{"id":2169,"date":"2010-07-14T15:31:00","date_gmt":"2010-07-14T15:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2169"},"modified":"2010-07-14T15:31:00","modified_gmt":"2010-07-14T15:31:00","slug":"vai-um-cafezinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/vai-um-cafezinho\/","title":{"rendered":"\u00abVai um cafezinho?\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> DOMINGO XVI do tempo comum &#8211; Ano C<\/p>\n<p>A cena do Evangelho \u00e9 das mais conhecidas e discutidas: Marta \u00e9 quem se afadiga por preparar a Jesus uma boa refei\u00e7\u00e3o e estadia; Maria, sua irm\u00e3, passa todo o tempo sentada ao p\u00e9 de Jesus \u2013 e Jesus toma o partido de quem \u201cn\u00e3o faz nada\u201d!<\/p>\n<p>Ao menos quer Abra\u00e3o quer Sara puseram m\u00e3os ao trabalho para receberem tr\u00eas visitas, pelos vistos de boa apar\u00eancia, embora um tanto misteriosos. A hospitalidade era um dever social e religioso de primeira import\u00e2ncia nas civiliza\u00e7\u00f5es orientais, cumprindo um ritual que facilmente nos parecer\u00e1 exagerado. Por\u00e9m, ainda hoje \u00e9 uma forma de sobreviv\u00eancia em lugares in\u00f3spitos ou de baixa densidade populacional, e tamb\u00e9m faz parte de uma agrad\u00e1vel tradi\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias das nossas regi\u00f5es. <\/p>\n<p>\u00c9 certo que Abra\u00e3o, Sara, Marta e Maria atravessavam momentos de uma intensa experi\u00eancia religiosa: os primeiros, como figuras centrais de uma estranha alian\u00e7a de Deus com os homens; as duas irm\u00e3s, como testemunhas chegadas do momento mais alto dessa alian\u00e7a \u2013 a presen\u00e7a de Jesus Cristo. S\u00f3 isso bastaria para que estivessem mais atentas aos acontecimentos \u00e0 sua volta, e particularmente ao significado de todas as situa\u00e7\u00f5es de interac\u00e7\u00e3o humana. Com efeito, quanto mais rica \u00e9 a vida espiritual de uma pessoa, mais riqueza esta descobre em todas as outras pessoas, e mais profundamente descobre o para qu\u00ea desta vida.<\/p>\n<p>Os nossos quatro protagonistas, cada um a seu modo, manifestam a alegria de acolher os outros, mesmo os estranhos. Os nossos maiores amigos, sobretudo se feitos na idade adulta, n\u00e3o come\u00e7aram por pertencer ao mundo dos \u201cestranhos\u201d? Se n\u00e3o nos abrimos aos outros, transformamos os outros em grades da nossa mesquinha pris\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem diga que os portugueses passam demasiado tempo em conversa ou jogos de caf\u00e9. \u00c9 grande a tenta\u00e7\u00e3o para fugir da loucura do nosso trabalho ou para gastar dinheiro nessa e noutras descompress\u00f5es \u2013 quando n\u00e3o \u00e9 resultado de nega\u00e7\u00e3o ao trabalho (\u00e0s vezes refor\u00e7ada por um subs\u00eddio pouco criterioso\u2026).<\/p>\n<p>Mas quem nada faz, nem um caf\u00e9 sabe tomar: apenas se atasca numa mesa suja. Um bom caf\u00e9 tem que ser um encontro de simpatia e boa disposi\u00e7\u00e3o; tem que ser uma pausa mais barata e mais eficaz do que o mais afamado ansiol\u00edtico ou antidepressivo; tem que ser um momento t\u00e3o simples como a amizade mais sincera que dele se pode alimentar. (Quando certos \u201cpatr\u00f5es\u201d ou \u201cafins\u201d n\u00e3o v\u00eam o \u201ccafezinho\u201d com bons olhos, n\u00e3o ser\u00e1 porque temem uma esp\u00e9cie de \u201cconversas subversivas\u201d\u2026 que at\u00e9 podem ser origem de mais originais e mais justos empreendimentos?) Ali\u00e1s, \u00e0 mesa de caf\u00e9, partilha-se o desgosto de uma vida ou o tesouro de um amigo poss\u00edvel \u2013 e descobre-se uma mensagem de Deus.<\/p>\n<p>Jesus tomou o partido de Maria. H\u00e1 quem veja nisto a defesa do valor da contempla\u00e7\u00e3o; ou a condena\u00e7\u00e3o do trabalho fren\u00e9tico, alienante como a droga, que impede de pensar a s\u00e9rio e tomar decis\u00f5es honestas. O evangelho, por\u00e9m, tem outro alcance: chama a aten\u00e7\u00e3o para que uma pessoa equilibrada n\u00e3o trabalha como um escravo: gosta sim de manifestar o seu pensamento, decis\u00f5es e ideais; e dedica alguns momentos do dia para poder olhar a vida com a perspectiva mais perfeita e para melhorar os seus conhecimentos. E se recebe algu\u00e9m, f\u00e1-lo com a alegria da amizade e do amor, e n\u00e3o se preocupa com recep\u00e7\u00f5es espaventosas e fatigantes \u2013 quantas vezes inibidoras de amizades a s\u00e9rio. Por outro lado, n\u00e3o ser\u00e1 que Jesus tentou explorar os \u201cci\u00fames\u201d de Marta, como quem diz: \u2013 E se te deixasses das tuas manias de imprescind\u00edvel e persuadisses a tua irm\u00e3 a trocar contigo? <\/p>\n<p> A situa\u00e7\u00e3o de Marta e Maria n\u00e3o \u00e9 semelhante \u00e0 de Sara e Abra\u00e3o, que viveram em tempos e condi\u00e7\u00f5es de quase dois mil anos antes de Cristo. Os h\u00f3spedes de Abra\u00e3o eram gente importante \u2013 Jesus era um simples amigo. Bastaria uma simples bebida e alguns bolinhos para acompanharem uma tarde de boa e profunda amizade&#8230; que elimina o stress e ajuda a planificar a vida com olhos saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-2169","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2169","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2169"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2169\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}