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/homenagem\/","title":{"rendered":"Homenagem"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 133 <!--more--> Ser padre \u00e9 um chamamento. \u00c9 um dom, uma maneira de ser na vida para a santidade a partir da gra\u00e7a do batismo. Mais belo que outras maneiras de ser? N\u00e3o creio. A beleza da vida est\u00e1 no modo como cada um de n\u00f3s a vive ou a desvive. E a fealdade existe em todas as voca\u00e7\u00f5es. E tamb\u00e9m desilus\u00f5es, lutas, fracassos, frustra\u00e7\u00f5es, des\u00e2nimos, retrocessos, pecados, tristeza, solid\u00e3o\u2026 ao lado de muita coisa linda que Deus nos presenteia na vida.<\/p>\n<p>N\u00e3o se nasce padre. O padre vai-se fazendo ao longo da caminhada. E a linguagem de Deus \u00e9 misteriosa, pois fala e orienta atrav\u00e9s de mudan\u00e7as de dire\u00e7\u00e3o que nos levam a deixar o caminho e seguir por outro. Infidelidade? Penso que n\u00e3o podemos julgar. Os caminhos de Deus n\u00e3o s\u00e3o os nossos caminhos. Conhe\u00e7o uma jovem na Pol\u00f3nia que foi religiosa uns 18 anos. Teve a dita de estar ao lado de Jo\u00e3o Paulo II. A sua vida no convento era cheia de altos ideais, at\u00e9 que uma nova superiora, por motivos que s\u00f3 Deus sabe, manuseou a vida dessa irm\u00e3 ao ponto de ela se sentir coisa &#8211; e n\u00e3o pessoa amada pelo Cristo a quem ela se tinha entregado.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes pensa-se na Igreja que a pessoa j\u00e1 est\u00e1 segura, e no casamento tamb\u00e9m, e deixa-se de a tratar como um ser com sentimentos e dignidade em nome de uma obedi\u00eancia e ordens nem sempre isentas de paix\u00e3o. Conheci tantos casos! A jovem em causa precisava de um tempo para cuidar da m\u00e3e e n\u00e3o tinha quem o fizesse. N\u00e3o era freira de clausura. A licen\u00e7a foi-lhe recusada, como tamb\u00e9m as miss\u00f5es para as quais tinha sido enviada a estudar. Enfim. A sa\u00edda do convento foi dolorosa. Hoje visito-a cada ano. Est\u00e1 s\u00f3. A m\u00e3e morreu. Est\u00e1 s\u00f3 mas t\u00e3o segura de si. T\u00e3o feliz de viver. T\u00e3o ap\u00f3stola na sua par\u00f3quia, sem tiques de frustra\u00e7\u00f5es. T\u00e3o inteira. O mesmo acontece com rapazes que foram sacerdotes, com pessoas dos mais diferentes graus de consagra\u00e7\u00e3o, com pessoas que passaram pelo dif\u00edcil transe do div\u00f3rcio. Conseguiram renovar-se. Deus escreve certo por linhas tortas? H\u00e1 casos que nos levam a dar gra\u00e7as, por isso pensei nos padres do nosso presbit\u00e9rio de Aveiro. Cada um e todos. Como eu. Com a sua hist\u00f3ria, a sua dedica\u00e7\u00e3o, o seu temperamento. A boa vontade e o esfor\u00e7o por dar o seu melhor. Encontramos isso em cada um deles. N\u00e3o agradam a toda gente, como Jesus.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino sempre nos dizia que a nossa profecia j\u00e1 est\u00e1 feita: A sorte do Mestre ser\u00e1 a nossa! Por isso, pensei nesta homenagem. A luta e persist\u00eancia, apesar de tantos momentos de hesita\u00e7\u00e3o. Mant\u00eam-se fi\u00e9is? Acho que nos vamos mantendo como Deus \u00e9 servido, como diz um padre da nossa Diocese. Dando o melhor. Deixando Deus reparar o que foi pior. Esperando que a obra boa chegue a bom porto\u2026 \u201cComo Deus for servido\u201d, na imensa solid\u00e3o de quem \u00e9 pesado e medido pelo mundo, e nos homens encontra amigos, mas poucos, que deem a vida por ele.<\/p>\n<p>Diz um autor que quem est\u00e1 com Deus est\u00e1 mais s\u00f3 do que se estivesse s\u00f3! Por vezes economicamente t\u00e3o s\u00f3s. Com obras que n\u00e3o pensaram fazer. Com palavras que n\u00e3o esperavam ouvir, boas ou m\u00e1s. Com um cora\u00e7\u00e3o cheio de amor para dar\u2026 E quantas vezes com t\u00e3o pouco recebido. Semeador que n\u00e3o colhe a maioria dos frutos. Que anda na boca de gente que tem a alma mais suja que pau de galinheiro. Alvo de chacotas e piadas de mau gosto, sabendo que, se errar gravemente, todos o crucificar\u00e3o, e, \u00e0s vezes, nem nos colegas nem na hierarquia encontrar\u00e1 ajuda e apoio. Homem de belos sonhos. Com um cora\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande como o mar. Com desejo de acertar o passo, seja ele secret\u00e1rio, professor, p\u00e1roco, vig\u00e1rio ou bispo.<\/p>\n<p>Ah\u2026 Padre de Aveiro, meu colega, a minha homenagem, pois estamos no mesmo barco dos chamados que queremos ser os escolhidos. E sentimo-nos t\u00e3o pequeninos e indefesos, tendo por suporte, em certas circunst\u00e2ncias o \u00fanico, Deus, que \u00e9 o nosso ref\u00fagio. A minha homenagem diante de ti, jovem ou velho, padre de Aveiro, agora que a Diocese te oferece uma casa para morreres num lar, porque, mesmo que n\u00e3o exer\u00e7as o minist\u00e9rio e tua vida possa parecer cheia de contradi\u00e7\u00e3o, \u00e9s sacerdote para sempre e o Bom Pastor ama-te e continua a apostar em ti, como n\u00e3o desistiu dos seus doze primeiros. Somos dele. Que Deus nos aben\u00e7oe!<\/p>\n<p>Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 133<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-21614","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21614","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21614"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21614\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21614"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21614"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21614"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}