{"id":21670,"date":"2013-01-30T15:36:00","date_gmt":"2013-01-30T15:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21670"},"modified":"2013-01-30T15:36:00","modified_gmt":"2013-01-30T15:36:00","slug":"exposicao-diocese-de-aveiro-presente-e-memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/exposicao-diocese-de-aveiro-presente-e-memoria\/","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Diocese de Aveiro, presente e mem\u00f3ria&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o <!--more--> O patrim\u00f3nio cultural da Igreja pode ser definido como o acervo de bens de m\u00e9rito art\u00edstico, hist\u00f3rico, paleontol\u00f3gico, arqueol\u00f3gico, etnol\u00f3gico, cient\u00edfico, t\u00e9cnico, documental e bibliogr\u00e1fico; por isso, ele \u00e9 constitu\u00eddo por valores materiais e imateriais, nos quais se consubstanciam legados de \u00e9pocas anteriores. O fim espec\u00edfico dos bens culturais da Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 o an\u00fancio do Evangelho, o culto divino, a pedagogia da f\u00e9, a piedade dos fi\u00e9is e a promo\u00e7\u00e3o espiritual; por isso, o patrim\u00f3nio da Igreja justifica-se na medida em que ele for ordenado \u00e0quele objetivo no exerc\u00edcio da miss\u00e3o da mesma Igreja, como instrumento \u00fatil e necess\u00e1rio, ou at\u00e9 indispens\u00e1vel. Tais obras, sa\u00eddas do talento do homem, tendem assim a exprimir a infinita beleza de Deus e a orientar para o louvor e a gl\u00f3ria do mesmo Deus.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m que se fa\u00e7a a distin\u00e7\u00e3o entre arte religiosa e arte sacra. A diferen\u00e7a baseia-se n\u00e3o tanto nos carateres intr\u00ednsecos de ambas e na inspira\u00e7\u00e3o de cada uma, mas no destino particular das respetivas obras art\u00edsticas. A arte sacra possui intrinsecamente um fim lit\u00fargico, ou seja, \u00e9 aquela em que o artista, como catequista, pretendeu fomentar a vida de f\u00e9 religiosa; por tal motivo, tal manifesta\u00e7\u00e3o h\u00e1 de auxiliar na espiritualidade dos crentes e concorrer na condigna celebra\u00e7\u00e3o do culto divino. \u00c9 pois necess\u00e1rio que a arte sacra expresse uma \u2018teologia em imagens\u2019. No ambiente das comunidades crist\u00e3s, ela, sem arbitrariedades, tende a servir a mensagem evang\u00e9lica, a transmitir as verdades do dogma crist\u00e3o e a expressar as virtudes dos santos com a maior fidelidade poss\u00edvel e com sentimentos autenticamente piedosos.<\/p>\n<p>O conjunto de mais de cem pe\u00e7as reunidas nesta exposi\u00e7\u00e3o testemunha uma hist\u00f3ria de arte sacra com mais de setecentos anos, que outrossim \u00e9 a hist\u00f3ria da catequese na arte e pela arte. A sua escolha obedeceu ao princ\u00edpio de que todas as par\u00f3quias estivessem representadas, desde as faldas das serranias at\u00e9 ao litoral oce\u00e2nico e desde as terras do Antu\u00e3 at\u00e9 aos campos bairradinos; por tal raz\u00e3o, n\u00e3o se pretendeu obedecer primariamente a uma raz\u00e3o hist\u00f3rica ou art\u00edstica, apesar de algumas delas terem sido esculturadas em s\u00e9culos bem recuados e muitas outras deixarem transparecer beleza e piedade.<\/p>\n<p>Como se ver\u00e1, as pe\u00e7as aqui patentes permitem demonstrar a viv\u00eancia crist\u00e3 nas nossas terras, a qual tem por alicerce a f\u00e9 em Deus e o amor a Jesus Cristo, constantemente demonstrado pelos seus disc\u00edpulos, a partir da Virgem Maria. At\u00e9 podemos concluir que a imagem seiscentista de um crist\u00e3o de ra\u00e7a negra justifica que, na devo\u00e7\u00e3o cultual de ent\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o existia a discrimina\u00e7\u00e3o entre as ra\u00e7as humanas, concretizando-se o ensinamento de S. Paulo (G\u00e1l 3, 28): \u2013 \u00abTendo sido batizados em Cristo, revesti-vos de Cristo; j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 judeu nem grego, nem escravo nem livre, \u2018nem branco nem preto\u2019, nem homem nem mulher, pois todos v\u00f3s sois um em Jesus Cristo.