{"id":21675,"date":"2013-02-06T16:51:00","date_gmt":"2013-02-06T16:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21675"},"modified":"2013-02-06T16:51:00","modified_gmt":"2013-02-06T16:51:00","slug":"cultura-nova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/cultura-nova\/","title":{"rendered":"Cultura nova"},"content":{"rendered":"<p>A conjuntura dif\u00edcil que vivemos, que alargou em amplitude e profundidade as fronteiras da pobreza, desencadeou tamb\u00e9m iniciativas m\u00faltiplas de solidariedade, amenizando efetivamente a ang\u00fastia e o desespero de muitas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei, entretanto, se estamos no caminho de invers\u00e3o da cultura do ego\u00edsmo e do consumismo. Aprender a repartir, a fazer verdadeira comunh\u00e3o de vida e preocupa\u00e7\u00f5es, aprender o h\u00e1bito de seriar prioridades, dando primazia ao indispens\u00e1vel e eliminando todos os sup\u00e9rfluos, s\u00e3o artes dif\u00edceis, que exigem longo treino, que s\u00f3 resultam de uma liberta\u00e7\u00e3o interior, de um esp\u00edrito simples e humilde. <\/p>\n<p>Essa cultura, que vai muito para al\u00e9m do \u00e2mbito dos bens materiais, desdobrando-se em inumer\u00e1veis atitudes de aten\u00e7\u00e3o, de disponibilidade, de proximidade, de apoio e incentivo, que d\u00e1 pelo nome de caridade, tarda a fazer-se sentir, mesmo entre aqueles que deveriam espantar o mundo por esse exemplo de viver \u201cnum s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e numa s\u00f3 alma\u201d.<\/p>\n<p>A resposta \u00e0s campanhas \u00e9 generosa e muitas dores se t\u00eam aliviado. \u00c9 preciso o p\u00e3o, \u00e9 verdade. Temos de o encontrar e de o repartir! \u00c9 fundamental gerar e repartir riqueza. Temos de reencontrar formas eficientes de produzir e repartir o que faz falta para uma vida digna, com condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, de habita\u00e7\u00e3o, de educa\u00e7\u00e3o, de desenvolvimento integral! Mas isso n\u00e3o bastar\u00e1 para satisfazer os anseios mais profundos da pessoa humana: crescer pessoalmente, numa vida de inser\u00e7\u00e3o social, de rela\u00e7\u00e3o humana harmoniosa, dignificante, sentir-se conhecida e reconhecida, respeitada e amada.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o grande desafio que nos lan\u00e7a o Bispo de Aveiro, em ano jubilar, para despoletar o culto do cuidado pelo outro. \u00c9 que, com o cora\u00e7\u00e3o transformado, ningu\u00e9m ousar\u00e1 regatear o p\u00e3o, a partilha, a entrega.  <\/p>\n<p>\u201cCruzamos caminhos de sil\u00eancios sofridos, com marcas de p\u00e9s magoados pela vida. Vemos janelas corridas, que escondem rostos sem nome. Encontramos portas fechadas, que calam gente sem voz.<\/p>\n<p>Quem visita leva luz a olhares tristes, solta sorrisos no rosto das crian\u00e7as, senta-se \u00e0 mesa de quem est\u00e1 s\u00f3, abeira-se de quem sofre, caminha nas estradas da vida com gente ferida pela dor, faz que a f\u00e9 e a alegria renas\u00e7am em fam\u00edlias sem esperan\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>Sem desculpas nem atenuantes! Hoje \u00e9 o dia! \u00c9 o momento de sair de mim mesmo, para ir ao encontro de quem precisa de mim e de quem eu preciso tamb\u00e9m, para ser igual a mim mesmo: um ser em rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a clarivid\u00eancia que todos lhe reconhecemos, o Santo Padre aponta-nos o caminho da caridade como o percurso seguro de convers\u00e3o na Quaresma que se aproxima. Em palavras simples mas contundentes, o Papa deixa-nos o rumo tra\u00e7ado: \u201cA exist\u00eancia crist\u00e3 consiste num cont\u00ednuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a for\u00e7a que da\u00ed derivam, para servir os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s com o pr\u00f3prio amor de Deus\u201d.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o caminho longo, dif\u00edcil mas gratificante, da cultura da caridade, o \u00fanico capaz de consolidar uma sociedade de verdadeira partilha, de aut\u00eantica justi\u00e7a social!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A conjuntura dif\u00edcil que vivemos, que alargou em amplitude e profundidade as fronteiras da pobreza, desencadeou tamb\u00e9m iniciativas m\u00faltiplas de solidariedade, amenizando efetivamente a ang\u00fastia e o desespero de muitas fam\u00edlias. N\u00e3o sei, entretanto, se estamos no caminho de invers\u00e3o da cultura do ego\u00edsmo e do consumismo. 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