{"id":21671,"date":"2013-01-30T15:46:00","date_gmt":"2013-01-30T15:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21671"},"modified":"2013-01-30T15:46:00","modified_gmt":"2013-01-30T15:46:00","slug":"que-mensagem-estamos-a-passar-as-nossas-criancas-que-as-arvores-sao-tao-descartaveis-como-qualquer-objecto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/que-mensagem-estamos-a-passar-as-nossas-criancas-que-as-arvores-sao-tao-descartaveis-como-qualquer-objecto\/","title":{"rendered":"Que mensagem estamos a passar \u00e0s nossas crian\u00e7as? Que as \u00e1rvores s\u00e3o t\u00e3o descart\u00e1veis como qualquer objecto?"},"content":{"rendered":"<p>Carta ao Diretor <!--more--> Algumas proposi\u00e7\u00f5es com p\u00e1ssaros e \u00e1rvores que o poeta remata com uma refer\u00eancia ao cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Os p\u00e1ssaros nascem na ponta das \u00e1rvores<\/p>\n<p>As \u00e1rvores que eu vejo em vez de fruto d\u00e3o p\u00e1ssaros<\/p>\n<p>Os p\u00e1ssaros s\u00e3o o fruto mais vivo das \u00e1rvores<\/p>\n<p>Os p\u00e1ssaros come\u00e7am onde as \u00e1rvores acabam<\/p>\n<p>Os p\u00e1ssaros fazem cantar as \u00e1rvores<\/p>\n<p>Ao chegar aos p\u00e1ssaros as \u00e1rvores engrossam movimentam-se<\/p>\n<p>deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal<\/p>\n<p>Como p\u00e1ssaros poisam as folhas na terra<\/p>\n<p>quando o Outono desce veladamente sobre os campos<\/p>\n<p>Gostaria de dizer que os p\u00e1ssaros emanam das \u00e1rvores<\/p>\n<p>mas deixo essa forma de dizer ao romancista<\/p>\n<p>\u00e9 complicada e n\u00e3o se d\u00e1 bem na poesia<\/p>\n<p>n\u00e3o foi ainda isolada da filosofia<\/p>\n<p>Eu amo as \u00e1rvores principalmente as que d\u00e3o p\u00e1ssaros<\/p>\n<p>Quem \u00e9 que l\u00e1 os pendura nos ramos?<\/p>\n<p>De quem \u00e9 a m\u00e3o a in\u00famera m\u00e3o?<\/p>\n<p>Eu passo e muda-se-me o cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Ruy Belo<\/p>\n<p>Homem de palavra(s) <\/p>\n<p>Muda-se-me o cora\u00e7\u00e3o em tristeza e indigna\u00e7\u00e3o ao ver o abate de \u00e1rvores que ocorreu na Escola EB 1 da Vera Cruz. Como foi poss\u00edvel liquidar (de \u00e2nimo leve?) \u00e1rvores com dezenas de anos de servi\u00e7o \u00e0 comunidade (por meio das suas sombras e p\u00e1ssaros e oxig\u00e9nio e troncos para os mi\u00fados se pendurarem)?<\/p>\n<p>Imagino que ter\u00e3o sido ordens imponderadas da C\u00e2mara. Imagino que tamb\u00e9m \u00e0s crian\u00e7as e professores se lhes mude o cora\u00e7\u00e3o ao ver apenas cepos onde ainda h\u00e1 dias havia \u00e1rvores frondosas, cheias de hist\u00f3rias, risos e afectos que ligavam gera\u00e7\u00f5es \u2013 av\u00f3s, pais e netos \u2013 que, sob as mesmas sombras, partilharam brincadeiras.<\/p>\n<p>N\u00e3o duvido de que houvesse algumas \u00e1rvores na escola que colocassem em risco a seguran\u00e7a das crian\u00e7as, mas n\u00e3o seriam, seguramente, tantas quantas as que foram irreversivelmente abatidas. Contei mais de 10 abatidas, das quais pelo menos 4 seriam \u00e1rvores s\u00e3s, sem sinais de tronco podre ou oco e sem movimenta\u00e7\u00e3o de terras na sua base que fizesse supor uma queda iminente. Que crit\u00e9rios foram considerados para decidir quais as \u00e1rvores a abater? Ter\u00e1 havido, sequer, tempo suficiente para fazer uma avalia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica rigorosa ao estado das \u00e1rvores? Decide-se abater irreversivelmente dezenas de anos de vida e hist\u00f3ria vegetal s\u00f3 com uma vista de olhos subjectiva e umas pancadinhas de guarda-chuva? \u00c9 admiss\u00edvel que se aceitem argumentos do tipo \u201cn\u00e3o h\u00e1 dinheiro para fazer uma avalia\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00e1rvores, por isso, o melhor \u00e9 cortar\u201d? Que interesses se escondem por detr\u00e1s deste abate indiscriminado, a pretexto de se estar a