\u00bb <\/p>\n<p>Nesta bela e multiforme colet\u00e2nea, apreciam-se representa\u00e7\u00f5es em tra\u00e7os de espiritualidade, de simplicidade e de serenidade, que se submeteram aos c\u00e2nones rom\u00e2nicos, g\u00f3ticos, renascentistas, maneiristas, barrocos, neoclassicistas, revivalistas e modernos. Oxal\u00e1 que as imagens e as alfaias lit\u00fargicas tamb\u00e9m aqui sirvam de catequese, como servem nos templos, pois elas recordam al\u00edneas de doutrina crist\u00e3 e de viv\u00eancia evang\u00e9lica. \t<\/p>\n<p>Na primeira parte \u2013 \u2018Do Mist\u00e9rio \u00e0 sua Epifania\u2019 \u2013 come\u00e7a-se pela representa\u00e7\u00e3o da Sant\u00edssima Trindade que lembra o Mist\u00e9rio de Deus uno e trino; segue-se a figura\u00e7\u00e3o dos anjos, sobretudo a do arcanjo S. Miguel que, na vit\u00f3ria, \u00e9 prot\u00f3tipo na luta contra o mal. O Mist\u00e9rio divino foi finalmente revelado em Cristo e por Cristo. Contempla-se ent\u00e3o o desvelo materno de Santa Ana na educa\u00e7\u00e3o de Maria, sua filha; o humilde nascimento de Jesus Cristo na gruta de Bel\u00e9m; a adora\u00e7\u00e3o dos magos gentios ao Menino do pres\u00e9pio; a Sagrada Fam\u00edlia de Nazar\u00e9 em viv\u00eancia de amor; o penitente S. Jo\u00e3o Batista a convidar \u00e0 convers\u00e3o de vida; a Virgem Maria com Jesus nos bra\u00e7os, quase a aconselhar, como em Can\u00e1 da Galileia, &#8211; \u2018Fazei tudo o que o meu Filho vos disser\u2019; Cristo na flagela\u00e7\u00e3o e na cruz a demonstrar que n\u00e3o h\u00e1 amor sem sacrif\u00edcio; o Senhor ressuscitado a apontar a glorifica\u00e7\u00e3o do homem no Al\u00e9m de Deus.<\/p>\n<p>Na segunda parte \u2013 \u2018O Mist\u00e9rio feito Memorial\u2019 \u2013 nota-se que o Mist\u00e9rio de Deus, concretizado amorosamente em Jesus Cristo, se torna perene na vida da Igreja pela Eucaristia. As portas dos sacr\u00e1rios e os v\u00e1rios cib\u00f3rios e cust\u00f3dias em prata estimulam \u00e0 homenagem e \u00e0 adora\u00e7\u00e3o a Cristo, permanente e vivo no Sant\u00edssimo Sacramento, que \u00e9 est\u00edmulo na esperan\u00e7a da vinda do Senhor. Uma das navetas do incenso, cinzelada nos finais do s\u00e9culo XV, tamb\u00e9m fala do encontro de culturas e povos, liderado pelos portugueses.<\/p>\n<p>Na terceira parte \u2013 \u2018O Imanente elevado ao Mist\u00e9rio\u2019 \u2013 as imagens iconogr\u00e1ficas representam tantos crist\u00e3os e tantas crist\u00e3s \u2013 homens e mulheres, jovens, adolescentes e crian\u00e7as, bispos, sacerdotes e leigos \u2013 que viveram singularmente a f\u00e9 em Deus e em Cristo, e muitos por ela foram sacrificados e mortos. Quase no final da exposi\u00e7\u00e3o, encontra-se a pequena escultura barrista de S. Jer\u00f3nimo a ler a B\u00edblia e a refletir nos seus textos; ela questiona se a palavra de Deus \u00e9 o alimento dos crentes, mesmo atrav\u00e9s desta mostra. O pr\u00f3prio s\u00edtio onde nos encontramos \u2013 a moradia da princesa Santa Joana \u2013 sugere que o caminho da felicidade \u00e9 a coer\u00eancia e a persist\u00eancia na luta pela verdade na caridade.<\/p>\n<p>E at\u00e9 pode acontecer que o olhar do visitante perscrute o invis\u00edvel em frente de uma simples imagem de Cristo; parecer\u00e1 mesmo que Ele esteja a olhar para o \u00edntimo de quem a admira. Num certo dia, perante uma formosa estatueta, talhada em madeira, ouvi o sussurro comovido de um meu amigo, que se confessava ateu: &#8211; \u00ab\u00d3 Cristo, eu existo nos teus olhos!&#8230; Tu olhas para a minha consci\u00eancia!&#8230;\u00bb Dialogando com as imagens, as pe\u00e7as e as alfaias, faz-se mem\u00f3ria no presente e contempla-se o mist\u00e9rio na arte e pela arte.<\/p>\n<p>Texto proferido na abertura da exposi\u00e7\u00e3o \u201cDiocese de Aveiro, presente e mem\u00f3ria\u201d, no Museu de Aveiro, no dia 20 de janeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-21670","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21670","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21670"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21670\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21670"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21670"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21670"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}