{"id":21713,"date":"2011-03-02T09:57:00","date_gmt":"2011-03-02T09:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21713"},"modified":"2011-03-02T09:57:00","modified_gmt":"2011-03-02T09:57:00","slug":"manuel-bandarra-mestre-criativo-na-pintura-e-na-publicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/manuel-bandarra-mestre-criativo-na-pintura-e-na-publicidade\/","title":{"rendered":"Manuel Bandarra, mestre criativo na pintura e na publicidade"},"content":{"rendered":"<p>Aveirenses Esquecidos <!--more--> O aveirense Manuel de Matos Vinagre, conhecido no mundo das artes pl\u00e1sticas e da publicidade por Manuel Bandarra, alcan\u00e7ou um lugar cimeiro no competitivo mundo da publicidade no Brasil, pa\u00eds onde se fixou no ano de 1958.<\/p>\n<p>Irm\u00e3o dos artistas pl\u00e1sticos Jeremias e H\u00e9lder Bandarra, Manuel Bandarra nasceu em Aveiro, no dia 20 de Maio de 1931, e faleceu em S. Paulo (Brasil), no dia 16 de Abril de 1992, cidade onde residia e tinha a sua pr\u00f3pria ag\u00eancia de publicidade. <\/p>\n<p>Depois de frequentar o ensino prim\u00e1rio na Escola Prim\u00e1ria da Gl\u00f3ria, Manuel Bandarra passou para a Escola Comercial e Industrial Fernando Caldeira, no curso industrial, onde teve como mestre o pintor Porf\u00edrio de Abreu. Devido \u00e0 sua capacidade e qualidade art\u00edstica, e apesar de n\u00e3o ter frequentado a Universidade, com 18 anos de idade j\u00e1 integrava, por convite, o corpo docente do Col\u00e9gio de Sangalhos, onde dava aulas de desenho e de trabalhos manuais. Uma das suas alunas foi Zita Seabra. Foi nesse col\u00e9gio que concebeu as primeiras esculturas, incluindo o busto do antigo director do Hospital de Sangalhos, uma escultura que se encontra na Miseric\u00f3rdia. Fez ainda o busto do pai (que est\u00e1 na campa do seu pai, no Cemit\u00e9rio Sul) e um relevo que existia no antigo Magist\u00e9rio Prim\u00e1rio e que hoje est\u00e1 nos armaz\u00e9ns gerais da autarquia aveirense.<\/p>\n<p>Ainda em Aveiro, Manuel Bandarra estagiou nas f\u00e1bricas de porcelana \u201cAleluia\u201d e \u201cArtibus\u201d, as duas situadas bem perto da oficina de carpintaria que o seu pai possu\u00eda junto ao Canal do Cojo. Por essa altura, construiu uma m\u00e1quina de filmar.<\/p>\n<p>O in\u00edcio da sua carreira publicit\u00e1ria aconteceu no Porto, cidade para onde foi trabalhar, e onde ganhou o seu primeiro pr\u00e9mio em cinema, enquanto a esposa dava aulas numa escola prim\u00e1ria em Espinho. Manuel Bandarra prosseguiu a sua actividade publicit\u00e1ria em Lisboa, na empresa alem\u00e3 Zeiger, na qual trabalhou com o poeta Jos\u00e9 Carlos Ary dos Santos.<\/p>\n<p>Em 1958, e como a sua esposa tinha familiares no Brasil, Manuel Bandarra fixou resid\u00eancia em S. Paulo.<\/p>\n<p>Um criador por excel\u00eancia<\/p>\n<p>Jeremias Bandarra recorda que os primeiros tempos do irm\u00e3o no Brasil n\u00e3o foram f\u00e1ceis, uma vez que as empresas publicit\u00e1rias a\u00ed instaladas j\u00e1 tinham os seus quadros preenchidos. Por isso, come\u00e7ou numa ag\u00eancia pequena, como desenhador. Por\u00e9m, \u201ccomo o meu irm\u00e3o tinha muita habilidade para fotografia e para cinema, e desenhava muito bem e r\u00e1pido, o seu talento foi reconhecido imediatamente, e ao fim de meio ano j\u00e1 era director art\u00edstico dessa ag\u00eancia\u201d, relata. Foi a\u00ed que ganhou o seu primeiro grande pr\u00e9mio no mais credenciado concurso de propaganda (como ent\u00e3o se designavaesta actividade) no Brasil, facto que catapultou o seu nome para o mundo da publicidade e motivou a sua contrata\u00e7\u00e3o pela Thompson, uma das maiores ag\u00eancias americanas a operar no Brasil, na qual entrou no restrito grupo dos criadores, chegando a director art\u00edstico. <\/p>\n<p>Jeremias Bandarra recorda que o seu irm\u00e3o teve a ousadia de desafiar uma modelo e artista da TV Globo, que na altura era casada com o Ministro da Cultura, a posar para uma campanha publicit\u00e1ria de j\u00f3ias. Foi a primeira vez que uma campanha ocupou a capa da revista \u201cManchete\u201d. O sucesso foi extraordin\u00e1rio. Mais tarde, Manuel Bandarra criou a sua pr\u00f3pria empresa de publicidade.<\/p>\n<p>As duas exposi\u00e7\u00f5es que Manuel Bandarra fez em Portugal saldaram-se pela venda de todas as suas obras, o mesmo acontecendo com as obras que exp\u00f4s nas duas mostras \u201cPortugal-Brasil\u201d, uma em cada um dos pa\u00edses. Duas das suas obras expostas em Lisboa foram adquiridas pelo Banco Totta. No Brasil, o sucesso da sua pintura foi igualmente not\u00f3rio. H\u00e1 obras suas em diversas institui\u00e7\u00f5es e locais p\u00fablicos.<\/p>\n<p>O sucesso das vendas e o facto de Manuel Bandarra dar muitos dos seus trabalhos a pessoas amigas fazem com que a fam\u00edlia desconhe\u00e7a o paradeiro da maioria das suas obras, ainda que, como dizia, \u201cn\u00e3o deve haver avenida em S. Paulo que n\u00e3o tenha uma coisa minha\u201d.