salvaguardar a seguran\u00e7a das crian\u00e7as? Porque se abateram \u00e1rvores que, objectivamente, n\u00e3o constitu\u00edam perigo? Quem vai ganhar com isto? <\/p>\n<p>Seguramente que haver\u00e1 nesta decis\u00e3o muita impondera\u00e7\u00e3o, muita precipita\u00e7\u00e3o, muita insensibilidade, muito desrespeito pelas pessoas e pela natureza, por aquilo que \u00e9 de todos. O que me indigna n\u00e3o \u00e9 o facto de se abaterem \u00e1rvores que colocam em risco a seguran\u00e7a das pessoas (embora houvesse outras alternativas ao abate, como \u201csegurar\u201d as \u00e1rvores com tirantes de a\u00e7o, por exemplo). O que me indigna \u00e9 que, sob a capa desse pretexto, se aniquilem \u00e1rvores s\u00f3 porque est\u00e3o ali, mesmo que n\u00e3o constituam uma \u201camea\u00e7a\u201d cred\u00edvel.<\/p>\n<p>Que mensagem estamos a passar \u00e0s nossas crian\u00e7as? Que as \u00e1rvores s\u00e3o t\u00e3o descart\u00e1veis como qualquer objecto! Que a vida e a hist\u00f3ria do mundo vegetal n\u00e3o t\u00eam valor. Que um vendaval \u00e9 pretexto leg\u00edtimo para se proceder a uma razia de \u00e1rvores. Que abater uma \u00e1rvore \u00e9 uma decis\u00e3o que n\u00e3o precisa de observa\u00e7\u00e3o cuidada e grande pondera\u00e7\u00e3o e que se pode tomar de \u00e2nimo leve.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 abatendo \u00e1rvores que educamos as nossas crian\u00e7as para um mundo mais sustent\u00e1vel. Aquilo a que os alunos da Escola EB 1 da Vera Cruz assistiram \u00e9 uma poderosa oportunidade de aprendizagem, que tanto pode ser canalizada para veicular a ideia de que devemos cuidar e proteger as \u00e1rvores, como pode (se nada for feito nesse sentido) ser negligenciada, veiculando a mensagem, absorvida \u201cpor osmose\u201d, da legitimidade de se descartar as \u00e1rvores a qualquer pretenso pretexto.<\/p>\n<p>Julgo que seria de aproveitar esta lament\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o para criar, com as nossas crian\u00e7as, momentos de reflex\u00e3o, para fomentar neles o esp\u00edrito cr\u00edtico e n\u00e3o a passividade e resigna\u00e7\u00e3o perante atrocidades como esta. Como m\u00e3e, sugiro a outros pais, educadores e professores que se aproveite esta oportunidade para, por exemplo, explorar com as crian\u00e7as obras de literatura infantil de grande valor pedag\u00f3gico e humano, como A \u00c1rvore Generosa, de Shel Silverstein, que tem comovido gera\u00e7\u00f5es com a hist\u00f3ria de amor de uma \u00e1rvore e um menino, e cuja mensagem se revela extremamente apropriada, neste momento, para as crian\u00e7as da Escola da Vera Cruz. Sugiro ainda o bel\u00edssimo conto de Sophia, A \u00c1rvore. Uma lista sobre o tema \u201c\u00e1rvore\u201d na literatura infantil est\u00e1 dispon\u00edvel no site Casa da Leitura, da Gulbenkian, em: http:\/\/195.23.38.178\/casadaleitura\/portalbeta\/bo\/documentos\/t_a_arvore_na_LIJ_b.pdf. \u201cMuitas destas obras retratam [\u2026] a ess\u00eancia generosa destes seres vivos com que estamos habituados a conviver, sublinhando a import\u00e2ncia de aprender a cuid\u00e1-los e respeit\u00e1-los.\u201d <\/p>\n<p>Para que os p\u00e1ssaros possam continuar a nascer na ponta das \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Joana Abranches Portela <\/p>\n<p>Texto escrito conforme o antigo Acordo Ortogr\u00e1fico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta ao Diretor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-21671","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21671","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21671"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21671\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21671"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21671"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21671"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}