<\/p>\n<p>No mundo das artes, e para al\u00e9m da pintura e do desenho, este aveirense deixou obra tamb\u00e9m na escultura, na cer\u00e2mica, na madeira e no relevo. A escrita, o cinema e o teatro foram outras \u00e1reas em que esteve activo.<\/p>\n<p>J\u00e1 no Brasil, Manuel Bandarra interessou-se por outras \u00e1reas do saber, entre as quais a hipnose e a parapsicologia, nas quais obteve diplomas de forma\u00e7\u00e3o. A sua biblioteca era bastante boa e diversificada.<\/p>\n<p>Numa entrevista publicada no dia 15 de Novembro de 1991, no jornal \u201cO Com\u00e9rcio do Porto\u201d, feita por Daniel Rodrigues, a prop\u00f3sito da exposi\u00e7\u00e3o realizada em Aveiro, Manuel Bandarra, referindo-se a si mesmo, disse: \u201cSou purista, da forma, da luz (\u2026) o meu trabalho \u00e9 de alt\u00edssima elabora\u00e7\u00e3o e alta t\u00e9cnica\u201d. Jeremias Bandarra define-o com \u201cum desenhador muito bom\u201d, de que s\u00e3o exemplos as pinturas que nessa altura exp\u00f4s em Aveiro, embora \u201cconcorresse sempre com coisas abstractas\u201d. O irm\u00e3o considera-o \u201cum ser humano absolutamente fora de s\u00e9rie, com uma forma\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica\u201d. \u201cEra um criativo extraordin\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n<p>Coleccionador de pr\u00e9mios art\u00edsticos<\/p>\n<p>Manuel Bandarra foi um aut\u00eantico \u201ccoleccionador\u201d de pr\u00e9mios art\u00edsticos, \u201ccolec\u00e7\u00e3o\u201d que come\u00e7ou a fazer ainda muito novo, enquanto estudante na Escola Comercial e Industrial Fernando Caldeira, em Aveiro. Depois desses primeiros pr\u00e9mios, dezenas de outros foram enchendo o seu \u201cportfolio\u201d, e onde se contam medalhas de ouro, de prata e de bronze, primeiros, segundos e terceiros pr\u00e9mios, e men\u00e7\u00f5es honrosas, distin\u00e7\u00f5es obtidas em concursos de artes pl\u00e1sticas, de criatividade publicit\u00e1ria e at\u00e9 de cinema, realizados em Portugal e no Brasil, incluindo uma medalha de ouro no pr\u00e9mio Armando Morais Sarmento, o principal pr\u00e9mio brasileiro de publicidade.<\/p>\n<p>O concorrido e competitivo mundo da publicidade, especialmente num pa\u00eds como o Brasil, onde trabalham alguns dos melhores publicit\u00e1rios do mundo, n\u00e3o deixava muito tempo a Manuel Bandarra para se dedicar \u00e0s artes pl\u00e1sticas, em especial \u00e0 pintura. Mesmo assim, realizou v\u00e1rias exposi\u00e7\u00f5es no Brasil e tamb\u00e9m em Aveiro, e participou em algumas mostras colectivas. A sua qualidade foi reconhecida pela cr\u00edtica, motivo pelo que foi convidado para integrar o j\u00fari da Bienal de S. Paulo e de outros eventos art\u00edsticos de renome, sendo referenciado por in\u00fameros cr\u00edticos de arte.<\/p>\n<p>Aveirense amigo de \u00d3scar Niemeyer<\/p>\n<p>Manuel Bandarra atingiu um elevado patamar no mundo art\u00edstico da maior cidade brasileira, facto que se repercutiu no la\u00e7o de amizades pessoais que foi criando e que o levou a privar com alguns dos maiores nomes das artes do Brasil, com destaque para o arquitecto \u00d3scar Niemeyer, criador da cidade de Bras\u00edlia e que hoje, aos 103 anos de idade, continua um criador activo.<\/p>\n<p>Este aveirense ilustre no Brasil, mas praticamente esquecido na sua terra, apesar de trabalhar numa \u00e1rea em que a concorr\u00eancia \u00e9 feroz, como \u00e9 a publicidade, soube ensinar e ajudar os outros, pelo que ainda hoje \u00e9 recordado com admira\u00e7\u00e3o por criativos como Juvenal (Rodrigues da Silva) Ramos, natural de Viana do Castelo, que nos finais da d\u00e9cada de 1960 criou o famoso s\u00edmbolo da Editora Abril (a \u00c1rvore). Numa entrevista recente, referindo-se aos seus primeiros tempos como publicista no Brasil, disse que nas d\u00e9cadas de 1960 e1970 o seu trabalho \u201ccome\u00e7ou a ser reconhecido por grandes nomes da propaganda da \u00e9poca\u201d, por \u201cgente como o director de arte Manuel Bandarra, por exemplo\u201d, que lhe recomendou que apostasse na criatividade e deixasse de ser \u201ct\u00e3o t\u00e9cnico\u201d. \u201cTrabalhei com ele e com outros profissionais famosos &#8211; caso do Sergio Graciotti, da MPM\u201d, afirmou com orgulho Juvenal Ramos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aveirenses Esquecidos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-21713","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21713","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21713"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21713\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21713"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21713"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21713"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}